quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

"As Willis: sexo, morte e escaravelhos", de Carlos Gerbase



Muito mais do que pelo enredo do livro em si, adquiri um exemplar de "As Willis" por conta de seu autor, Carlos Gerbase, músico e cineasta que admiro desde a infância. E confesso que a história me surpreendeu.

As Willis são Mirtha, Irina, Margot, Maria, Madalena e, finalmente, Giselle: belas mulheres que morreram virgens e que, pela influência dos poderes do escaravelho sagrado, retornaram à vida — ou a algo similar a isso. O “porém” é que elas precisam adquirir energia sugando a vitalidade de suas vítimas, como os vampiros fazem, mas de uma maneira um pouco diferente.

A leitura da obra é muito instigante! A narrativa de Gerbase é deliciosa; a ambientação em Porto Alegre e região dá um charme especial, além de proporcionar uma sensação de pertencimento a quem reconhece os locais descritos; as críticas são inteligentes e hilárias; as referências culturais são um atrativo à parte; e a formatação em estilo acadêmico desafia e desacomoda o leitor.

Ao final, na seção de agradecimentos, o autor confessa que, primeiramente, projetava produzir um longa-metragem com esse roteiro, o qual se tornou uma minissérie nunca filmada, até transformar-se em literatura.

Ou seja, após ler o livro, sinto que deleitei-me demais com esse que, sem dúvidas, é um dos melhores títulos que já li. No entanto, depois de conhecer essas informações, fico imaginando as maravilhas que o cineasta Gerbase realizaria com essa narrativa. Que riqueza de possibilidades!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

"Olhos de Mandrágora", de Ivy Menon


- Título: “Olhos de Mandrágora”
- Autora: Ivy Menon
- Editora: Patuá (SP)
- Ano de lançamento: 2024
- Nº. de páginas: 88


“Olhos de Mandrágora”, da escritora paranaense Ivy Menon, é um livro de poesia muito coeso em toda a sua concepção, desde o aspecto gráfico até a escolha e a organização dos poemas. Estes, por sua vez, são essencialmente curtos na extensão e profundamente longos na significação. Também, são similares na estrutura, assim como são coerentes na abordagem.

Em seus versos, a autora faz críticas sociais contundentes. Para isso, tece muitas analogias com aquilo que encontra na natureza. Ou, sendo mais específico, percebe-se que ela aprende com a vida selvagem e a ressignifica, emparelhando-a com aquilo que se pode testemunhar na selvageria cotidiana. 

Além disso, a linguagem estudada e empregada por Ivy é densa no limite, pois, por mais exigente que seja, consegue ser acessível aos seus leitores, que, em contrapartida, precisam trazer uma bagagem cultural prévia, como um certo conhecimento sobre mitologia, por exemplo.

Particularmente, adorei os versos de “centro”, “metafísica da angústia”, “lacaniana”, “ilusão”, “fantoche” e “temerário”. Por outro lado, fiquei absurdamente entusiasmado com os poemas “engano”, “platônico”, “caça”, “prometeu” e “ecos”. Neles, encontram-se pérolas como: “cupins não dançam balé clássico” (engano), “a luz cega mais que a escuridão” (platônico), “o pecado de ontem salva o dia seguinte” (caça), “alimenta a liberdade / que lhe devora as vísceras” (prometeu) e “a cidade jamais dorme / sequer cochila” (ecos).

Ou seja, “Olhos de Mandrágora” é uma obra lírica extremamente requintada em todos os seus detalhes, cujas páginas guardam ácidos tesouros literários que ninguém imaginaria terem saído de uma pessoa tão gentil quanto Ivy Menon. Mesmo que eu já tenha tido, há alguns anos, algum contato com trabalhos seus, sempre bastante críticos e criativos, sinto, agora, que ela está cada vez mais competente na composição de suas estrofes, bem como surge mais incisiva em suas denúncias sociais e nas palavras que escolhe para fazê-las. 

Portanto, este é um volume que encanta e, simultaneamente, incomoda, porque foi escrito para isso.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

"Enredar-se", de Joselma Noal


- Título: "Enredar-se"
- Autora: Joselma Noal
- Editora: Libertinagem (SP)
- Ano de lançamento: 2025
- Nº. de páginas: 68

Em "Enredar-se", Joselma Noal propõe ao leitor um mergulho em poemas que se entrelaçam como tentáculos, exalando “tintas de amor, de raiva, de anseio por viver, por recordar, por pensar o mundo, a escrita, a arte, a vida e a morte” (p. 65). A própria autora define sua obra como um convite a entrar na rede, e essa imagem se confirma na leitura, uma vez que cada poema é um fio que surpreende, prende e, ao mesmo tempo, ajuda a libertar.

A poesia aqui se apresenta como retratos instantâneos, como esquetes do cotidiano, e sempre plurissignificativa. Em textos curtos ou mais longos, Joselma constrói analogias que destroem a mesmice, como no pedido de que “as tonalidades venham fortes, e arrastem para baixo do tapete a monotonia nossa de cada dia” (p. 18). Há também momentos de delicadeza, em que um simples raio de sol se torna “afago, trégua nos dias nublados que demoraram a partir” (p. 27). O olhar da autora para o cotidiano é capaz de transformar o banal em reflexão, como nesta sugestão sobre o tempo, que “floresce uma só vez” e poderia ser cultivado em forma de sonhos, em vez de amarguras (p. 62-63).

Os poemas lembram os minicontos que a escritora também produz, pois são breves, incisivos, capazes de surpreender com poucas palavras. Essa economia verbal é uma marca de seu estilo, e nela reside a força de Joselma, especialista em provocar o inesperado. A poesia, assim, ganha ritmo e forma dentro da vida de cada leitor, dialogando com rotinas, com imagens recorrentes como a mulher, o mar, o pássaro, a gaiola, o corpo. São símbolos que se repetem e se transformam, proporcionando coesão e consistência ao livro.

Portanto, "Enredar-se" é um título que desafia quem o lê a se deixar capturar pelas malhas da poesia, onde cada verso é um convite à sensibilidade, ao imprevisto; a enxergar as nossas semelhanças, diferenças, particularidades, peculiaridades, enfim, o modo como absorvemos e lidamos com esta incontrolável, incompreensível, linda e desafiadora vida.


Quando é novembro
o amor paira pela praça,
cheira a pipoca e a papel.
E enquanto os poetas passarinhos
abençoam a primavera
de capas coloridas,
dos livros abertos
nascem asas
e pela praça
esparramam
palavras
voa
     do
          ras


(Página 26)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

"Canções do Desoculta", de Pollyanna Carvalhaes

 



- Título: "Canções do Desoculta"
- Autora: Pollyanna Carvalhaes
- Editora: Chiado Books (SP)
- Ano de lançamento: 2021
- Nº. de páginas: 82


Publicado em 2021 pela Chiado Books, o livro "Canções do Desoculta", de Pollyanna Carvalhaes, reúne 82 páginas de poesia que se destacam pela combinação equilibrada entre poemas longos e curtos, todos trabalhados com um ritmo muito bem conduzido.

A autora demonstra grande competência ao tecer simbologias acessíveis, sem abrir mão da densidade poética, que nunca soa prepotente. Suas analogias são criativas e surpreendentes, fugindo do óbvio e convidando o leitor a mergulhar em novas possibilidades de sentido. Em seus poemas, ela parte de experiências individuais do eu lírico para alcançar dimensões universais, transformando situações particulares em reflexões que dialogam com o cotidiano de todos nós. Essa transição do íntimo para o coletivo é feita com leveza e astúcia, sendo reforçada pelo jogo com nuances de significado e pela sinalização gráfica que intensifica a expressividade dos poemas. Esse, aliás, é um dos aspectos mais marcantes da obra: o uso inventivo da forma, por meio da utilização de quebras de versos inesperadas e do emprego diferenciado das vírgulas, que criam cadências atraentes, prendem a atenção e tornam a leitura dinâmica.

A organização do volume é coesa e revela um planejamento cuidadoso, em que cada texto ocupa seu lugar de forma a compor um conjunto harmônico. Entre os poemas que mais se destacam estão “Insônia nua”, “Reza”, “Desenha-me uma boca”, “Um copo de corpo”, “Dormir só”, “Labirintite”, “Kamikaze”, “Lua Sangra”, “Quatro vias três segredos”, “Nó de luas nuas”, “Total” e “Carangueixa”, todos exemplos da força criativa da autora.

Portanto, "Canções do Desoculta" se apresenta como uma obra poética planejada em cada detalhe, desde a escrita até a disposição dos textos, oferecendo ao leitor uma experiência instigante e ao mesmo tempo suave. A leitura é inegavelmente agradável e demonstra uma poetisa capaz de surpreender pela originalidade e pela delicadeza com que constrói suas imagens. Para quem se aproxima do livro sem grandes expectativas, o resultado é uma grata surpresa, uma vez que a poesia de Pollyanna Carvalhaes fascina e encanta.

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

"Flor-essência", de Sofia Enderle Silva




- Título: "Flor-essência"
- Autora: Sofia Enderle Silva
- Editora: Filos (SC)
- Ano de lançamento: 2025
- Nº. de páginas: 116


Publicado em 2025 pela Filos Editora, "Flor-essência" é a estreia literária de Sofia Enderle Silva, uma autora de apenas 15 anos que já demonstra uma impressionante maturidade artística. A obra se divide em duas partes: “Poesia”, organizada cronologicamente entre os anos de 2021 e 2025, e “Prosa”, composta por cinco contos. 

Logo no início da leitura, percebe-se que Sofia não se limita à ingenuidade que se poderia esperar de uma escritora tão jovem. Pelo contrário, ela brinca com letras, fonemas, significados e formas, explorando disposições gráficas e sonoras que mexem com os sentidos e constroem uma poesia envolvente. Seus textos são profundos, nada óbvios, e muitas vezes se aproximam da prosa poética. Há ritmo, mas nem sempre rima; há sabedoria, e nunca superficialidade.  

