terça-feira, 28 de julho de 2026

"A face poética da morte", de Angelo Asson




- Título: “A face poética da morte”
- Autor: Angelo Asson
- Ano de lançamento: 2022
- N.º de páginas: 68


"A face poética da morte" é uma obra inegavelmente atraente. A curiosidade já é despertada ao nos depararmos com a capa, de uma beleza ímpar, repleta de belíssimas ilustrações em tons quentes que remetem à celebração do Día de los Muertos, no México.

É justamente essa a proposta do escritor paulista Angelo Asson neste volume: discorrer sobre as diversas faces do passamento, explorando com sensibilidade e leveza os múltiplos recursos da poesia.

De minha parte, fiquei inicialmente fascinado pelos textos introdutórios — aqui compreendidos a quarta capa, a orelha e o prefácio, intitulado "abrindo a cova". Os três demonstram a capacidade discursiva do autor e o seu potencial para envolver o leitor desde as primeiras páginas.

Os poemas, por sua vez, estão organizados em cinco interessantes seções ("o que é a vida?", "tentando entender", "desvarios", "contando as horas" e "descendo o ataúde"), todas abertas por uma brilhante quadra que funciona como introdução ao conjunto de textos.

Ao longo do livro, Asson explora a poesia por meio dos sons e dos significados, produzindo versos de notável inspiração. Sua escrita é simples e impactante, buscando comover o leitor, e não se autopromover. Em seus versos, o autor sublinha a nossa efemeridade, o caráter repentino da morte e a imprevisibilidade tanto da vida quanto da própria finitude, dimensões que escapam ao nosso controle.

O livro se encerra com um perspicaz posfácio, nomeado como "epitáfio", no qual Angelo sintetiza, de maneira bastante feliz, os principais temas desenvolvidos ao longo da obra.

Após concluir esta leitura, posso afirmar que "A face poética da morte" é um título minuciosamente planejado, que reúne uma poesia muito bem construída, capaz de conquistar os mais diversos leitores, ao mesmo tempo em que suscita pertinentes reflexões sobre um tema inerente à condição humana.

Entre todos os poemas, os meus favoritos foram: "Tralha", "Vazio", "Faça barulho!", "Doce vida", "A morte das palavras", "Espetado", "O que é a vida?", "Lágrimas", "Fim de tarde", "Preparando a gente", "As cápsulas vazias", "Quem escolhe" e "Retrato".




quinta-feira, 23 de julho de 2026

"A Princesinha", de Frances Hodgson Burnett

Fiquei maravilhado ao assistir ao filme "A Princesinha", dirigido por Alfonso Cuarón e lançado em 1995. Tanto que, logo em seguida, adquiri o livro no qual o filme foi baseado.

Confesso que, durante a leitura das primeiras páginas, não havia me empolgado muito com a obra, e quase a abandonei. Até por conta de alguns preconceitos nada escondidos nas linhas da narrativa, como: "[...] Eu tenho o cabelo curto, preto e olhos verdes; além do mais, sou uma criança magra e estou longe de ter a pele clara. Sou uma das crianças mais feias que ela já viu. [...]" (p. 12). Ao ser caracterizada dessa forma, fiquei imaginando também por que Sara, a personagem principal, foi interpretada por uma menina branca, de lindos e expressivos olhos azuis e de cachos dourados (um novo preconceito?).

O volume escrito por Frances Hodgson Burnett é, em si mesmo, cheio de contradições que revelam uma autora bem-intencionada, mas, por outro lado, presa a concepções de sua época hoje inaceitáveis. Ao mesmo tempo em que lamenta profundamente que crianças passem fome, valoriza a riqueza e o poder, assim como o respeito e a influência que deles decorrem, enaltecendo, ainda, minas de diamante e casacos de pele.

Além disso, o livro tem por foco a humanidade de Sara, que trata a todos igualmente; porém, ao longo da narrativa, há diversos trechos em que a autora usa estereótipos, sejam intelectuais, sejam físicos, para julgar as personagens.

No entanto, essa obra literária, apesar de seus cada vez mais perceptíveis defeitos, encanta de verdade ao contar a história de Sara Crewe, uma menina rica que se torna pobre da noite para o dia, embora continue demonstrando a mesma nobreza de caráter.

