sexta-feira, 15 de maio de 2026

"Caso Varginha - 30 anos", de Marco Petit




- Título: Caso Varginha - 30 anos
- Autor: Marco Petit
- Editora: Editora do Conhecimento (SP)
- Ano de lançamento: 2026
- N.º de páginas: 294


Há três décadas, um OVNI avariado caiu em Minas Gerais, mais especificamente na cidade de Varginha. Rapidamente, mas sem qualquer discrição, as autoridades militares agiram para "limpar" a área, buscando eliminar toda e qualquer evidência. No entanto, não conseguiram evitar que civis testemunhassem a nave espacial e os seus tripulantes pelas redondezas.

Depois de tanto tempo estudando o caso e produzindo material a respeito, Marco Petit, um dos mais importantes e respeitados ufólogos brasileiros, lança agora este verdadeiro documento, amparado nas informações mais completas e precisas sobre as ocorrências ligadas a esse evento histórico.

A obra, bela e extensa, é repleta de fotografias e anexos que dão inegável credibilidade às palavras de Petit, proporcionando uma leitura enriquecedora para o leitor de mente aberta.

Sem dúvida, quem se propõe a ler "Caso Varginha - 30 anos" terá a sua visão de mundo transformada, uma vez que passa a perceber com mais clareza a pequenez do ser humano e a frieza inescrupulosa daqueles que detêm o poder.

Portanto, recomendo este volume àqueles que desejam saber mais sobre ufologia, especialmente a que envolve aparições brasileiras. Cabe ressaltar, sobretudo, que não se trata apenas de uma especulação do século passado, mas de um momento crucial vivido em nosso país.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

"Contos de desencontros", de Mariele Zawierucka Bressan




- Título: "Contos de desencontros"
- Autora: Mariele Zawierucka Bressan
- Editora: Frutificando (RJ)
- Ano de lançamento: 2026
- N.º de páginas: 114


Este compilado de contos escritos por Mariele Bressan é cuidadosamente elaborado. Cada texto possui personalidade própria, mas também traz elementos que o ligam aos demais.

O título do volume não poderia ter sido melhor escolhido, pois seu conteúdo aborda verdadeiros desencontros verossímeis entre os personagens, como aqueles que todos nós vivenciamos na pele ou nos outros no decorrer da vida.

Esses desencontros ocorrem, por exemplo, por conta de receios e covardias, segredos e desejos, muitas vezes observados em meio a um emaranhado de coincidências.

"Contos de desencontros" ilustra como o ser humano é um eterno insatisfeito, sempre buscando algo melhor, ou alguém melhor. De forma recorrente, procuramos defeitos nas coisas e nas pessoas para poder descartá-las de uma maneira mais justificável. Mas como é difícil olharmos para o próprio umbigo!

Portanto, em tempos de relacionamentos vazios, de cancelamentos, de comportamentos bizarros e de intensa pressão, os vinte contos aqui presentes são indicados para leitores maiores, com mais experiência, não só para que desfrutem de um livro de contos exemplar, mas também para que reflitam sobre a vida — a própria, de preferência.

sábado, 25 de abril de 2026

"Treta em Paraíso Artificial", de Mateus Kupa





- Título: "Treta em Paraíso Artificial"
- Autor: Mateus Kupa
- Editora: (publicação independente)
- Ano de lançamento: 2026
- N.º de páginas: 91


Em "Treta em Paraíso Artificial", Mateus Kupa nos transporta para um paraíso de fachada, como tantos outros que podemos encontrar no Brasil. A trama acompanha o retorno de Fênix, um traficante de armas que a prefeitura tentou liquidar. Entre estratégias de vingança e conflitos sangrentos contra o governo e a polícia, o chefe da bandidagem cruza o caminho de inocentes e culpados para retomar o comando das ruas.

A obra se destaca imediatamente pelo seu tom frenético. Mateus não desperdiça palavras; ele opta por capítulos curtos que imprimem uma velocidade cinematográfica à leitura. O autor utiliza uma crítica social ácida para desmascarar as instituições, como exemplificado na descrição grotesca e brilhante do Secretário da Educação: "O secretário da educação não era um sujeito educado. Estava mais interessado em dinheiro do que comes e bebes. Se pudesse, comeria dinheiro. Moedas, cédulas, cheques. Então, após digerir e evacuar, usaria como adubo, na esperança de gerar mais dinheiro a partir da própria merda. Afinal, sempre que fazia merda com dinheiro público, gerava mais dinheiro. Dinheiro sujo." (p. 18)

Essa crueza, aliada a um humor satírico, confere ao livro uma camada de realismo cínico que faz o leitor questionar o quanto daquela ficção já transbordou para a nossa realidade cotidiana. Entretanto, o que torna a narrativa verdadeiramente inesquecível é a exploração das máscaras  e das excentricidades humanas. Kupa transita entre cenas de violência explícita e momentos de profunda análise sobre lealdade e traição, desacomodando o leitor com quebras de expectativa constantes.