Entre os poemas, destacam-se alguns que se tornaram meus favoritos, como: “Pássaros” (o primeiro que escreveu, aos 11 anos); “Hábito”; “Dependência”; “Diálogo”; “Ciclo”; “Nós e o tempo”; “O ouvido de Bárbara está inflamado e é minha culpa”; “Caindo”; “Eu, tu e nós”; “Entre o Céu e a Terra”; “Inércia”; “Todas as faces instrumentais de um relógio”; “Factual”; e “O homem”. Em todos eles, Sofia revela uma lucidez incomum para sua idade e para um contexto social marcado pela alienação, convidando o leitor a decifrar enigmas e jogos linguísticos que ela habilmente constrói.  

Quando se chega à seção de contos, o impacto é igualmente surpreendente, pois eles estão à altura das narrativas produzidas pelos melhores escritores do país. Surge, então, a dúvida inevitável: seria Sofia melhor poetisa ou contista? A resposta talvez seja que ela transita com igual segurança entre os dois gêneros.

A escrita de Sofia é encantadora e transformou "Flor-essência" em uma das obras poéticas mais marcantes que já li. O fascínio não reside apenas no fato de uma autora tão precoce manifestar tamanha qualidade (o que por si só já seria um atrativo), mas sobretudo na consistência de sua produção. Sua linguagem é acessível, porém, simultaneamente, instiga o leitor a pensar, a decifrar, a mergulhar nos labirintos que elabora com palavras. Por isso, discordo da afirmação de Gilnei Oleiro Corrêa que, na apresentação da obra, chamou-a de “voz promissora”. Para mim, Sofia Enderle Silva não é promessa, é realidade.

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

"A arte do guerreiro lúcido", de Octavio Caruso


- Título: "A arte do guerreiro lúcido"
- Autor: Octavio Caruso
- Editora: Jaguatirica (RJ)
- Ano de lançamento: 2017
- Nº. de páginas: 222
 
 
Em seu segundo livro, cujo título é "A arte do guerreiro lúcido", o escritor, crítico de cinema, ator, roteirista e cineasta carioca Octavio Caruso tece uma narrativa vivida por personagens, muitas vezes, nem tão fictícios, a exemplo do protagonista Antonio, alter ego literário do autor. Ele utiliza esse romance como plano de fundo para retratar o panorama brasileiro atual sob vários aspectos (político, cultural, educacional, moral).
 
Nas páginas desta obra, Caruso mescla realidade, ficção, passado, presente e futuro, explorando as possibilidades do gênero para provocar reflexões, identificar o papel do cinema na sociedade, seja no seu princípio ou agora, além de projetar a importância da sétima arte nos nossos próximos momentos históricos.
 
"A arte do guerreiro lúcido" traz, também, trechos de relevantes crônicas escritas por Octavio, assim como oferece aos leitores algumas das suas principais análises de filmes.
 
Em um trecho particularmente interessante que eu gostaria de ressaltar, o autor proporciona ainda um roteiro para introduzir o cinema na vida das crianças.
 
Por fim, concluo que esse livro mistura textos diversos (romance, crônica, crítica) de maneira muito criativa, desacomodando (ou instigando) o seu público, mostrando, sobretudo, o quanto Octavio Caruso é lúcido de verdade.

sábado, 22 de novembro de 2025

"Poeamo-me: poemas de amor e desamor próprio", de Paula Taitelbaum

"Poeamo-me" é uma das propostas poéticas mais impressionantes (e certamente a mais completa) que já tive a oportunidade de conhecer. Isso porque o kit que acompanha o livro escrito e ilustrado por Paula Taitelbaum inclui instruções para a realização de dinâmicas de grupo a partir da leitura dos poemas, assim como os materiais necessários para colocá-las em prática: uma linda "Sacola para Poeamar", um rolo de barbante vermelho, um bloco de folhas brancas e uma cola.

Lançado pela Editora Piu em 2024, "Poeamo-me: poemas de amor e desamor próprio" é uma coletânea de poemas já publicados no primeiro livro da escritora, "Eu Versos Eu", repaginados e complementados por instigantes ilustrações em vermelho. Os textos são, em sua maioria, curtos, fáceis de entender, porém criativos e provocantes, características que realmente os tornam super indicados para o trabalho com jovens.

E, como se isso fosse pouco, além do formato físico, a obra está disponível nos suportes digital e audiolivro (este de forma gratuita nas plataformas de áudio).

Portanto, "Poeamo-me" é um projeto brilhante, com poemas muito bem selecionados e planejado com carinho em todos os seus detalhes, configurando-se numa imersão poética inigualável.

domingo, 16 de novembro de 2025

"Destino leia-se sentido", de Gabriela Marcondes

Em "Destino leia-se sentido", Gabriela Marcondes apresenta uma criação literária que alia inovação e tradição, revelando-se como uma das vozes mais instigantes da literatura brasileira contemporânea. Sua produção é marcada por um jogo lúdico com a linguagem, no qual frases de outros autores são reinventadas, fragmentadas e ressignificadas, enquanto palavras são embaralhadas até darem origem a novos termos, em um gesto de brilhantismo surpreendente.

Gabriela dá um tom acessível e estimulante àquilo que poderia soar excessivamente experimental, tendo em vista que seus versos não intimidam, convidando o leitor a participar do jogo, explorando significados múltiplos a partir de vocábulos simples, trabalhados com engenho e delicadeza. 

A multiplicidade da autora (médica, poeta, artista visual e mestre em musicologia) transparece em cada página, pois sua criação é atravessada por uma sensibilidade que dialoga com diferentes áreas do conhecimento, resultando em uma escrita que é, simultaneamente, racional e sensorial.

O título já anuncia a proposta: "Destino leia-se sentido", porque, se misturarmos as letras que constituem a palavra “destino”, obteremos “sentido” — gesto que revela não apenas a busca por novos vocábulos, mas, sobretudo, de significados, prenunciando aquilo que acontece no decorrer das páginas deste livro.

Mais do que reafirmar a potência da palavra como matéria viva, a obra desafia quem a lê a repensar os caminhos da poesia atual. Pela ousadia formal e pela clareza de execução, Gabriela Marcondes se consolida como uma das escritoras mais inventivas de sua geração.

domingo, 9 de novembro de 2025

"Café & Foco", de Mauro José Santin




- Título: "Café e Foco: Crônicas Astro Lógicas"
- Autor: Mauro José Santin
- Editora: Edelbra/AEL (RS)
- Ano de lançamento: 2018
- Nº. de páginas: 248


"Café e Foco: Crônicas Astro Lógicas", de Mauro José Santin, é fruto de um percurso que começou em 2010, com o lançamento do livro "Educação para todas as vidas: um novo olhar para a vida, um rumo novo para a educação", e ganhou corpo no blog "Café e Foco", criado em 18 de janeiro de 2011. Esse espaço virtual, ainda ativo, tornou-se um repositório de reflexões em forma de versos e crônicas, que em 2018 resultaram neste livro.

A proposta já está anunciada no título: C – A – F – E, isto é, Ciência, Arte, Filosofia e Espiritualidade, com a Astrologia também presente como chave de leitura. O estilo de Mauro é único, pois seus textos não apenas transmitem ideias, mas são cuidadosamente estruturados para que a forma dos versos dialogue com o conteúdo, criando uma experiência estética e reflexiva.

Cada crônica lírica transcrita neste volume é um convite a pensar o instante vivido, seja quais forem os aspectos da vida humana abordados, sempre com um olhar atento ao tempo histórico em que foi escrita. Por isso, não é uma obra para ser lida de uma vez só; ao contrário, pede calma, digestão lenta, como um café forte que se saboreia aos poucos. Ler um texto por dia, assim, é uma maneira de respeitar o ritmo que o próprio autor defende, já que Mauro condena os excessos da pressa e da velocidade que marcam a vida contemporânea.

Um exemplo marcante é a publicação “Interdependência da Reconstrução”, de 22 de dezembro de 2015, em que o autor escreve: “A Cada Instante Sagrado, ao passar de cada dia AoBemSoado, fica mais evidente a Interdependência entre tudo e todos neste nosso Planeta super-habitado. Torna-se, assim, impossível olhar para o Planeta, que é apenas uma das muitas Moradas no Universo, sem usar o Coração como Luneta, sem perceber que é Único o Verso…”. Nesse texto, Mauro denuncia a exploração insaciável da Terra, a objetificação dos animais e até das próprias pessoas, chamando à reverência e à gratidão. Ao mesmo tempo, recorre à linguagem astrológica para propor uma transformação: Plutão, “o Grande Detetive”, paira sobre Capricórnio e nos pede “Conversão em lugar de Diversão, Justa Ação em lugar do Autoengano da Corrupção”. É um chamado à consciência, à autogestão e à mudança de postura diante da vida e do planeta.

Por conta disso, "Café e Foco: Crônicas Astro Lógicas" não é apenas uma coletânea de textos, mas um exercício de presença e de espiritualidade aplicada ao cotidiano. Mauro José Santin nos convida a olhar para o mundo com o “Coração como Luneta”, a perceber a interdependência entre tudo e todos e a mudar nossa relação com o tempo, com a Terra e conosco mesmos. É uma obra que pede calma, atenção e abertura — um café que aquece, desperta e inspira.

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

"Neve negra", de Santiago Nazarian

Em "Neve negra", Santiago Nazarian narra a história de Bruno Schwarz, um artista plástico bem-sucedido que retorna à antiga casa da família, localizada em uma pequena cidade do interior de Santa Catarina, justamente em um dia de neve atípico. Desde o início, não é apenas o clima que se mostra fora do comum, pois o local tão (re)conhecido pelo pintor está enchendo a sua cabeça de perguntas.

O romance se constrói como um verdadeiro exercício de terror psicológico, em que paranoias, alucinações e dramas concretos se entrelaçam. Nazarian mistura lenda, mistério, isolamento, solidão e crise de identidade, ao mesmo tempo em que contrapõe o sucesso e o fracasso do protagonista. O resultado é uma narrativa que alterna entre suspense, poesia, humor e surrealismo, oscilando constantemente entre presente e passado, devaneio e realidade.  

