"A face poética da morte" é uma obra inegavelmente atraente. A curiosidade já é despertada ao nos depararmos com a capa, de uma beleza ímpar, repleta de belíssimas ilustrações em tons quentes que remetem à celebração do Día de los Muertos, no México.
É justamente essa a proposta do escritor paulista Angelo Asson neste volume: discorrer sobre as diversas faces do passamento, explorando com sensibilidade e leveza os múltiplos recursos da poesia.
De minha parte, fiquei inicialmente fascinado pelos textos introdutórios — aqui compreendidos a quarta capa, a orelha e o prefácio, intitulado "abrindo a cova". Os três demonstram a capacidade discursiva do autor e o seu potencial para envolver o leitor desde as primeiras páginas.
Os poemas, por sua vez, estão organizados em cinco interessantes seções ("o que é a vida?", "tentando entender", "desvarios", "contando as horas" e "descendo o ataúde"), todas abertas por uma brilhante quadra que funciona como introdução ao conjunto de textos.
Ao longo do livro, Asson explora a poesia por meio dos sons e dos significados, produzindo versos de notável inspiração. Sua escrita é simples e impactante, buscando comover o leitor, e não se autopromover. Em seus versos, o autor sublinha a nossa efemeridade, o caráter repentino da morte e a imprevisibilidade tanto da vida quanto da própria finitude, dimensões que escapam ao nosso controle.
O livro se encerra com um perspicaz posfácio, nomeado como "epitáfio", no qual Angelo sintetiza, de maneira bastante feliz, os principais temas desenvolvidos ao longo da obra.
Após concluir esta leitura, posso afirmar que "A face poética da morte" é um título minuciosamente planejado, que reúne uma poesia muito bem construída, capaz de conquistar os mais diversos leitores, ao mesmo tempo em que suscita pertinentes reflexões sobre um tema inerente à condição humana.
Entre todos os poemas, os meus favoritos foram: "Tralha", "Vazio", "Faça barulho!", "Doce vida", "A morte das palavras", "Espetado", "O que é a vida?", "Lágrimas", "Fim de tarde", "Preparando a gente", "As cápsulas vazias", "Quem escolhe" e "Retrato".





