Um livro atrás do outro
"Um livro atrás do outro" é um blog para quem realmente lê qualquer livro que lhe apareça na frente, sem preconceitos e compromissos. Publicarei aqui opiniões breves a respeito das obras que termino de ler, de modo a oferecer noções gerais sobre esses títulos.
quinta-feira, 2 de abril de 2026
"O Grande Gatsby", de F. Scott Fitzgerald
sábado, 28 de março de 2026
"Aos lúcidos, caso ainda haja algum por aí...", de Octavio Caruso
Jailson Pedreira é um escritor experiente e desconhecido que resiste às modernidades e ignora os apelos de seu editor, Teobaldo, que insiste na produção de romances eróticos para alcançar o sucesso. Até que, de forma inesperada, Jailson acaba se tornando um fenômeno no YouTube por conta de um vídeo acidental. Então, surge um convite para uma entrevista em um podcast popular no país, uma oportunidade que pode mudar definitivamente sua carreira e seus princípios.
Através dessa premissa, "Aos lúcidos, caso ainda haja algum por aí..." revela-se como a obra mais leve e acessível, mas, simultaneamente, mais densa e desafiadora dentre as escritas pelo singular e plural Octavio Caruso (por isso mesmo, lançada apenas em formato digital). Aqui, o autor não só expõe as formas de controle do povo pelo Sistema, como também as exemplifica através de "realidades" bem delicadas. O certo é que a leitura abre a cabeça do leitor e o faz refletir sobre diversos e importantes assuntos. Eu, no caso, concordei com muitos de seus argumentos; em relação a outros, discordo veementemente, muito embora não possa afirmar com certeza quem esteja definitivamente certo — se é que alguém esteja.
Em suma, essa publicação de Octavio Caruso inicia como uma leitura ácida e divertida, mas, aos poucos, transforma-se em um verdadeiro desafio às certezas do leitor, exigindo dele persistência e abertura ao confronto de ideias. Esse aspecto, embora seja uma de suas maiores qualidades, também pode dificultar sua recepção no cenário atual, em que o debate tende a ser mais reativo do que reflexivo. Ainda assim, é justamente nessa provocação — no convite a questionar, ouvir e repensar — que reside a força da obra.
quarta-feira, 25 de março de 2026
"Está na hora de dormir", de Pietra Seráfico
Esta obra poética da jovem escritora cristã e leitora crítica Pietra Seráfico demonstra toda a inconstância presente na vida dela durante a concepção do volume em questão. O livro começou a ganhar forma no começo da adolescência da autora, o que já renderia versos bem fortes, uma vez que essa fase provoca sentimentos, emoções e ideias potentes no âmago de qualquer indivíduo. No entanto, para completar o cenário, no decorrer desse processo, Pietra passou por depressão, crises de ansiedade, ataques de pânico e episódios de automutilação. E tudo isso está latente nestas páginas, bem como a fé e a força da família, que resgataram a poetisa de suas tormentas.
Em "Está na hora de dormir", há poemas de tamanho variado, nem sempre rimados, assim como algumas prosas poéticas. E, o que me surpreendeu, alguns poemas escritos em inglês e em espanhol que soam de maneira adorável. Aqui, encontramos versos impactantes, como: "onde meu coração está / é o meu lar", "porque fingir é mais fácil do que explicar", "mas para evoluir / é preciso batalhar", "é desgastante lutar / contra forças que você / não consegue enxergar", "pessoas morrem todos os dias / a cada segundo / quando levantam da cama / e não veem nenhuma cor".
De todos os títulos presentes no livro, os meus favoritos foram: "Sou do mundo", "Tristeza", "Mudança", "Futuro (?)", "Calling who?", "Meses amarelos", "Freedom", "Bookpower", "Ojos nuestros", "Está na hora de dormir", alguns mais ternos, outros mais pesados, mas todos dispostos a mexer com o leitor, característica fundamental na poesia.
Um dos aspectos mais interessantes é ver como esse gênero literário ajudou a autora ao longo de suas dificuldades, algo que ela mesma confessa na abertura de "Está na hora de dormir". Confesso que a escrita poética também sempre me auxiliou a organizar sentimentos, pensamentos, emoções, situações, e considero uma prática que todos deveriam tentar. Assim, certamente teríamos uma sociedade mais humana.
Além disso, percebendo como a Pietra se encontra atualmente, vejo que ela passou por uma transformação de Fênix, saindo das cinzas para brilhar cada vez mais. E o livro escancara isso, tendo em vista que se apresenta melhor a cada página virada. Porque, enquanto virava as páginas do livro que estava escrevendo, a poetisa virava, também, as páginas da sua história.
Portanto, "Está na hora de dormir" não só é uma leitura que demonstra todo o poder e a importância da poesia e da fé, mas também revela a capacidade de cada um de nós encontrarmos soluções para os nossos problemas, sejam eles quais forem.
sexta-feira, 20 de março de 2026
"Machado de Assis: do folhetim ao livro", de Ana Cláudia Suriani da Silva
Ana Cláudia Suriani da Silva presenteia os leitores com um livro profundamente interessante — mais até do que eu esperava, para falar a verdade.