Mais uma vez, surge a figura de Thomas Schimidt, alter ego literário do autor, que interage com as suas criaturas e oferece um divertido ingrediente ao livro.

Embora não seja a narrativa mais instigante que já li, "Neve negra" se revela interessante e em nenhum momento cansativa. Ao final da leitura, permanece a dúvida essencial: seriam os acontecimentos apenas alegorias criadas por Santiago, fruto da mente perturbada de Bruno Schwarz, ou experiências efetivamente vividas pelo personagem? Essa ambiguidade é o que sustenta a força do romance, deixando no leitor a inquietação própria do melhor terror psicológico.

domingo, 2 de novembro de 2025

"A viúva Simões", de Júlia Lopes de Almeida

O romance "A viúva Simões", de Júlia Lopes de Almeida, traz como personagem principal Ernestina, mulher madura e de beleza singular, cujo marido falecera recentemente, deixando-lhe muitas posses e a filha Sara, moça peculiar e fisicamente parecida com o pai.

No decorrer da narrativa, Ernestina descobre que Luciano, por quem fora apaixonada na juventude, estava retornando ao Brasil após longa estadia na Europa. E esse reencontro provoca o ressurgimento de antigos sentimentos em ambos, assim como reabre feridas mal curadas. Mas, para dificultar uma segunda chance entre os dois, intromete-se Sara, que zela demais pela memória do pai e pelo período de luto devido pela mãe.

Pode-se afirmar, então, que a história é interessante e convida à leitura, apresentando doses certas de suspense, romance, drama e, até mesmo, de um certo terror sobrenatural. Além disso, o terço final da obra é bastante surpreendente, muito embora possa parecer, de certa forma, arrastado e forçado demais, quase apelativo.

Contudo, não há nada que desabone esse tesouro da Literatura Brasileira, publicado no final do século XIX, pois, em suma, "A viúva Simões" revela um enredo competente, planejado e estudado, que, mesmo sendo antigo, ainda proporciona um especial deleite aos seus leitores.


sábado, 25 de outubro de 2025

"É tarde para saber", de Josué Guimarães

Li "É tarde para saber" pela primeira vez na escola, ainda durante o 1º grau (atual Ensino Fundamental). Lembrava-me de que era um romance trágico e de que fora um dos poucos livros que li com satisfação naquele período.

Hoje, relendo a obra com um novo olhar, achei-a boa, mas nada fantástica. Além disso, excetuando-se o risco iminente de um novo governo fascista de extrema-direita, percebi-a bastante datada, retratando especificamente a realidade da época em todos os seus aspectos.

Para quem não sabe, esse título narra a história de Mariana, menina rica moradora de Copacabana, e Cássio, menino pobre e enigmático. Ambos mantêm um relacionamento quase secreto.

Ao longo da narrativa, Josué Guimarães dá “tapas de luva” no regime militar, que era o máximo que poderia fazer naquela conjuntura política brasileira.

Enfim, "É tarde para saber" é um livro importante para a nossa literatura, principalmente na ocasião em que foi lançado, e que hoje nos diz muito sobre um momento histórico que parte da população do país prefere ignorar ou romantizar.

domingo, 19 de outubro de 2025

"8 passos para a reconstrução da esperança", de Octavio Caruso



- Título: "8 passos para a reconstrução da esperança"

- Autor: Octavio Caruso

- Editora: Estrada de Papel (PR)

- Ano de lançamento: 2025

- Nº. de páginas: 74


No livro “8 passos para a reconstrução da esperança”, o escritor, crítico de cinema, ator, produtor, roteirista e cineasta independente Octavio Caruso compara o panorama social que se descortinava durante a sua infância com o cenário distópico tristemente observável nos dias atuais. No decorrer das páginas, o autor carioca ilustra, com fortes argumentos, como os brasileiros estão prosseguindo ladeira abaixo enquanto seres humanos de valor, estando a sua vergonhosa maioria perdida, despencando sem perder a pose e o nariz empinado.

Por outro lado, apesar de escancarar a desfavorável realidade com elogiável lucidez, Octavio busca fazer a sua parte (como já vem realizando há muito tempo, aliás, por meio de seus espetaculares trabalhos), listando os oito passos que, segundo ele, permitiriam aos poucos cidadãos fora da curva voltarem a ter alguma esperança na humanidade.

O primeiro passo, “O resgate da gentileza”, aborda a maneira de agir grosseira, vil e egocêntrica testemunhada em quase todos os indivíduos na atualidade. Para o escritor, se as pessoas voltassem a ser gentis, tivessem mais empatia e pensassem mais no bem comum, e não só em satisfazer as necessidades fúteis e instantâneas dos seus sujos umbigos, teríamos uma sociedade visivelmente melhor.

O segundo passo, “A vergonha de ser burro”, trata a respeito de um aspecto que já percebo há algum tempo como professor: os estudantes não sentem mais vergonha de terem um mau desempenho escolar. Tirar uma nota ruim, o que antes era um motivo de desespero, hoje é algo recebido com a mais completa indiferença. Então, não saber é uma situação que não incomoda mais os seres humanos. O importante, para a massa, é arranjar formas de conseguir dinheiro com pouco esforço. Só é relevante aquilo que a levar a isso.

O terceiro passo, “Conservar é amar”, discorre sobre a cada vez mais ameaçada prática do colecionismo, capítulo que mexeu muito comigo. Pois, como sempre gostei demais de música, cinema e literatura, desde criança adquiro e conservo, com o maior zelo possível, CDs, DVDs, livros e gibis. E sinto-me desesperado com a notável “ditadura” virtual. Agora, só vale aquilo que pode ser acessado pela internet, tendo em vista que é o que a maior parte dos indivíduos consome. Sendo assim, os poucos adeptos do verdadeiro apreço à arte e à cultura que ainda não desistiram das mídias físicas estão a cada dia mais angustiados com o cerco que vem se fechando. Gradativamente, está ficando mais complicado de encontrar títulos em CD, LP e DVD, sobretudo de achar aparelhos de qualidade que rodem esses discos. E, concordando com Octavio, digo: a paixão pela mídia física, pelo garimpo cultural, é proporcional ao respeito que se tem pelo autoaprimoramento intelectual.

O quarto passo, “Ilumine o caminho”, também me sensibilizou, porque tece analogias com o papel do docente, que quase sempre é exaustivo, frustrante e infrutífero, mas que, nas raras ocasiões em que o plantio dá sinal de vida, provoca sensações inigualáveis. Aqui, Caruso afirma que não se pode mudar a mentalidade de alguém, restando somente iluminar o seu caminho, torcendo para que os demais acolham a oportunidade. (Porém, convenhamos que é uma tarefa hercúlea, visto que o único trajeto luminoso valorizado pela imensa maioria é a tela dos seus smartphones – as únicas peças estimadas em suas medíocres existências, sem as quais morreriam.)

Por sua vez, os outros quatro passos sugeridos pelo autor desta valorosa obra não são menos importantes do que os supracitados e contêm uma abundante dose de joias em suas linhas. Contudo, não tecerei comentários sobre todos eles, uma vez que o presente texto deseja convidar os leitores para que tenham a mesma rica experiência que eu tive ao devorar “8 passos para a reconstrução da esperança”, e não resumir o livro inteiro, tendo em vista que isso acomodaria o público e, consequentemente, iria contra ao que Octavio Caruso sustentou neste seu lançamento.

Resta-me, assim, encerrar esta análise (bem menos aprofundada do que as brilhantemente executadas pelo escritor da obra em questão) com as minhas considerações finais. Concluo, afirmando que este foi um dos melhores livros que já li em toda a minha vasta experiência como leitor, pois não só encontrei em suas páginas, quase em sua totalidade, ideias com as quais me identifico, como também desfrutei de um título escrito com paixão, primor, verdade e as ponderações feitas por alguém que sabe realmente do que está falando. Octavio mostrou-se um sensível observador daquilo e daqueles que o cercam, assim como, há tempos, revela-se um verdadeiro protagonista da nossa sociedade, a quem devemos maior atenção. E espero, sinceramente, que isso aconteça.

terça-feira, 14 de outubro de 2025

"Olívio", de Santiago Nazarian

- Título: "Olívio"
- Autor: Santiago Nazarian
- Editora: Talento (SP)
- Ano de lançamento: 2003
- Nº. de páginas: 144


“Olívio”, de Santiago Nazarian, é um romance de escrita criativa, poética e envolvente, que prende o leitor desde as primeiras páginas. O enredo é construído com competência e ritmo, resultando em uma leitura fluida, agradável e surpreendentemente fácil de acompanhar.

O protagonista Olívio cria uma ligação imediata com o leitor. Sua trajetória é marcada por perdas, confusões e recomeços, especialmente após ser abandonado por Rosalina, sua amada. Esse rompimento o desnorteia e o lança em uma série de situações dramáticas e misteriosas, sempre permeadas por questionamentos sobre seu papel no mundo e na sociedade.

Nazarian estrutura o romance de forma engenhosa: cada capítulo leva o nome de um personagem, de acordo com a relevância que esse exerce naquele instante da vida de Olívio. Esse recurso não apenas organiza a trama, mas também reforça a ideia de que a identidade do protagonista se constrói a partir dos encontros, desencontros e repetições que surgem em sua caminhada. Os personagens se confundem, retornam em diferentes momentos e se sobrepõem em coincidências que soam estranhamente familiares, como acontece no cotidiano de qualquer um de nós.

O destino, por sua vez, não poupa Olívio, ora o golpeando com dureza, ora o surpreendendo positivamente. Essa instabilidade evidencia o caráter existencialista da obra, que convida o leitor a refletir a respeito da necessidade de “reiniciar” a própria visão de mundo (e sobre o outro) diante das inevitáveis transformações da vida.

