- Título: “Vida de gado: trinta anos pastando no jornalismo”
- Autor: Tom Cardoso
- Editora: Rua do Sabão (SP)
- Ano de lançamento: 2026
- Nº. de páginas: 172
Há volumes literários que enchem seus leitores de palavras. Este, por sua vez, deixa-os sem palavras, tamanho é o deslumbramento provocado não apenas por sua qualidade, mas também pela ousadia ao expor algumas das passagens aqui contadas.
Nesta divertida e curiosa obra, o jornalista Tom Cardoso, de quem eu já havia lido a excelente biografia “Ninguém pode com Nara Leão”, narra situações sempre surpreendentes, ora pelo humor, ora pela melancolia, vividas na companhia de ilustres figuras que cruzaram sua trajetória de três décadas no jornalismo.
Nas páginas de “Vida de gado”, Tom retrata o lado menos glamouroso e, ao mesmo tempo, mais inusitado da imprensa brasileira. Ao fazê-lo, oferece ao público uma visão pitoresca de uma realidade que exige do indivíduo não apenas boa capacidade de leitura, mas também um vasto conhecimento de mundo. Isso porque não entrega nada mastigado (apesar do título), contando com a inteligência e a cultura de quem tem em mãos esse seu lançamento.
Confesso que dei várias gargalhadas ao longo destas histórias, que, entretanto, não me conquistaram apenas pela graça. A escrita de Tom é primorosa, ágil e espirituosa, capaz de provocar no leitor as mais diversas reações – façanha alcançada por poucos artistas das letras. O humor, aqui, não é mero recurso para entreter, pois, muitas vezes, serve também para revelar o absurdo, a vaidade, a precariedade e até a estafa escondidos nas situações narradas.
Entre os verbetes presentes no livro, os que mais me fascinaram foram Caetano Veloso, Lobão, Marilyn Manson, Miele, Pastor Valdemiro, Paulinho da Viola, Roberto Carlos, Wilson Simonal e Zé Celso. A diversidade desses nomes dá uma boa medida da amplitude do universo percorrido por Tom Cardoso e da riqueza de (des)encontros que uma longa carreira jornalística pode proporcionar.
No fim das contas, “Vida de gado” passa longe de ser um mero arquivo de anedotas de redação, tendo em vista que, nele, Tom Cardoso transforma suas três décadas de batente em pura literatura, provando que, com o talento certo para a observação, até mesmo os anos “pastando” na profissão podem render um livro absolutamente irresistível.

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