terça-feira, 14 de outubro de 2025

"Olívio", de Santiago Nazarian

- Título: "Olívio"
- Autor: Santiago Nazarian
- Editora: Talento (SP)
- Ano de lançamento: 2003
- Nº. de páginas: 144


“Olívio”, de Santiago Nazarian, é um romance de escrita criativa, poética e envolvente, que prende o leitor desde as primeiras páginas. O enredo é construído com competência e ritmo, resultando em uma leitura fluida, agradável e surpreendentemente fácil de acompanhar.

O protagonista Olívio cria uma ligação imediata com o leitor. Sua trajetória é marcada por perdas, confusões e recomeços, especialmente após ser abandonado por Rosalina, sua amada. Esse rompimento o desnorteia e o lança em uma série de situações dramáticas e misteriosas, sempre permeadas por questionamentos sobre seu papel no mundo e na sociedade.

Nazarian estrutura o romance de forma engenhosa: cada capítulo leva o nome de um personagem, de acordo com a relevância que esse exerce naquele instante da vida de Olívio. Esse recurso não apenas organiza a trama, mas também reforça a ideia de que a identidade do protagonista se constrói a partir dos encontros, desencontros e repetições que surgem em sua caminhada. Os personagens se confundem, retornam em diferentes momentos e se sobrepõem em coincidências que soam estranhamente familiares, como acontece no cotidiano de qualquer um de nós.

O destino, por sua vez, não poupa Olívio, ora o golpeando com dureza, ora o surpreendendo positivamente. Essa instabilidade evidencia o caráter existencialista da obra, que convida o leitor a refletir a respeito da necessidade de “reiniciar” a própria visão de mundo (e sobre o outro) diante das inevitáveis transformações da vida.

Sendo assim, “Olívio” é, sem dúvida, um dos melhores livros que já li, porque, mais do que uma desventura bem planejada e bem dividida, é uma experiência literária que combina lirismo, reflexão e humanidade em doses certeiras. Por outro lado, sou suspeito em afirmar qualquer coisa, pois fiquei completamente encantado pela escrita de Santiago, tanto por conta do seu primor em contar a história quanto pela poesia de sua narrativa, o que faço questão de reiterar.

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