Sendo assim, “Olívio” é, sem dúvida, um dos melhores livros que já li, porque, mais do que uma desventura bem planejada e bem dividida, é uma experiência literária que combina lirismo, reflexão e humanidade em doses certeiras. Por outro lado, sou suspeito em afirmar qualquer coisa, pois fiquei completamente encantado pela escrita de Santiago, tanto por conta do seu primor em contar a história quanto pela poesia de sua narrativa, o que faço questão de reiterar.

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

"O idioma das sombras", de Simone Bacelar

- Título: "O idioma das sombras"
- Autora: Simone Bacelar
- Editora: Cobalto (SP)
- Ano de lançamento: 2025
- Nº. de páginas: 148


Em “O idioma das sombras”, Simone Bacelar apresenta uma poesia de fôlego intenso, que se lê quase sem respirar, como se cada verso exigisse do leitor uma entrega total, sem espaço para distrações. Nada mais importa diante da força de sua escrita, que se constrói de modo brutalmente cru e, ao mesmo tempo, profundamente poético. A autora leva ao pé da letra o recurso essencial da arte poética: criar imagens, transformar sentidos, reinventar percepções. Suas analogias são únicas e fascinantes, e é justamente nelas que reside parte da originalidade de sua obra. A poética de Bacelar é simultaneamente moderna, ousada e diferente, mas não rompe com a tradição; ao contrário, dialoga com ela, respeitando-a, enquanto abre caminhos novos. O resultado é uma poesia acessível a qualquer leitor, porém suficientemente densa para provocar reflexão. Essa densidade, no entanto, não se apoia em vocabulário excludente ou em simbologias quase inacessíveis, e sim na lucidez e na consistência das ideias, gerando uma obra fora de série, verdadeiramente autêntica e estimulante. Cada palavra pode ser saboreada, e deixar um verso passar despercebido seria quase um crime. A leitura amplia positivamente a noção de como se pode fazer poesia, justamente porque foge do lugar-comum e oferece uma percepção sensível e particular das coisas, das pessoas, da sociedade, do tempo e do próprio fazer poético.

Os versos de Bacelar são incisivos, como em “um esforço jogado no ralo, / porque o ralo aceita qualquer coisa” (p. 15), ou em “um lampejo de esperança esmagado / como bituca de cigarro na calçada rachada” (p. 15), imagens que condensam a experiência humana em metáforas cotidianas, ao mesmo tempo simples e devastadoras. Em “Tem no bolso um maço de silêncio / e na alma um grito inteiro” (p. 30), a poetisa explora a tensão entre contenção e explosão, enquanto em “Ser autêntico é isso: / cuspir na cara do mundo / sem se importar / com quem limpa a sujeira depois” (p. 30) afirma uma postura de enfrentamento, que perpassa toda a obra. Há também espaço para delicadas ponderações, como em “Perdão, no chão do homem / não nasce como capim. / É lavra de quem entende / que a dor precisa ter fim” (p. 33), ou em “[…] aprendeu a desenhar / mapas de retorno sem jamais traçar rotas de fuga” (p. 34), versos que revelam maturidade e lucidez. O amor, tema recorrente, aparece despido de idealizações: “O amor não precisa ser bonito. / só precisa caber” (p. 36). Já em “Como se o ar não estivesse poluído / por pensamentos que não se dissipam” (p. 46), a escritora traduz a inquietação mental, e em “Ela lê, / não para escapar, / mas para entender por que ainda está aqui […]” (p. 53) transforma o ato da leitura em gesto existencial. A sabedoria de seus versos pode ser observada ainda em reflexões como “percebo que a paz / não é a ausência de ondas, / mas a aceitação / de que elas vêm e vão [...]” (p. 97), ou em “[…] sei que somos todos finitos, / como quem passa e já vira sombra na esquina” (p. 118), que reafirmam a consciência da transitoriedade da vida.

Entre os poemas que mais se destacam, estão “Uma dor que grita no silêncio”, “A mulher que carrega espelhos”, “Acervo”, “Sem promessas”, “Lição”, “Amanhece”, “O cotidiano respira”, “Aniversário de Jesus”, “Gratidão é coisa de dentro”, “A leitora”, “A dor que fala”, “O amor chega cambaleando”, “Felicidade”, “Cavalo selvagem”, “Estranha cidade a minha”, “Acordo com o sol nascendo”, “Alça de caixão”, “Testamento” e “Ela entra na livraria como quem invade”. Cada um deles, à sua maneira, confirma a amplitude temática e a versatilidade da autora, que transita entre o íntimo e o social, entre o efêmero e o eterno, entre a dor e a esperança.

Assim, “O idioma das sombras” não é apenas um livro de poemas, mas um convite a olhar o mundo com outros olhos — olhos que não temem a sombra e, em vez disso, encontram nela um idioma próprio, feito de lucidez, dor, amor e resistência. É por isso que, para mim, o avassalador volume em questão comprova aquilo que penso há algum tempo: a baiana Simone Bacelar é a voz mais notável da poesia brasileira contemporânea.



sexta-feira, 3 de outubro de 2025

"A senha do mundo", de Carlos Drummond de Andrade

"A senha do mundo" é um livro de poesia infantojuvenil muito bonito, cujos poemas nos transportam à infância — e, de certo modo, à própria vida — de outros tempos. Para temperar seus delicados versos drummondianos, a obra traz ilustrações originalmente publicadas nos periódicos ingleses do século XIX Chatterbox e British Workman.

É um título que sempre encontrei nas bibliotecas das escolas em que trabalho, de valor inestimável e, infelizmente, pouco lido pelos frequentadores desses preciosos locais.


domingo, 28 de setembro de 2025

"Vozes da Minh'alma", de Bárbara Seibel

Há livros que tocam a alma de maneira sutil, como um murmúrio que perdura em nossas lembranças, e há aqueles que nos marcam com identidade, com presença, com expressividade. “Vozes da minh’alma”, de Bárbara Seibel, faz ambas as coisas. Ele sussurra e grita; acolhe e provoca; convida-nos a olhar para dentro, mas também para além, para o passado e para o que há de mais essencial na existência humana.  

A poesia de Bárbara é um encontro entre memória e transcendência, entre resistência e contemplação. Seus versos, cuidadosamente construídos, carregam musicalidade, ritmo e uma profundidade que nos agarra desde a primeira página. Entre rimas bem posicionadas e estruturas poéticas marcantes, encontramos uma obra que dialoga com o íntimo e o coletivo, com o que nos molda e com o que nos transforma.

Há poemas delicados e simbólicos, que falam baixinho e revelam universos em poucas palavras. Outros são fortes e pulsantes, trazendo à tona temáticas como ancestralidade, raízes, protagonismo feminino, força interior, espiritualidade, resistência, além da relação do ser humano com a natureza e seus ensinamentos. Nos metapoemas, a própria poesia se torna reflexão, questionamento, deslindando as práticas e as motivações dessa admirável poetisa.

Muitos dos versos parecem mergulhar em histórias silenciadas, em legados que nos formam, instigando um senso profundo de pertencimento e gratidão pelos que vieram antes de nós. Há trechos que exaltam a resiliência, o renascimento e a conexão com uma força feminina universal, criando um espaço de empoderamento e autoconhecimento. Outros exploram a busca por propósito e o equilíbrio entre o humano e o divino, conduzindo o leitor por um caminho de introspecção e aprendizado.

Dentre os poemas que mais me marcaram, destaco: “Reencontro”, “Ancestrais”, “E se...”, “Poesia que me lê”, “Partida”, “A sabedoria de uma árvore”, “Mudança”, “Escrita”, “Sobre o amor”, “Alma de poeta”, “Mistério da noite”, “Tríade”, “Sinfonia do efêmero”, “Interrogação” e “Em algum lugar, existe alguém”. Cada um deles carrega um potencial próprio, seja nas indagações filosóficas, no resgate das raízes ou na entrega emocional dos versos.

Este livro não é apenas um conjunto de textos poéticos. É um convite. Ao folhear suas páginas, somos levados a uma viagem que ultrapassa tempo e espaço, guiados pelos vocábulos que Bárbara lapidou com sensibilidade e coragem. Seus poemas nos lembram de nossa conexão com o passado, enquanto apontam para o que ainda está por vir.

O impacto dessa obra reside na habilidade de equilibrar o pessoal e o universal, permitindo que cada indivíduo se enxergue em suas entrelinhas e descubra, quem sabe, um pouco mais de si mesmo.

Em “Vozes da minh’alma”, Bárbara Seibel se desnuda através de verbetes minuciosamente escolhidos, assim como nos permite encontrar algo de nós mesmos em seus versos. E esse é, sem dúvida, um dos maiores poderes da poesia.


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* O livro "Vozes da Minh'alma", escrito por Bárbara Seibel, está em pré-venda pelo link: VOZES DA MINH'ALMA. Aproveite as recompensas proporcionadas pela editora nessa etapa para obter vantagens exclusivas.




sábado, 27 de setembro de 2025

"Poemas que escolhi para as crianças", de Ruth Rocha

Nesta maravilhosa obra, a antológica Ruth Rocha (com a ajuda da filha Mariana) selecionou poemas de autores brasileiros de diferentes épocas para a apreciação das crianças (e dos adultos também, logicamente).

Os textos, organizados em blocos temáticos e brilhantemente ilustrados por nove artistas, vão desde os clássicos Casimiro de Abreu e Gonçalves Dias até os contemporâneos Arnaldo Antunes e Paulo Becker, por exemplo.

Portanto, este volume é um verdadeiro baú de tesouros. Um livro para ter e apreciar com carinho.


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Conheça a minha obra poética Contudo, em pré-venda pela Editora M.inimalismos. Para isso, acesse o link: "Contudo (sublimações)"




quinta-feira, 18 de setembro de 2025

"Ninguém pode com Nara Leão: uma biografia", de Tom Cardoso

Antes de fazer a leitura, sabia muito pouco sobre Nara Leão. Conhecia partes da sua história e tinha em CD o álbum "Garota de Ipanema", de 1985, gravado no Japão — que é, nada mais, nada menos, o primeiro registro em CD de um artista brasileiro na história.