Sendo assim, "Treta em Paraíso Artificial" é uma recomendação obrigatória para quem busca uma leitura rápida, porém marcante. É um prato cheio para entusiastas de ficção policial e thrillers de ação que não abrem mão de uma narrativa inteligente e provocadora. Se você aprecia autores que não têm medo de expor realidades que a maior parte da sociedade prefere ignorar, utilizando, para isso, um estilo impactante, ora brutal, ora cômico, mas sempre instigante, esse lançamento de Mateus Kupa certamente irá agradá-lo.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

"As neves do Kilimanjaro e outros contos", de Ernest Hemingway

O pequeno volume em questão conta com doze histórias escritas pelo norte-americano Ernest Hemingway. São elas: "As neves do Kilimanjaro", "Cinquenta mil", "A denúncia", "História natural dos mortos", "Véspera de batalha", "Em um outro país", "Os pistoleiros", "O lutador", "Mãe de bichona", "A capital do mundo", "Depois da tempestade" e "O velho da ponte".

Confesso que busquei este livro somente por conter a narrativa em destaque: "As neves do Kilimanjaro". A primeira vez que a li foi na época em que cursava Letras. E, desde então, mesmo após tantas leituras, nunca descobri outro título que tivesse um final tão memorável, tão esplendoroso; para mim, o melhor desfecho já escrito.

Os demais contos variam em qualidade. Uns chamaram mais a minha atenção do que outros, mas nenhum com o brilho daquele anteriormente citado.

Por isso, não sei se eu recomendaria o livro em si. Por outro lado, "As neves do Kilimanjaro" indico sempre que tenho a oportunidade.

sábado, 11 de abril de 2026

"Livro de Sonetos", de Vinicius de Moraes

Este belo volume publicado pela Companhia das Letras oferece ao leitor sonetos escritos pelo inigualável Vinicius de Moraes em diferentes fases da sua vida.

Aqui podem ser encontrados, por exemplo, os poemas "Soneto de separação", "Soneto do maior amor", "Soneto de fidelidade", "Não comerei da alface a verde pétala", "Poética", "Soneto do Corifeu", "O verbo no infinitivo", "Os quatro elementos" (composto por quatro textos), "Soneto da hora final", "Poética (II)", "O anjo das pernas tortas", "Soneto do gato morto", "Soneto a quatro mãos" (composto junto a Paulo Mendes Campos).

Os versos presentes neste livro comprovam o perfil dúbio do poeta popular e erudito, que conseguia ser ambos com maestria, atingindo momentos em que se mostrava capaz de ser insinuante sem ser vulgar, ou de ser rebuscado sem se revelar prepotente. Além disso, testemunham o quanto Vinicius foi ficando mais à vontade no decorrer dos anos, tanto para construir seus poemas de forma inovadora e surpreendente, quanto para explorar temáticas sem medo de arriscar.

Portanto, "Livro de Sonetos" é uma leitura essencial a qualquer leitor interessado na literatura nacional, pois o "Poetinha", como o chamavam os mais íntimos, foi um dos artistas mais geniais e importantes do Brasil.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

"O Grande Gatsby", de F. Scott Fitzgerald

Em "O Grande Gatsby", um jovem humilde chamado Nick Carraway narra suas experiências, em especial o que viveu ou soube sobre seu vizinho Jay Gatsby, um milionário misterioso e extravagante.

A história, à primeira vista trivial, serve apenas como plano de fundo para que Fitzgerald retrate aquilo que realmente deseja: o pensamento e o comportamento da época (década de 1920), analisando implicitamente os indivíduos e revelando do que são feitos na hora da verdade.

O enredo ganha destaque mais para o final, quando um evento desagradável provoca uma cadeia de acontecimentos, revelando o caráter de cada personagem.

Porém, a principal característica a ser destacada neste livro é o estilo de narração adotado por Fitzgerald, que soa simples, quase displicente, mas que envolve o leitor em sua atmosfera, instigando-o a prosseguir com a leitura.

sábado, 28 de março de 2026

"Aos lúcidos, caso ainda haja algum por aí...", de Octavio Caruso




Jailson Pedreira é um escritor experiente e desconhecido que resiste às modernidades e ignora os apelos de seu editor, Teobaldo, que insiste na produção de romances eróticos para alcançar o sucesso. Até que, de forma inesperada, Jailson acaba se tornando um fenômeno no YouTube por conta de um vídeo acidental. Então, surge um convite para uma entrevista em um podcast popular no país, uma oportunidade que pode mudar definitivamente sua carreira e seus princípios.

Através dessa premissa, "Aos lúcidos, caso ainda haja algum por aí..." revela-se como a obra mais leve e acessível, mas, simultaneamente, mais densa e desafiadora dentre as escritas pelo singular e plural Octavio Caruso (por isso mesmo, lançada apenas em formato digital). Aqui, o autor não só expõe as formas de controle do povo pelo Sistema, como também as exemplifica através de "realidades" bem delicadas. O certo é que a leitura abre a cabeça do leitor e o faz refletir sobre diversos e importantes assuntos. Eu, no caso, concordei com muitos de seus argumentos; em relação a outros, discordo veementemente, muito embora não possa afirmar com certeza quem esteja definitivamente certo — se é que alguém esteja.

Em suma, essa publicação de Octavio Caruso inicia como uma leitura ácida e divertida, mas, aos poucos, transforma-se em um verdadeiro desafio às certezas do leitor, exigindo dele persistência e abertura ao confronto de ideias. Esse aspecto, embora seja uma de suas maiores qualidades, também pode dificultar sua recepção no cenário atual, em que o debate tende a ser mais reativo do que reflexivo. Ainda assim, é justamente nessa provocação — no convite a questionar, ouvir e repensar — que reside a força da obra.