- Autora: Ivy Menon
- Editora: Patuá (SP)
- Ano de lançamento: 2024
- Nº. de páginas: 88
“Olhos de Mandrágora”, da escritora paranaense Ivy Menon, é um livro de poesia muito coeso em toda a sua concepção, desde o aspecto gráfico até a escolha e a organização dos poemas. Estes, por sua vez, são essencialmente curtos na extensão e profundamente longos na significação. Também, são similares na estrutura, assim como são coerentes na abordagem.
Em seus versos, a autora faz críticas sociais contundentes. Para isso, tece muitas analogias com aquilo que encontra na natureza. Ou, sendo mais específico, percebe-se que ela aprende com a vida selvagem e a ressignifica, emparelhando-a com aquilo que se pode testemunhar na selvageria cotidiana.
Além disso, a linguagem estudada e empregada por Ivy é densa no limite, pois, por mais exigente que seja, consegue ser acessível aos seus leitores, que, em contrapartida, precisam trazer uma bagagem cultural prévia, como um certo conhecimento sobre mitologia, por exemplo.
Particularmente, adorei os versos de “centro”, “metafísica da angústia”, “lacaniana”, “ilusão”, “fantoche” e “temerário”. Por outro lado, fiquei absurdamente entusiasmado com os poemas “engano”, “platônico”, “caça”, “prometeu” e “ecos”. Neles, encontram-se pérolas como: “cupins não dançam balé clássico” (engano), “a luz cega mais que a escuridão” (platônico), “o pecado de ontem salva o dia seguinte” (caça), “alimenta a liberdade / que lhe devora as vísceras” (prometeu) e “a cidade jamais dorme / sequer cochila” (ecos).
Ou seja, “Olhos de Mandrágora” é uma obra lírica extremamente requintada em todos os seus detalhes, cujas páginas guardam ácidos tesouros literários que ninguém imaginaria terem saído de uma pessoa tão gentil quanto Ivy Menon. Mesmo que eu já tenha tido, há alguns anos, algum contato com trabalhos seus, sempre bastante críticos e criativos, sinto, agora, que ela está cada vez mais competente na composição de suas estrofes, bem como surge mais incisiva em suas denúncias sociais e nas palavras que escolhe para fazê-las.
Portanto, este é um volume que encanta e, simultaneamente, incomoda, porque foi escrito para isso.

Excelente resenha! Despertou meu interesse pela obra da autora.
ResponderExcluirObrigadíssima!
ExcluirGratíssima, professor Guilherme!
ResponderExcluir