No entanto, agora nutro uma consideração muito maior pelas figuras pública e privada de Nara Leão, uma artista sem igual e uma pessoa verdadeiramente interessante.

É isso que consegue a obra de Tom Cardoso, cuja narrativa retrata a biografia da cantora com respeito, admiração e paixão, por meio de uma escrita envolvente e coesa, que facilita a leitura e o encantamento.

Além disso, a forma esmiuçada com que o jornalista descreve a produção dos álbuns de Nara instigou-me a não só ler essa biografia, mas também escutar toda a sua discografia.

Por isso, considero esse livro fundamental tanto para aqueles que já tinham alguma noção de quem era Nara Leão quanto para quem nunca ouviu falar dessa intérprete tão especial da nossa música brasileira.


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Conheça a minha obra poética Contudo, em pré-venda pela Editora M.inimalismos. Para isso, acesse o link: "Contudo (sublimações)"




quinta-feira, 11 de setembro de 2025

"(in)", de Antônio Carlos Policer




- Título: “(in)”
- Autor: Antônio Carlos Policer 
- Editora: Autografia (RJ)
- Ano de lançamento: 2021
- Nº. de páginas: 140
 
 
Em seu brilhante livro “(in)”, o poeta Antônio Carlos Policer diz muito com o mínimo de recursos, captura a poesia nas situações mais inusitadas e lapida as palavras quando necessário. Seus versos brincam com os vocábulos, tanto com os significados quanto com os significantes. E seus poemas nascem de uma sensibilidade, de uma perspicácia, bem como de um poder de síntese realmente admiráveis.
 
Ao longo da leitura, percebe-se que tudo o que faz é cuidadosamente pensado, e nada está ali por acaso. Por outro lado, constata-se que sua poesia não é para qualquer leitor. É necessário, por exemplo, ter bons conhecimentos prévios para tirar o maior proveito de seus textos.
 
Meus poemas favoritos são: “contagem regressiva”, “poema de utilidade pública”, “dúvida linguística”, “onirismo”, “Poética”, “Persona”, “hora de acordar”, “nova antropofagia”, “auto-reverse”, “doença comercial”, “Exame”, “celibato”, “e-poem”, “A marcha”, “Carta ao administrador”, “desca(n)so geral”, “descentralização de poder público”, “Paladar”, “Labor” e “Um poema natalino”.
 
Sendo assim, posso afirmar, sem receio, que “(in)” é um dos melhores volumes poéticos que já tive a oportunidade de ler, porque é criativo, inovador, crítico, inteligente, coerente e inspirador. Poucos livros provocaram tanto impacto em mim durante a leitura. Sem sombra de dúvida, Antônio Carlos Policer tira o leitor da zona de conforto e, se este permitir, preenche a sua vida com a mais qualificada poesia brasileira contemporânea.

sábado, 6 de setembro de 2025

"Dança nas sombras", de Julie Garwood

"Dança nas Sombras", de Julie Garwood, apresenta uma narrativa que mistura elementos de suspense e romance. O livro tem início com o casamento de Dylan Buchanan com Kate MacKenna, até que um estranho, que se identifica como Professor MacKenna, traz à tona uma antiga história de rivalidade entre as duas famílias, o que deixa os convidados da cerimônia curiosos e perplexos. Jordan Buchanan, irmã de Dylan, é quem mais fica entusiasmada com o que o excêntrico professor conta e, a partir de então, sai em uma aventura em busca de uma pequena e desconhecida cidade chamada Serenity, na qual encontrará muito além de narrativas pretéritas a respeito dos dois clãs.

Apesar de momentos intrigantes, como os mistérios envolvendo o Professor MacKenna, o ataque à protagonista Jordan e os corpos encontrados no porta-malas, a superficialidade da obra limita o impacto e a empolgação que poderiam envolver um leitor mais exigente. Trata-se de uma leitura para passar o tempo, mas está bem distante de ser marcante. É, na verdade, um título com apelo puramente comercial.

quarta-feira, 27 de agosto de 2025

"Os cem melhores poemas brasileiros do século", de Italo Moriconi

Este volume é um tesouro da literatura nacional. Nele, Italo Moriconi seleciona cuidadosamente os cem melhores poemas do século XX, trazendo ao público obras-primas de grandes nomes da poesia brasileira, como: Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto, Cecília Meireles, Ferreira Gullar, Vinicius de Moraes, Adélia Prado, Mario Quintana, Manoel de Barros, Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Carlos Nejar, Henriqueta Lisboa, Paulo Leminski, Augusto de Campos, dentre outros tantos autores renomados.

Definitivamente, uma caixa de joias!

quarta-feira, 20 de agosto de 2025

"Grace", de Richard Paul Evans

"Grace" realmente foi um dos melhores e mais comoventes livros que já li. Ele nos apresenta ao adolescente Eric, integrante de uma família humilde. O menino abriga secretamente sua colega Grace, que fugiu de casa.

Aos poucos, a relação entre os dois aumenta de intensidade, e Eric descobre mais a respeito da família de Grace, inclusive sobre os motivos que a levaram a escapar daquela realidade.

Em sua obra, Richard Paul Evans nos emociona, nos mostra as condições de vida de muitas pessoas e nos enche de (des)esperança.

Portanto, "Grace" é uma história que encanta através de sua narrativa cativante, mas também nos desencanta o olhar para problemas graves que existem, embora, por vezes, optamos por desviar a nossa atenção.

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

"Música para o povo que não ouve", de Cannibal

"Música para o povo que não ouve" reúne a maior parte da obra composta por Cannibal, nome artístico de Marconi de Souza Santos, pernambucano do Alto José do Pinho, bairro recifense que Cannibal e seus companheiros na música tornaram conhecido nacionalmente.

No final dos anos 80, Cannibal formou a primeira banda de punk rock do Recife, a Devotos do Ódio, nome inspirado em um livro de José Louzeiro, que, após sofrer certo preconceito por conta da carga negativa dessa denominação, virou apenas Devotos. E são as músicas desse importante e inspirador grupo que motivaram essa publicação.

Logo no início do volume, há um brilhante e longo relato feito por Marcus ASBarr, parceiro de toda a vida dos Devotos, onde narra, de maneira competente e estimulante, a história desses músicos. Após, há um depoimento incrível do próprio Cannibal. E, para finalizar, as estrelas do show, ou seja, as letras das músicas criadas por Marconi, organizadas por álbum, o que certamente proporciona uma viagem pela trajetória da banda.

O aspecto gráfico do livro é magnífico, começando pelo formato quadrado, remetendo a um LP. Além disso, ao longo das páginas, há fotomontagens compostas por fotografias, cartazes de shows, encartes de fitas demo, recortes de matérias de jornais envolvendo a Devotos, etc. Ainda, o texto da obra utiliza a fonte das antigas máquinas de escrever, o que confere um charme especial ao volume. Por fim, artistas plásticos convidados produziram ilustrações relativas a cada álbum da banda, abrindo a seção correspondente a cada disco.

Devotos não é apenas um grupo de músicos que oferecem há décadas uma significativa contribuição para a música brasileira, mas também, a união de seres verdadeiramente humanos que, apesar de tudo, continuaram em sua comunidade e fazem o que podem, por meio de projetos por eles idealizados, para melhorar as condições de vida do povo do Alto, sobretudo das crianças, de modo a diminuir a violência, a criminalidade, a drogadição, a vulnerabilidade social.

Enfim, para mim, que sou fã da Devotos desde o lançamento do primeiro CD, o "Agora tá valendo", de 1996, "Música para o povo que não ouve" é um tesouro de valor inestimável.

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

"Devotos, 20 anos", de Hugo Montarroyos

O livro celebra duas décadas da banda Devotos, antiga Devotos do Ódio, um ícone do punk rock brasileiro. A obra é uma homenagem à trajetória e ao impacto cultural desses expoentes humanos singulares e brilhantes.

Essa biografia oferece uma narrativa envolvente sobre a origem e evolução dos Devotos, explorando as dificuldades e conquistas enfrentadas ao longo dos anos. Montarroyos se aprofunda na dinâmica entre os membros da banda, seus processos criativos e o papel crucial que desempenharam na cena musical de Pernambuco, em especial no Alto Zé do Pinho.

O título trata, também, a respeito de outras iniciativas musicais na comunidade, contemporâneas ao Devotos, como Faces do Subúrbio e Matalanamão, cujos integrantes participaram (ou participam) de projetos em comum.

Além de uma rica descrição dos álbuns, shows e turnês, ilustrada por relevantes fotografias, "Devotos, 20 anos" destaca a relação da banda com seus fãs e o legado deixado na música brasileira. É uma leitura essencial para os admiradores do grupo e para aqueles que desejam entender a influência do punk rock no cenário cultural brasileiro.

Para mim, foi uma leitura super interessante, pois sou fã desses personagens desde criança, sendo o líder dos Devotos, Cannibal, um dos compositores e personalidades que mais me influenciaram durante a vida, ao lado de Raul Seixas, Chico Science, Clemente Tadeu Nascimento e Edson "Redson" Pozzi. E, apesar de ser um volume publicado em 2010, atrasado dois anos em relação ao marco de duas décadas desse ícone do Punk Rock brasileiro, cuja fundação se deu em 1988, é carregado de informações essenciais para os admiradores do trabalho de Cannibal, Neilton e Celo.

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

"Morte ou Glória", de Michael Asher

Infelizmente, não tive a oportunidade de ler a série completa "Morte ou Glória", composta por quatro volumes. No entanto, a versão resumida que encontrei na edição da coleção "Seleções de Livros", da Reader's Digest, já conseguiu me surpreender positivamente.