A obra tem como foco principal os títulos escritos por Machado de Assis que primeiramente surgiram em folhetins, para depois serem adaptados para o romance.
E o centro desse estudo é a passagem do meu favorito pessoal "Quincas Borba" das páginas da revista internacional de moda e entretenimento "A Estação", para o formato em volume único.
Mas Ana vai muito além! Explora os significados implícitos em "Quincas Borba"; de que forma ele se relacionava com o conteúdo da revista; como se deu o processo de transição das outras obras machadianas; o contexto de publicação literária e dos folhetins no Brasil no final do século XIX; dentre outros tópicos instigantes.
Sendo assim, recomendo o título em questão para quem gosta de Machado de Assis, de Literatura Clássica, de História, pois se trata de um trabalho empolgante, minucioso e que ensina demais.
sexta-feira, 13 de março de 2026
"Melhores poemas", de Manuel Bandeira
Em "Melhores poemas", o leitor não só tem acesso aos textos em verso mais notáveis escritos por Manuel Bandeira, como também pode ler alguns dos exemplares mais salientáveis da poesia brasileira. Pois a obra de Bandeira é realmente diferenciada.
Neste volume, que apresenta o gaúcho André Seffrin como curador, os poemas são organizados de acordo com os seguintes subtítulos: "A Cinza das Horas", "Carnaval", "O Ritmo Dissoluto", "Libertinagem", "Estrela da Manhã", "Lira dos Cinquent'anos", "Belo Belo", "Opus 10", "Estrela da Tarde" e "Mafuá do Malungo".
E nos proporciona, por exemplo, os lapidados diamantes "Desencanto", "Versos Escritos N'Água", "Os Sapos", "Arlequinada", "Debussy", "A Dama Branca", "Os Sinos", "Quando perderes o gosto humilde da tristeza...", "A Estrada", "Meninos Carvoeiros", "Gesso", "Noite Morta", "Na Rua do Sabão", "Balõezinhos", "Não sei dançar", "Mulheres", "Pensão Familiar", "O Cacto", "Pneumotórax", "Poética", "Porquinho-da-índia", "Evocação do Recife", "Poema tirado de uma notícia de jornal", "Teresa", "O Major", "Andorinha", "Profundamente", "Irene no Céu", "Vou-me embora pra Pasárgada", "Poema de Finados", "O Último Poema", "Estrela da Manhã", "Poema do Beco", "Balada das três mulheres do sabonete Araxá", "A Filha do Rei", "Trem de Ferro", "Tragédia Brasileira", "Conto Cruel", "Maçã", "A Mente Absoluta", "A Estrela", "Canção do Vento e da Minha Vida", "Rondó do Capitão", "Testamento", "Velha Chácara", "A Mário de Andrade Ausente", "Neologismo", "A Realidade e a Imagem", "Céu", "O Bicho", "Nova Poética", "Arte de Amar", "Cotovia", "Tema e Variações", "Vozes na Noite", "Visita", "Noturno do Morro de Encanto", "Os Nomes", "Consoada", "Lua Nova", "Ad Instar Delphini", "Antônia", "Mascarada", "Sonho Sonhado", "Poema do mais triste maio" e "Antologia".
O livro contém, nesta ordem: uma introdução redigida por André Seffrin; os poemas selecionados de Bandeira; uma concisa biografia do autor; uma completíssima bibliografia; as referências consultadas pelo antologista; e alguns depoimentos relevantes sobre o poeta.
Impecável!
sexta-feira, 6 de março de 2026
"Biofobia", de Santiago Nazarian
André, um roqueiro decadente de meia-idade, é filho de uma escritora relativamente bem-sucedida que acaba de se suicidar. Ela morava em uma casa extravagante no meio do mato, e ele vai até lá para fazer os preparativos finais.
Contado de forma inteligente por um narrador onisciente e utilizando de modo muito eficaz o discurso indireto livre, "Biofobia" é um dos livros mais notáveis do talentoso escritor paulista Santiago Nazarian.
Durante a leitura, o leitor nunca sabe o que é acontecimento, o que é delírio ou o que é simplesmente um uso interessante de figuras de linguagem, o que proporciona uma experiência estimulante e divertida.
O título "Biofobia", por sua vez, foi planejado de maneira perspicaz, pois pode significar "medo da vida", "medo da natureza", "medo da própria vida", e isso tudo cabe na história.
Sendo assim, esse thriller de Santiago Nazarian é uma obra altamente recomendável, principalmente para quem tem alguma familiaridade com o universo alternativo e é praticamente desprovido de preconceitos.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
"A reinvenção da metáfora: as bodas de Rogério Salgado", organizado por Luiz Otávio Oliani
- Editora: Ventura (RJ)
- Ano de lançamento: 2025
- N.º de páginas: 104


