O volume "Insana Lucidez" oferece ao leitor uma ampla variedade de poemas. Os versos de Rodrigo Carpi Nejar, autor oriundo de uma família com tradição na literatura brasileira, caracterizam-se pelo forte simbolismo e pela riqueza de imagens. De extensões diversas, os textos recorrem às rimas quando estas contribuem para a proposta estética do poema. Em alguns momentos, o impacto é imediato; em outros, exige-se do leitor uma interpretação mais atenta. Além disso, há composições que dialogam com a poesia tradicionalista, enquanto outras chegaram a ser adaptadas para a música.
A obra divide-se em quatro partes: "Vertigens", "Patas do Firmamento", "Telas" e "Hora do Sol". Ao longo da leitura dessas seções, os poemas de que mais gostei foram: "Impresso", "Adereço", "Subterrâneos", "Soslaio", "Antes que o choro transborde", "Sobra doméstica", "Chama arredia", "Parto da febre", "Labaredas", "Armistício", "Brevidade da pedra" e "Programação".
Há passagens inegavelmente sublimes, como: "E recolheste / minhas lágrimas, / para fazer adereço." ("Adereço"); "Procuro / olhos de fogo, / para que minhas lágrimas / os suportem." ("Antes que o choro transborde"); "Careceu estancar-se no veio, / ver a fome erguer os seus seios. / E o amor transformar-se em vigília. / Era grão de farelo entre os dedos." ("Chama arredia"); "Na verdade, cansei de mim mesmo. / Eu, desperdício de verso e somatória. / Com as profecias impregnadas de musgos." ("Armistício").
Pode-se dizer, portanto, que "Insana Lucidez" é uma leitura recomendada tanto para iniciantes quanto para leitores experientes de poesia. Trata-se de uma obra que explora diferentes facetas da arte em versos, transitando entre a acessibilidade de alguns poemas e a densidade interpretativa de outros, sem perder a expressividade que caracteriza o conjunto.

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