A narrativa transporta os leitores para o ano de 1942, onde acompanhamos o sargento Tom Caine liderando uma tropa de resgate no deserto do Saara. Sua missão é desafiadora, pois tem de enfrentar tanto as forças alemãs comandadas por Rommel quanto a implacável paisagem e guerrilheiros locais. O objetivo de Caine é salvar a oficial Maddaleine Rose das inescrupulosas garras nazistas. Caso não consiga, deve tomar a difícil decisão de matá-la, para evitar que revele segredos cruciais e sofra torturas inimagináveis.

"Morte ou Glória" se revela uma obra-prima, entrelaçando ação, aventura, romance, drama, suspense, estratégia e fatos históricos. Cada palavra é escolhida com cuidado e inserida no seu devido lugar, resultando em uma leitura envolvente e sublime. Um verdadeiro convite para os amantes da leitura. 

quarta-feira, 30 de julho de 2025

"Onde está você agora?" (intitulado também como "Por onde você anda?"), de Mary Higgins Clark

Há dez anos, o irmão da jovem advogada Carolyn MacKenzie sumiu deliberadamente. Desde então, todos os anos, o foragido Mack liga para a família no Dia das Mães, pronunciando poucas palavras.

Ao mesmo tempo, moças têm desaparecido, e alguns dos casos são similares ao de Mack.

Carolyn, então, não deseja mais deixar o passado para trás e busca desvendar o mistério.

Nesta instigante história, Mary Higgins Clark transforma os leitores em detetives e proporciona a eles muita diversão.

Uma leitura leve e prazerosa!

sexta-feira, 18 de julho de 2025

"A angústia das pequenas coisas ridículas", de Luisa Geisler

Fiquei completamente apaixonado por este livro, por sua narrativa, tanto pelos temas que abrange quanto pela escrita de Luisa Geisler!

A protagonista da história é uma adolescente qualquer, que leva uma vida nada mirabolante. Mas tudo é contado de acordo com a peculiar visão dessa menina: seus problemas reais, suas tempestades em copo d'água; seus interesses pessoais, suas paixões; as maneiras pelas quais enxerga os outros, as coisas e as situações.

Assim, a jovem autora nascida em Canoas (RS) constrói uma obra profundamente cativante, capaz de atrair variadas faixas etárias, não só pela qualidade admirável do seu trabalho, mas também pela criatividade e perspicácia com a qual captura as influências mais banais do cotidiano, como o comportamento dos cidadãos dentro de um ônibus ou o aroma proporcionado por uma jaqueta.

É surpreendente, também, a forma que ela usa para se dirigir a cada rede social e a cada personagem, desacomodando o leitor, fazendo com que ele entenda plenamente as referências, sem citar nomes próprios ou características específicas. A título de ilustração, o YouTube é a "Rede Social dos Vídeos Longos" e a coordenadora pedagógica da escola em que a protagonista estuda é a "Coordenadora-Gafanhoto".

Por fim, confesso que fiquei encantado com o jeito sutil, porém incisivo, com o qual Luisa Geisler estimula a valorização da leitura e das bibliotecas nas páginas desta sua criação. Ela alude a grandes títulos, a notáveis escritores, destacando trechos retirados dos volumes que a protagonista lê e que fazem sentido na vida dela, estratégia que, sem sombra de dúvida, aguça a curiosidade do público acerca de alguns dos clássicos da nossa literatura.

Simplesmente perfeito!

quarta-feira, 16 de julho de 2025

"Devo tudo ao cinema: como venci o bullying com a arte", de Octavio Caruso



- Título: "Devo tudo ao cinema: como venci o bullying com a arte"
- Autor: Octavio Caruso 
- Editora: Litteris (RJ)
- Ano de lançamento: 2013
- N.º de páginas: 152

Nesta obra, Octavio Caruso conta a sua bonita história de vida, que, coincidentemente, é bastante similar à minha.

Desde criança, o autor sentia-se diferente das demais pessoas de sua idade e, ao mesmo tempo, nutria um verdadeiro fascínio pelo cinema.

Crescendo em meio à opressão dos colegas e sentindo-se sozinho, a arte foi o melhor refúgio encontrado por Octavio.

Superando todos os reveses que surgiram, Caruso conseguiu realizar os seus objetivos, sem mesmo contar com o encorajamento da família.

Para finalizar, é preciso acrescentar que, além da inspiradora trajetória narrada pelo autor, "Devo tudo ao cinema" traz aos leitores um ponto de vista muito lúcido sobre o funcionamento da sociedade, da educação e da cultura em nosso país, e levanta reflexões pertinentes acerca do bullying.

Sendo assim, o livro é altamente recomendado para apreciadores do cinema, professores, psicólogos e, também, para aqueles que gostam de conhecer exemplos de superação.

sexta-feira, 4 de julho de 2025

"Amor de Salvação", de Camilo Castelo Branco

Este clássico escrito por um dos grandes nomes da Literatura Portuguesa surpreendeu-me bastante, pois tem uma história interessante, uma narrativa tão moderna e envolvente quanto a de Machado de Assis e uma lição de vida que vale até mesmo para os dias de hoje.

Na obra, Castelo Branco nos conta a trajetória de Afonso, que, apaixonado pela belíssima Teodora e acostumado à ostentação e ao luxo, quase acaba arruinado.

Uma leitura super indicada!

domingo, 29 de junho de 2025

"O morcego e a luz: 80 anos de Batman no cinema", de Ticiano Osório

Nesta obra, o crítico de cinema gaúcho Ticiano Osório constrói um belo levantamento de todas as aparições cinematográficas do personagem Batman.

Certamente, como um apaixonado pelo super-herói desde a infância, Ticiano não consegue esconder a sua predileção por uma ou outra produção -- fato que deixa alguns leitores inquietos. Contudo, isso não desmerece esse livro tão interessante, tão gostoso de ler e tão memorável, até por conta de sua proposta.

Adorei!

quarta-feira, 18 de junho de 2025

"O Silêncio dos Inocentes", de Thomas Harris

O livro "O Silêncio dos Inocentes" consegue a façanha de ser ainda melhor do que o filme. E faz isso por meio da narrativa envolvente de Thomas Harris e da história fascinante que o autor traz à tona: corpos de moças estão sendo encontrados em diferentes locais dos EUA, todos parcialmente sem pele. Sem saber a quem recorrer, o FBI pede que a jovem agente Clarice Starling sonde informações com o psiquiatra/psicopata Hannibal Lecter, uma letal caixinha de surpresas.

A obra literária esmiúça detalhes fundamentais a respeito dos personagens, os quais, pelas limitações da linguagem cinematográfica, foram omitidos no filme, incluindo características que ajudam o público a entender melhor Clarice Starling e Jame Gumb. Apesar disso, é fato que o filme é bem fiel ao livro, realmente adequando-o ao formato. Também, é incontestável que Anthony Hopkins proporciona aos espectadores um Hannibal que transcende as páginas literárias e imortaliza-se na cultura popular.

sexta-feira, 6 de junho de 2025

"Caça-fantasmas brasileiros", de Rosa Maria Jaques e João Tocchetto

"Caça-fantasmas brasileiros" é um livro publicado em 2016. A obra narra mais de 30 experiências da autora, Rosa Jaques, uma reconhecida paranormal, e seu marido, João Tocchetto. Desde 1996, a dupla tem resolvido casos sobrenaturais por todo o Brasil, ajudando espíritos e fantasmas a encontrar a paz.

A publicação conta diversas histórias de assombrações em locais como hospitais, cadeias, cemitérios e museus. Cada capítulo apresenta um caso diferente, desde a ida ao local onde ficava a Casa de Detenção de São Paulo até a visita à residência do famoso estilista Clodovil.

O trabalho do casal é impressionante, pois Rosa Jaques não é daquelas videntes sensacionalistas. Ela age de maneira ponderada e sóbria, trazendo mais seriedade e respeito à sua prática, cujo objetivo é auxiliar vivos e mortos a entenderem e a aceitarem a vida e a morte.

O canal "Caça Fantasmas Brasil" no YouTube, que apresenta esses casos e outros tantos, é superinteressante! E o livro em questão serve como um bom roteiro para aqueles que desejam conhecer mais sobre as atividades dessa equipe fora de série.


domingo, 1 de junho de 2025

"A Vida da Morte: Jornada ao Submundo", de Bárbara Seibel

- Título: “A Vida da Morte – Jornada ao Submundo”

- Autora: B. I. Seibel

- Editora: Lunas (SP)

- Ano de lançamento: 2023

- Nº. de páginas: 194


No meio de uma noite sombria, o adolescente Daniel está em sua humilde moradia, quando estranhas criaturas surgem repentinamente, sequestram-no e o levam para o Submundo, um local proibido para os seres humanos. Blenda, o seu anjo da guarda, culpa-se por não tê-lo protegido como deveria e, por isso, recebe do Princípio a missão de trazê-lo de volta para o Intermediário. Então, após buscar o auxílio de outros fascinantes personagens para tentar concluir com sucesso essa tarefa, inicia a sua jornada ao Submundo, cujas aventuras são narradas neste primeiro volume da pretensa trilogia “A Vida da Morte”. Cabe ao(à) leitor(a) descobrir as surpresas que Blenda e os seus companheiros encontrarão em seu caminho.

Em “Jornada ao Submundo”, Seibel, por meio de uma narrativa competente e instigante, nos faz mergulhar no universo mágico por ela criado. A história não é contada seguindo aquele clássico padrão já batido, composto por “situação inicial”, “conflito”, “clímax” e “desfecho”. Até há uma “situação inicial”, embora possamos perceber que os personagens já carregam inúmeras vivências anteriores (as quais poderiam, inclusive, gerar outros ambiciosos livros), e o “conflito”, ocasionado pela captura do menino. Porém, creio que o “clímax” e o “desfecho” estão distantes de ocorrer e, com certeza, nos serão apresentados no decorrer da série. Esse é um elemento importante e diferente daquilo que é observável em títulos de fantasia abarcando vários subtítulos, como a saga “Harry Potter”, por exemplo. Porque “A Vida da Morte” envolve, provavelmente, uma só sequência de fatos, segmentada em três obras distintas, sem propor um apelo particular para cada exemplar da coleção.

