“Vó Folhinha – Colecionadora do tempo”, escrito por Fabiano Tadeu Grazioli, é um resgate afetuoso das lembranças da infância, da avó colecionadora de calendários e do seu universo singular. Na obra, os calendários, quase agendas, marcavam de tudo: alegrias e tristezas, festejos e tragédias. Mais do que isso, eram eles que organizavam toda a rotina e a vida da família da Vó Folhinha.
Grazioli nos conta essa história em capítulos que se aproximam da crônica, estabelecendo uma relação direta entre o tempo registrado nas folhinhas e a trajetória familiar, também descrita em episódios. Tudo é narrado sob a ótica ingênua, questionadora e sincera de uma criança. Nesse contexto, o autor revela como, desde pequeno, já se mostrava seduzido pelas palavras e por suas inúmeras possibilidades.
A narrativa aborda a resiliência e a necessidade de seguir adiante, apesar das dificuldades e dos golpes que a vida e as pessoas nos impõem. É um livro que fala sobre cuidado, cortesia e a importância de cada um fazer a sua parte, demonstrando, inclusive, como, muitas vezes, as crianças têm atitudes e posturas bem mais racionais do que os adultos.
O texto traz uma linguagem poética e bastante sinestésica, muito típica da forma como nos recordamos da infância. Além do conteúdo, o livro é esteticamente lindo, pois as ilustrações de Eloar Guazzelli são extremamente significativas, complementares ao texto verbal e repletas de personalidade.
Muito bem escrito, “Vó Folhinha – Colecionadora do tempo” é classificado como literatura infantojuvenil, mas creio que a obra encantará especialmente os adultos jovens de coração, isto é, aqueles que ainda não se deixaram endurecer pela vida.