Admito que a narrativa do filme agradou-me mais do que a do livro. Por outro lado, isso não desmerece as páginas escritas por Frances, que estão repletas de trechos interessantes, como:


"— Arrisco a dizer que é bem difícil ser um rato [...]. Ninguém gosta de você. As pessoas pulam, saem correndo e gritam: 'Oh, um rato horrível!' [...] Mas ninguém perguntou a este rato se ele queria ser um rato quando foi feito. [...]" (p. 103)


"Como os animais entendem as coisas é algo que desconheço, mas é certo que eles entendem. Talvez haja uma linguagem que não seja feita de palavras e tudo no mundo a compreenda. Talvez exista uma alma dentro de tudo que consiga sempre falar com outra alma, sem emitir um som sequer. Porém, qualquer que fosse a razão, o rato soube naquele momento que estava a salvo, mesmo sendo um rato. Sabia que esta jovem humana sentada no banquinho vermelho não iria pular e aterrorizá-lo com barulhos selvagens nem atirar nele objetos pesados que, se não o esmagassem, o fariam voltar correndo e mancando para seu buraco. Ele era realmente um rato muito bom e não pretendia causar o menor dano. [...]" (p. 103-104)


Apesar de suas contradições, "A Princesinha" continua sendo uma história profundamente tocante. Talvez seja justamente por reunir virtudes e limitações tão humanas (e por enxergar dignidade até nos seres mais desprezados, como o rato Melquisedeque) que a obra siga despertando encanto e reflexão mais de um século após sua publicação.

sábado, 11 de julho de 2026

"50 Anos de Sonho e de Sangue", de Juscelino Filho e Carla Cruz

 



- Título: “50 Anos de Sonho e de Sangue”
- Autores: Juscelino Filho e Carla Cruz
- Ano de lançamento: 2026
- N.º de páginas: 287


Neste livro, os excelentes Juscelino Filho e Carla Cruz dissecam o álbum “Alucinação”, lançado pelo saudoso músico cearense Belchior, obra que completa cinquenta anos de existência em 2026.

Os autores dão início ao texto relatando as suas primeiras experiências com o artista, discorrendo sobre como e quando conheceram a sua música. A partir daí, inserem o contexto de surgimento e produção do disco. Além disso, após descreverem os pormenores dos responsáveis por essa concepção, eles abordam as principais influências do período. Logo, contextualizam o mundo do cantor naquele momento, escaneando a evolução das letras, da parte instrumental e da harmonia presentes no título homenageado.

O ponto central da leitura é o longo exame de cada canção. É feito um estudo aprofundado sobre a criação poética e sonora de todas as faixas: “Apenas um rapaz latino-americano”, “Velha roupa colorida”, “Como nossos pais”, “Sujeito de sorte”, “Como o diabo gosta”, “Alucinação”, “Não leve flores”, “A palo seco”, “Fotografia 3x4” e “Antes do fim”.

Para concluir o volume, são incluídos, ainda, diagramas que esmiúçam a estrutura dessas composições, bem como um material interativo bônus, que pode ser conferido na plataforma de vídeo YouTube.

Sendo assim, pode-se afirmar que “50 Anos de Sonho e de Sangue: Uma análise do álbum Alucinação” é um registro indicado tanto para aqueles que já apreciam o repertório de Belchior quanto para as pessoas que desejam descobrir mais a respeito dele. Há material para quem busca perspectivas mais aprofundadas, como também há conteúdo para os leitores que chegam às páginas por mera curiosidade.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

"Ensaios criativos", de Luiza Alves



- Título: “Ensaios criativos”
- Autora: Luiza Alves
- Editora: Fomento Literário (SP)
- Ano de lançamento: 2025
- N.º de páginas: 84


Este primeiro livro da psicóloga, musicista e escritora gaúcha Luiza Alves é muito instigante! Nele, a autora expõe de forma espontânea e criativa tudo o que se passa na cabeça e no coração. São pequenos poemas e prosas poéticas, cujas reflexões nos convidam a entrar na intimidade de Luiza, que nos auxilia nesse processo anexando ao livro fotografias de tudo aquilo que é importante para ela, inclusive para o seu processo de criação.

Os textos de “Ensaios criativos” provocam um impacto imediato, o que fortalece a sua capacidade de cativar os leitores. Além disso, sendo curtos, nunca são breves, pois ressoam em nossas vivências diárias. Em suas páginas, Luiza aborda inúmeros temas, como colecionismo, suportes de escrita, importância da escrita, onirismo, comportamentos sociais, sentimentos, trajetórias, escolhas, arte, perspectivas, entre outros.

Alguns dos poemas que mais me encantaram foram: “Artifícios”, “Tara por cadernos”, “Diário”, “Sonho”, “Eu me permito escrever”, “Prestatividade”, “Preserve-herança”, “Caderneta de bordo”, “A raiva em mim”, “Tempo de vida”, “Caminho incerto”, “Por onde andam as tuas flores?”, “Arranha-céu”, “Acalento”, “Só”, “Drama” e “Contar histórias”.