Com seu estilo voltado ao estímulo do suspense, entregando cápsulas de roteiro aos poucos e alternando trechos que tratam brevemente a respeito de cada núcleo de personagens, recurso que pode ser identificado nas novelas, Bárbara desacomoda o(a) leitor(a) desatento(a). Isso não quer dizer que a autora desenvolve uma narrativa difícil, mas sim, fora do padrão, o que torna a experiência de leitura ainda mais atraente. Além disso, a utilização de um narrador onisciente nos oferece até mesmo as características mais íntimas dos seres maravilhosos participantes dessa fictícia missão, permitindo que as pessoas conheçam de verdade os protagonistas, os antagonistas e os coadjuvantes que saltam das páginas de “A Vida da Morte” para a vida de cada um de nós.

Portanto, a “Jornada ao Submundo”, formulado como um romance de aventura infantojuvenil, é capaz de agradar, como já vem acontecendo, leitores e leitoras das mais diversas faixas etárias, tendo em vista que é constituído por um enredo interessante, personagens inventivos, narrativa bem planejada e reflexões pertinentes, que podem ser alcançadas por uma leitura bem executada. Ou seja, com este volume em questão, Bárbara Seibel comprova que não é só mais uma jovem escritora, e sim, que veio para realmente somar no cenário cultural brasileiro.

sábado, 24 de maio de 2025

"Reunião de poesia", de Adélia Prado

"Reunião de poesia", de Adélia Prado, é uma coletânea que reúne 150 poemas dos livros "Bagagem" (1976), "O coração disparado" (1978), "Terra de Santa Cruz" (1981), "O pelicano" (1987), "A faca no peito" (1988), "Oráculos de maio" (1999) e "A duração do dia" (2010).

Adélia Prado escreve sobre temas do dia a dia com muita sensibilidade. Ela usa uma linguagem acessível para enaltecer a beleza nas coisas comuns. Sua poesia soa despretensiosa e displicente, mas é exatamente isso que a autora deseja: mostrar que é na simplicidade, na vida de qualquer pessoa, que mora a poesia — basta saber captá-la. Suas obras falam sobre a vida, espiritualidade e a busca por significado, sempre com um toque de melancolia e celebração da existência.

quarta-feira, 21 de maio de 2025

"Educação para todas as vidas: um novo olhar para a vida, um rumo novo para a educação", de Mauro José Santin

Em "Educação para todas as vidas", o plural Mauro José Santin intercala trechos em que narra a sua própria trajetória com reflexões a respeito de como a nossa doente e automatizada sociedade vive e, consequentemente, de como a humanidade enxerga a educação de modo a inserir esses novos seres humanos nesse mesmo mecanismo doentio e sem sentido.

Nesse contexto, o autor sugere a todos formas menos alienantes e automáticas de deixarem as suas marcas nesta existência, assim como propõe maneiras de organizar a educação, para que os indivíduos tenham mais consciência de si mesmos, do outro, de seu papel no mundo e de como realmente podem ser protagonistas ignorando as diversas "podas" socialmente estabelecidas.

De minha parte, confesso que já era um grande fã da escrita de Mauro Santin, do jeito que ele saboreia as palavras -- (re)descobrindo significados, atentando aos elementos que as compõem e encontrando a poesia sob qualquer circunstância. E, somadas a essa maneira brilhante de redigir, há ideias e ideais interessantes de verdade e diagnósticos infelizmente certeiros.

Enfim, "Educação para todas as vidas" prova ser uma obra que deleita e ensina, cujas páginas certamente ajudam a tornar seus leitores melhores.

sexta-feira, 16 de maio de 2025

"A riqueza do mundo", de Lya Luft

"A riqueza do mundo", de Lya Luft, explora temas fundamentais, como o amor, a perda, a busca pela felicidade e a complexidade das relações humanas. A escrita da autora é envolvente e intimista, permitindo ao leitor mergulhar em um universo introspectivo, que convida a pensar.

Comparando com "Múltipla escolha", obra sobre a qual já comentei há algumas postagens, é possível perceber uma evolução no estilo narrativo e na abordagem dos assuntos. Enquanto aquele já mostrava a habilidade de Luft em propor reflexões relevantes e profundas, este parece aprimorar ainda mais essa capacidade, oferecendo uma visão mais madura e elaborada das questões tratadas.

Ambos os títulos destacam-se pela forma como a escritora utiliza sua experiência de vida e seu olhar peculiar para trazer à tona aspectos existenciais, trazendo uma perspectiva abrangente e lúcida sobre o mundo ao nosso redor. "A riqueza do mundo" pode ser vista, portanto, como uma continuação natural e um aprofundamento das reflexões presentes em "Múltipla escolha".

quinta-feira, 8 de maio de 2025

"Vidas Secas", de Graciliano Ramos

Ao ler "Vidas Secas", o leitor entende por que este livro trata-se de um clássico inquestionável.

Na obra, as vidas retratadas por Graciliano são secas de intelecto, de humanidade, de dignidade. Ou seja, a terra é seca, mas as pessoas são mais.

A narrativa é completamente envolvente. O leitor vive o sofrimento junto dos personagens, que vivem como nômades em busca da esperança do verde e da limpidez da água.

E, por falar em personagens, a cachorra Baleia é uma das figuras mais emblemáticas da Literatura, pois, por meio dela, observamos a família e as suas próprias abstrações. Além disso, até a metade da leitura, temos a impressão de que a cadela é o ser mais racional do grupo. E é só depois que ela se vai que os membros do agrupamento tornam-se menos animalescos.

Para finalizar, admito que o capítulo 9, intitulado "Baleia", é uma das seções mais sublimes e comoventes que já tive a experiência de ler.

sábado, 3 de maio de 2025

"Desvelando belas mentiras", de Franciele Fátima Marques e Idanir Ecco

- Título: "Desvelando belas mentiras: alienação e ideologia nos livros didáticos"

- Autores: Franciele Fátima Marques e Idanir Ecco

- Editora: EdiFAPES (RS)

- Ano de lançamento: 2017

- Nº. de páginas: 132


O livro “Desvelando belas mentiras”, de Franciele Marques e Idanir Ecco, de modo a abordar de forma bastante completa a temática a que se propõe, traz aos leitores as noções de alienação encontradas nas obras de Hegel e Marx, bem como o conceito de ideologia elaborado por Marx e Engels, trazendo, posteriormente, esses enfoques dentro da educação. Ainda, trata de como os livros didáticos surgiram no decorrer da história da educação, e como esse processo se deu no Brasil. Em seguida, para ilustrar esses fundamentos teóricos apontados pelos autores, elenca exemplos de como a alienação e a ideologia podem ser identificadas nos livros didáticos, em aspectos como: raça, cor e gênero; família e suas possíveis estruturas; concepções de trabalho; o índio visto por um prisma preconceituoso; desigualdade social e consumo; esporte e lazer; também, acesso às novas tecnologias. Por fim, discorre a respeito das propostas de educação que seus elaboradores creem ser a mais adequada ao contexto nacional.

Esse título surpreendeu-me bastante, pois mostra que os materiais didáticos engessados vão muito além da escolha deprimente de textos, que, muitas vezes, não instigam nem os docentes à leitura, e da precariedade das explicações, que tornam o processo de ensino-aprendizagem quase impraticável. “Desvelando belas mentiras” aponta que essas publicações, completamente dissociadas da realidade vivida pela maior parte dos estudantes da rede pública de ensino, não têm nada de inocentes. Estão, sim, a serviço de uma visão de mundo elitista e segregadora, cujos meios convergem para o preconceito, o consumismo, o conformismo e ideias distorcidas de trabalho, família, alimentação e práticas esportivas, só para citar alguns exemplos.

Aqui, Franciele e Idanir afirmam que, enquanto os(as) professores(as) não tiverem a autonomia de escolher os seus materiais didáticos, atentando à realidade discente, bem como buscando promover o protagonismo e o engajamento por parte dos estudantes, a educação não funcionará de maneira eficiente, uma vez que, nesse cenário em que os educadores somente seguem uma cartilha na qual não acreditam, que não os estimula e cujos resultados já sabem de antemão serem pífios, o aprendizado não acontece satisfatoriamente; e essa responsabilidade nunca recai sobre quem deveria.

É uma publicação extremamente recomendada a todos os docentes, sejam eles da rede pública ou privada, ou de que etapa de ensino forem, tendo em vista que os prepara para analisar os livros didáticos de maneira mais crítica, tornando-os mais conscientes em relação à máquina em que estão inseridos e fornecendo-lhes argumentos para resistir a algumas metodologias impostas por quem organiza a educação em nosso país.

Para mim, inclusive, foi uma enorme honra realizar a leitura dessa obra, porque tenho Franciele Fátima Marques como a competente diretora de uma das escolas na qual leciono, pessoa que, através de sua prática e de sua humanidade, já me ensinou bastante, assim como tive Idanir Ecco como professor durante a realização da minha licenciatura em Letras, profissional que, por meio de suas palavras e de seu cativante jeito de ser, ensinou-me também demais. Muito obrigado por essas oportunidades.

sábado, 26 de abril de 2025

"A banda na garagem", de Moacyr Scliar

Este livro trata-se de uma coletânea de textos do saudoso Moacyr Scliar, um dos escritores mais talentosos que o Rio Grande do Sul e o Brasil já tiveram.

Aqui, Scliar elabora vinte e cinco crônicas ficcionais inspiradas em notícias verdadeiras, sempre de forma muito divertida, criativa e leve, como só esse autor conseguia fazer.

As minhas favoritas foram "A emoção congelada", "A barba do Papai Noel" e "A cura pelo beijo".

sexta-feira, 18 de abril de 2025

"A Hora da Estrela", de Clarice Lispector

Li pela primeira vez este livro enquanto cursava Letras — e já fora uma experiência muito impactante e significativa. Relendo agora, mais de quinze anos depois, creio que posso considerá-lo o meu livro favorito. Pois, aqui, Clarice une uma história acessível (mas também densa) e um estilo simples (porém estudado, porque soa relapso, embora seja bastante lapidado), naquilo que se pode chamar de auge criativo, de pura inspiração.

