- Editora: Ventura (RJ)
- Ano de lançamento: 2025
- N.º de páginas: 104
"Um livro atrás do outro" é um blog para quem realmente lê qualquer livro que lhe apareça na frente, sem preconceitos e compromissos. Publicarei aqui opiniões breves a respeito das obras que termino de ler, de modo a oferecer noções gerais sobre esses títulos.
Em "O Mundo de Sofia", o norueguês Jostein Gaarder nos apresenta uma adolescente que, ao receber misteriosas cartas com perguntas filosóficas, ingressa sem querer em um curso bem diferente e exclusivo.
A narrativa conduz o leitor pelos principais momentos da história da Filosofia, sempre em tom dialogado e acessível, o que torna a proposta criativa e convidativa. O autor consegue prender a atenção dos leitores com habilidade, mas em alguns trechos o ritmo se torna cansativo, especialmente quando se detém demais em certos períodos e deixa outros praticamente de lado. Suas escolhas são curiosas, já que, por exemplo, Charles Darwin e Sigmund Freud recebem grande destaque, o que faz o livro, por vezes, parecer mais uma introdução às Ciências do que à Filosofia. Ainda assim, há momentos brilhantes em que Gaarder amplia a discussão e questiona a própria natureza da vida e do universo, provocando reflexões sobre o que está por trás de tudo.
Um ponto delicado é a cena em que há uma sexualização excessiva de personagens adolescentes, causando certo estranhamento. Por outro lado, um aspecto a ser ressaltado é a abordagem que é feita, já naquela época, a respeito de temas de inegável importância atualmente, como o uso da Inteligência Artificial, a dependência tecnológica e os danos ao meio ambiente.
Apesar dessas ressalvas, trata-se de uma obra extremamente recomendável para estudantes e professores de Filosofia, tanto como ferramenta didática quanto como material de apoio, porque combina diversão, clareza e profundidade em uma narrativa que desperta a curiosidade filosófica em leitores de qualquer idade.
Este livro chegou até mim por meio de sua incrivelmente querida autora. Já fascinado com o pouco que sabia de sua trajetória, recebi dela uma incumbência direta: "Leia este livro!". Comecei pelo e-book que me disponibilizou, mas as histórias narradas em "Asas de terra e sangue" (todas reais, contadas com linguagem precisa e poética) encantaram-me tanto que precisei de uma edição física. E, pelo destino, acabei encontrando o último exemplar impresso ainda existente, um que nem a própria autora sabia que restava.
Grande parte das situações hipnóticas aqui apresentadas aconteceram na infância de Ivy. Ela mesma já havia me confidenciado em entrevista: "Por ter sido boia-fria até os vinte anos, cresci distante dos livros. Aos doze, fui trabalhar como doméstica na casa da minha professora do quarto ano primário. Foi ela quem me apresentou e me emprestou 'Reinações de Narizinho', de Monteiro Lobato." Há também episódios de sua juventude, alguns profundamente comoventes, além de fatos recentes, vividos em sua fase atual.
O livro abre espaço para rir, chorar, comover-se e enternecer-se. Qualquer leitor chegará à mesma conclusão: Ivy Menon possui uma história de vida extraordinária, digna de ocupar páginas de livros — e até de ser retratada em outros suportes, como o cinema. Sua narrativa é sensível, com uso estudado das palavras e construções frasais, conferindo às crônicas um valor literário raro. Percebe-se, ainda, a visão poética da criança, a inocência de quem enxerga o mundo de forma diferente.
Sem erro, afirmo que "Asas de terra e sangue" é um dos melhores e mais marcantes títulos que já tive a oportunidade de devorar ao longo da minha monótona existência. A forte, destemida, brilhante e profundamente humana Ivy Menon me fez um favor imenso ao recomendar sua obra. E o destino, generoso, me concedeu a gentileza de permitir esse encontro com uma pessoa tão inspiradora.
A autora francesa Anna Sam, graduada em Literatura, trabalhou durante oito anos como caixa de supermercado. Baseada nessa experiência e apropriando-se de seu perceptível talento para a escrita, bem como de sua perspicácia para ler as pessoas e o mundo, ela criou, inicialmente, um blog no qual relatava tudo aquilo que considerava mais curioso e interessante enquanto exercia sua atividade profissional. Esse conteúdo, pela relevância e sucesso, transformou-se neste livro.
Confesso que escolhi esta obra porque desejava, por esses dias, uma leitura mais leve. Mas, muito além de uma distração, encontrei em suas páginas valiosas lições sociológicas, filosóficas e psicológicas.
A escrita de Anna Sam é ácida e divertida. Ela consegue transmitir, com extrema ironia, as situações insólitas e humilhantes vividas por uma caixa, em um tom tão frenético quanto as tarefas desempenhadas por esses profissionais. Ao mesmo tempo, soube retratar, de maneira respeitosa e poética, ocasiões emocionantes, como o seu último dia exercendo a função.
Concluo, então, que Anna Sam, com este título, não só presta um serviço significativo à sociedade — ao nos instigar a realmente enxergar esses trabalhadores essenciais —, mas também demonstra uma capacidade literária inegável.
Adorei ler "As atribulações de uma caixa de supermercado"! E, sim, fui conferir, e o blog ainda existe: caissierenofutur.