O livro traz questões psicológicas, cenas cotidianas e proporciona uma leitura muito envolvente. Tem um tom filosófico, assim como um tom lúdico. As fotografias entremeadas aos textos realmente enriquecem a experiência de leitura. A criatividade nas composições de Luiza é latente, e “Ensaios criativos”, embora pareça uma obra curta, é imensamente rica. Aqui, essa artista demonstra que tem tempo para contemplar, mas não tem tempo a perder.

Para finalizar, é preciso salientar que a escrita de Luiza só não é melhor do que as suas canções, que estou escutando no fone de ouvido, comovido, enquanto escrevo esta resenha.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

“Versículos para momentos difíceis (ou não)”, de Pietra Seráfico

 



“Versículos para momentos difíceis (ou não)” é um verdadeiro mimo! Publicado pela escritora e bookstan cristã Pietra Seráfico, é um livro de bolso que apresenta ao leitor salmos selecionados e organizados por temas, buscando aproximá-lo das escrituras e facilitar os seus momentos de fé em situações de aflição, ou não – como propõe o título.

Além disso, oferece às pessoas espaços para reflexões e a escrita de orações a respeito de cada salmo proposto, tornando-se, com isso, não só uma ferramenta de amparo à religiosidade, mas também de encontro com a sua crença particular, tendo em vista que incentiva os leitores a pensarem por si mesmos, a adequarem a religião às necessidades ligadas a suas próprias trajetórias.

Ou seja, num mundo tão urgente e perturbador, livros como esse da Pietra permitem que a fé faça mais sentido na vida dos indivíduos, porque auxiliam cada um de nós a compreender melhor as Escrituras, de uma forma mais cativante e acessível.


***


Guilherme Mossini Mendel: Como se deu a escolha dos salmos para a organização desta obra?

Pietra Seráfico: Os que mais falaram comigo e conversaram ao meu coração foram os escolhidos.


GMM: Depois do lançamento de “Devocional Pensamentos”, qual é a intenção com este livro?

PS: Na verdade, publicá-lo foi uma grande surpresa até para mim. Eu o fiz há muitos anos, o achei recentemente e resolvi postar!


GMM: Por que foi feita a opção por lançar um belíssimo livro de bolso?

PS: Por ser um livro muito bíblico, queria que fosse algo fácil de carregar, para que haja sempre espaço e tempo para Deus em nossas rotinas.


GMM: De que maneira você percebe que livros como os seus atuam na aproximação das pessoas com a religiosidade?

PS: Creio que a forma como me coloco como ser humano que sofre e, mesmo assim, não perde a fé me humaniza diante dos leitores, fazendo com que percebam que não precisamos da perfeição para buscar a Deus.


GMM: Como você espera que “Versículos para momentos difíceis (ou não)” sirva de incentivo para que os leitores revisitem a Bíblia?

PS: Quero que este livro seja a porta de entrada para que cada vez mais as pessoas sintam despertar em seu coração a curiosidade por Cristo e, claro, busquem conhecê-lo mais profundamente.


terça-feira, 30 de junho de 2026

"Microlândia: As aventuras dos superátomos", de Patricia Keder Sandim Reis




- Título: “Microlândia: As aventuras dos superátomos”
- Autora: Patricia Keder Sandim Reis
- Editora: Ases da Literatura (SC)
- Ano de lançamento: 2025
- N.º de páginas: 52


O que acontece quando uma competente professora de Ciências une uma habilidade inata e responsavelmente trabalhada para contar histórias ao notável domínio do conteúdo que ensina em sala de aula há anos? Surge “Microlândia: As aventuras dos superátomos”, narrativa em que os átomos Rui, Tininha e Dito juntam seus talentos para manter o equilíbrio do lugar. Juntos, eles enfrentam vilões que facilmente associamos a figuras (famosas e anônimas) do nosso cotidiano.

Nesta cativante obra literária, Patricia Keder ensina sobre os átomos de forma lúdica, mas também aborda o respeito às diferenças, a empatia, a união, a autoestima e o trabalho comunitário, valências cada vez mais essenciais em nosso mundo. Com isso, a autora demonstra ser uma profissional atenta não apenas ao conhecimento científico transmitido aos jovens, mas também à formação dos cidadãos que construirão o amanhã do nosso planeta.

Ao longo de “Microlândia: As aventuras dos superátomos”, encontramos não apenas uma narrativa convidativa e estruturada em capítulos – o que facilita a experiência para todos os públicos –, mas também ilustrações atraentes e significativas, assinadas por Tayline Cristensen.

Por fim, vale ressaltar que a edição concebida pela Editora Ases da Literatura contribui para o sucesso da proposta, entregando ao seu público principal, as crianças, um material que além de belo, é bastante durável.


* Patricia Keder Sandim Reis é licenciada em Ciências Biológicas, Química e Pedagogia, com especializações em Neurociência, Neuropsicologia e Neuropsicopedagogia.