"A Hora da Estrela" possui poucas páginas, sem ser curto. Tem o tamanho necessário para deixar o leitor com a mesma fome e o mesmo anseio da protagonista Macabéa, se é que essa moça possa ser protagonista de qualquer coisa.

Em síntese, na obra, a nordestina Macabéa, paupérrima de tudo, vive desventuras na cidade do Rio de Janeiro, onde tudo e todos abusam da sua inocência, de sua falta de atrativos.

A narrativa mostra aquilo que a própria Clarice (ou Rodrigo S.M.) afirma no decorrer da história: "A vida é um soco no estômago".

E, como se isso não fosse o suficiente, lendo o posfácio redigido por Paulo Gurgel Valente, descobre-se ainda que "A Hora da Estrela" pode ser interpretada de maneiras inimagináveis. Ou seja, em menos de 100 páginas, a autora conseguiu acrescentar camadas e mais camadas de leitura, todas aproveitáveis.

Sublime, simplesmente sublime. Uma oportunidade cultural absolutamente transformadora. Quase que indescritível. Nada do que eu colocar aqui basta.

sexta-feira, 11 de abril de 2025

"Mais longa vida", de Marina Colasanti

Excelente este livro de poesia da talentosíssima Marina Colasanti! Confesso que eu nunca tinha lido nada dela que não fosse literatura infantojuvenil, embora sempre admirasse a qualidade da sua escrita. Então, para mim, seus poemas eram um enigma.

Os versos de Marina são livres, modernos, sensíveis, inspirados. A autora é daquelas que capta a poesia no cotidiano, em instantâneos. Ou seja, é uma poesia natural, espontânea.

Em seus poemas, alguns em italiano, a maioria em português, a poetisa trata sobre paisagens, relacionamentos, momentos, viagens, dentre outros temas, principalmente o meu favorito: a nossa alucinada sociedade. Os meus preferidos foram: "Nos pálidos pés" (onde Marina comenta um peculiar e triste episódio ocorrido durante a guerra); "Um longo percurso" (onde ela analisa o ser humano por meio de uma "tirada culinária"); e "Jogging" (onde Colasanti discorre a respeito do nosso tortuoso estilo de vida).

Simplesmente sublime e agradabilíssimo!

sábado, 5 de abril de 2025

"Escritos", de Mariele Zawierucka Bressan

 - Título: "Escritos"

- Autora: Mariele Zawierucka Bressan

- Editora: EdiFAPES (RS)

- Ano de lançamento: 2025

- Nº. de páginas: 56



"A poesia não é, necessariamente, métrica." (Mariele Zawierucka Bressan, na obra “Escritos”, página 48)


Na apresentação do volume em questão, Mariele erroneamente diminui sua poesia ao afirmar que, ao reler seus textos, tende a se flagelar; que, quando está sozinha, sua autoestima eleva-se, conferindo-lhe coragem (e, por conta disso, trazendo à tona seus escondidos, desencontrados e reencontrados versos); que seus poemas são uma tentativa de falar com voz humana (como se humana não fosse); que, por meio deles, expõe o ridículo que mora em suas entranhas. No entanto, ao se posicionar dessa forma, comprova que tanto a poesia quanto a humanidade estão incrustadas dentro de si.


"Escritos" é um livro constituído por poemas que fluem e dançam, com rimas naturais e ocasionais, nem um pouco forçadas. Seus versos apresentam o ritmo do eletrocardiograma que é a nossa vida — oscilante, resiliente e visceral.  


A autora faz um uso criativo e estratégico das palavras, expressando o máximo com o mínimo de elementos. Além disso, a poetisa joga xadrez com os termos que emprega, formando imagens poéticas inspiradas e lapidadas, buscando a precisão do que sente e do que quer dizer.


Por meio de sua poesia, traz beleza até aos mais temíveis transtornos e dramas humanos; e, de maneira geral, aborda temas variados e relevantes, como: o saudosismo, o estilo de vida moderno, o fazer poético, o protagonismo, o consumismo, o carnaval (e suas máscaras), as angústias individuais, as desigualdades sociais e a política.


Fazendo um à parte, chamou-me atenção a releitura criativa de Quintana e Drummond, aludindo, de maneira equilibrada e sagaz, ao positivismo de um e ao negativismo do outro.


Particularmente, em uma breve análise, meus favoritos foram os títulos "Das incertezas", "Das imperfeições", "Acreditar", "Tanta sola", "Menino do morro", "Releitura", "Cães em bando", "A tecitura", "Sobre a mudança" e "Tempo", sendo esses os que mais me impressionaram a mente e o coração.


Mariele subestima a importância da sua produção, tratando-a como mero passatempo. Mas sua excelente capacidade poética faz parar o tempo enquanto o(a) leitor(a) a degusta. Para mim, esta escritora que se lança tarde na Literatura (antes tarde do que nunca) demonstrou ser superior a muitos(as) autores(as) renomados(as).


Portanto, na minha opinião, "Escritos" é indicado para pessoas sensíveis que desejam ganhar tempo e se deleitar com a boa poesia contemporânea.

sábado, 29 de março de 2025

"Múltipla escolha", de Lya Luft

"A quem achar que sou demais romântica, ou demais pessimista, direi que nem uma coisa nem outra: escrevo sobre a morte porque desejo a vida, e sobre a dor porque acredito na possível alegria. Falo das minhas preocupações porque tenho esperança; espreito a sombra porque acredito em alguma claridade que justifique o universo. [...]" (Lya Luft, em "Múltipla escolha")

Nos ensaios publicados nesta obra, a autora retrata as armadilhas criadas pela sociedade moderna, como o incentivo ao consumismo, as diversas pressões que cada um de nós sofre e a necessidade de reconhecimento e de aprovação. Por outro lado, Lya celebra a existência e as relações humanas, o que a leva a comprovar como a vida seria melhor se pudéssemos nos livrar das ciladas que a própria humanidade elabora, já que o homem é tão racional que constrói as jaulas nas quais será preso e os instrumentos de tortura com os quais será maltratado.

E é muito difícil escaparmos desse estilo de vida frenético e doentio, uma vez que, desde que nascemos, estamos condenados a ele. Contudo, na sina de cada indivíduo, há decisões a serem tomadas, pequenas margens de ação que podemos usar para fazermos escolhas que tornem a nossa caminhada menos tortuosa. Para isso, temos de diminuir o nosso ritmo, analisar a nossa rotina, observar as pessoas ao nosso redor, estar atentos aos sinais, escutar o nosso coração e usar a nossa capacidade de raciocínio. Além disso, se preciso for, recalcular a rota, repensando o nosso trajeto, desenhando uma trajetória que nos deixe mais satisfeitos no final.

Ou seja, "Múltipla escolha" é um livro que nos faz refletir a respeito da nossa vida, dos nossos relacionamentos, das nossas interações com as demais pessoas a nossa volta, das nossas inserções na sociedade e, também, sobre os nossos princípios e valores.

sexta-feira, 14 de março de 2025

"Tubarão", de Peter Benchley

Este é o livro no qual o clássico filme de Steven Spielberg foi baseado. A produção cinematográfica é realmente marcante e imperdível. Porém, se compararmos a obra literária com a fílmica, as páginas devoram as imagens em movimento com a mesma facilidade que o tubarão estraçalha os personagens.

"Tubarão" é muito bem escrito! É envolvente, assustador e permite, sim, várias camadas de leitura.

Após lê-lo, o leitor fica tentado a afirmar que a qualidade do filme é uma afronta ao livro, pois, em suas linhas, as ações são melhor elaboradas, os personagens são mais profundos e interessantes, bem como várias abordagens e assuntos diferentes são desenvolvidos de forma competente.

Por meio da sua narrativa, Peter Benchley construiu um dos maiores tesouros da cultura mundial. Sorte de quem a aproveitar.

sábado, 8 de março de 2025

"Antologia Poética", de Florbela Espanca (Editora Penkal)

Este volume reúne a obra poética completa da autora portuguesa Florbela Espanca, incluindo os títulos: "Livro de Mágoas", "Livro de Sóror Saudade", "Charneca em Flor", "Reliquiae", "Trocando Olhares" e "O Livro d'Ele".

Nessa antologia, o leitor pode testemunhar todo o talento da poetisa lusitana, que escrevia de forma romântica e extremamente melancólica, utilizando-se de muita técnica e naturalidade. A obra revela a genuína dor da autora, cuja produção literária está registrada como uma das mais significativas da Literatura Portuguesa.

Mesmo tendo vivido pouco tempo, Florbela Espanca deixou um legado poético marcante. Sua vida foi interrompida tragicamente no dia do seu aniversário de 36 anos, quando decidiu tirar a própria vida.

sábado, 15 de fevereiro de 2025

"História do Futuro: O Horizonte do Brasil no Século XXI", de Míriam Leitão

O livro "História do Futuro", da jornalista Míriam Leitão, é muito relevante e deveria ser conhecido pelo maior número de pessoas possível.

Ele aborda o cenário brasileiro (e mundial) em seus mais diversos aspectos, revisitando o passado para entender o presente e, a partir de então, projetar o futuro.

É uma obra que proporciona inúmeros aprendizados, de leitura agradável e didática. Por conta disso, em todas as ocasiões nas quais abria esse volume para desfrutá-lo um pouco, descobria fatos interessantes e/ou desconhecidos.

Além disso, sendo uma publicação de 2015, ou seja, de uma década atrás, há várias colocações que Míriam conjectura para o futuro que já estamos conseguindo observar atualmente -- a maioria delas pessimistas, infelizmente, como o ponto de não retorno da Amazônia e o aumento de desastres naturais, como as enchentes e as secas.

Sendo assim, a leitura de "História do Futuro" é profundamente válida, seja para aprender mais sobre o Brasil e o mundo, seja para tornar-se um cidadão mais consciente.