sexta-feira, 12 de junho de 2026

"Os ETs de Varginha", de Margarida Hallacoc





- Título: "Os ETs de Varginha"
- Autora: Margarida Hallacoc
- Editora: Literíssima (MG)
- Ano de lançamento: 2024
- N.º de páginas: 191


Para começo de conversa, comprei este livro com o objetivo de conhecer mais sobre o assunto "ETs de Varginha" (e a obra em questão já instiga pelo título, tendo em vista que, tradicionalmente, fala-se em apenas um ET de Varginha). E o volume escrito por Margarida Hallacoc me chamou a atenção justamente por ter sido concebido por uma jornalista, classe profissional que respeito demais por, quase sempre, não brincar em serviço. Almejava, então, encontrar nestas páginas mais fatos do que crenças pessoais; mais observações do que vontade de observar.

Contudo, ao começar a leitura, fiquei completamente fascinado com o que encontrei. Se, por um lado, o título "Os ETs de Varginha" fornece informações a respeito do tema central do livro, o mote deste volume, por outro, reduz a proposta do ponto de vista dos leitores desavisados. Pois a autora, sim, aborda com inegável propriedade o assunto em questão, sem enrolações, de forma objetiva e factual, englobando todos os aspectos que realmente importam em relação a ele.

No entanto, assim como afirma nos textos introdutórios, a vontade de dar vida a este projeto nasceu de uma ocasião em que ela, durante a pandemia de COVID-19, abriu seu verdadeiro baú do tesouro para mostrar às filhas o material que havia guardado desde aquela época. E ela realmente o faz, mas para todos nós, seus leitores. Hallacoc nos relembra de tudo aquilo que nos fascinou e nos entristeceu durante aquele período, proporcionando-nos uma valiosa viagem no tempo. Não apenas nos fala sobre os ETs, mas também nos oferece todo o contexto, todo o plano de fundo relativo ao acontecimento. É como se a jornalista tivesse embarcado em uma máquina do tempo, capturado a essência dos meados dos anos 90 e nos levado junto nessa viagem por meio de seu encantador texto. Além disso, confidencia-nos suas experiências pessoais, o que nos torna íntimos dessa mineira de Poço Fundo (ao menos durante a leitura da obra).

É aí que devo falar sobre a escrita de Margarida. Ainda na dedicatória, a autora coloca o seguinte: "[...] As linhas e as páginas a seguir são de um relato simples, de alguém que treinou muito para ter a escrita mais popular que há, aquela entendível pelo juiz de Direito ou pelo vendedor de cartelas de um bingo qualquer; pela professora doutora aposentada e pelo frentista do posto de gasolina." (p. 10)

E ela consegue atingir esse objetivo, sem sombra de dúvida, porque sua escrita é fluida, deliciosa, daquelas que convidam à leitura. Se Hallacoc escrever uma lista de compras para ir ao mercado, eu quero lê-la. Fiquei encantado! Essa jornalista sabe como tratar a palavra! Basta acompanhar a reflexão que compartilha conosco na página 173: "Pensei que um texto bem-feito era como um crochê ou uma peça tecida no tear, onde cada fio tinha uma função exata. Uma vez entrelaçados, naquela junção perfeita, não se podia mexer porque não havia lugar para mais nenhum fiapo. Se puxasse um fio, saía desmanchando tudo." (Trecho que anotei para repassar aos meus alunos, uma vez que, do meu ponto de vista, é uma aula de escrita.)

Sendo assim, recomendo este título para qualquer vida inteligente que existir na Terra. Leia este livro, nem que seja para ler uma boa obra. No fim, creio que os ETs vieram ao nosso planeta, em 1996, justamente a Varginha, no estado de Minas Gerais, com a intenção de constatar se realmente havia inteligência no planeta azul, pois tinham ouvido falar de Margarida Hallacoc.

terça-feira, 2 de junho de 2026

"Clarão do Luar", de Aline Bischoff



Lançado em 2024 pela Editora Perse, "Clarão do Luar", escrito pela paulista Aline Bischoff, nasce da aparente calmaria e do recolhimento das madrugadas. Como a própria autora explica, a antítese entre a noite e o luar funciona como uma metáfora para a dualidade da existência humana, equilibrando a vida e a morte, o lado consciente e o inconsciente. A partir dessa premissa, Aline entrega uma poesia com forma e conteúdo admiráveis, de execução praticamente impecável. Ela explora ao máximo os recursos poéticos com muita segurança, dominando tanto as formas curtas quanto os poemas mais longos. Em vários momentos, a musicalidade e a densidade dos versos despertaram em mim lembranças muito claras do lirismo de Álvares de Azevedo, Lord Byron e Augusto dos Anjos.

O que mais chama a atenção é como a obra consegue ampliar esse tom introspectivo para temas muito variados e bem amarrados. Há excelentes poemas românticos, reflexões sobre a fé (com referências a São Francisco de Assis e ao Bom Samaritano) e um olhar muito lúcido para as questões sociais. Textos como "À margem da cidade", "Contrastes da janela" e o fortíssimo "O cognome da fome" mostram uma autora conectada à realidade, capaz de registrar até mesmo a dura fase da COVID-19. O livro ainda é repleto de homenagens a locais consagrados (como São Paulo, Rio de Janeiro, Foz do Iguaçu) e a grandes nomes das artes (como Ferreira Gullar, Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo e Pagu). Diante de tanta variedade, meus grandes destaques de leitura foram "Noturno", "Clarão do Luar", "Soneto do amor sobre a chuva", "Náufrago das emoções", "A estação da alma", "Soneto do amor incondicional", "A luz da misericórdia e o seu poder salvador", "O cognome da fome", "Contrastes da janela", "À margem da cidade", "Sentido", "O Conflito das Vozes Interiores", "Via de mão dupla", "O vicejar da era", "Estranha habitação" (que brinca com trechos de versos famosos), "Incontroversos", "Desafios do Poeta", "Temos poemas fresquinhos!", "Escrevo poesia" e "Invocação".

A leitura atenta de "Clarão do Luar" confirma o talento e a maturidade de Aline Bischoff como poeta. Ela não apenas sente a poesia, mas sabe exatamente como estruturá-la no papel, equilibrando o peso das emoções com o rigor exigido pela escrita. É um desafio encontrar um livro que consiga ser tão diverso em seus temas sem perder a sua unidade, e ela faz isso com muita competência. A autora tem pleno domínio do ofício, construindo versos que soam naturais, sem enfeites desnecessários, mas que atingem o leitor com precisão. Recomendo muito a leitura, pois trata-se de um trabalho consistente e autêntico de alguém que domina e respeita a arte da palavra.

sábado, 30 de maio de 2026

"A Peneira do Sol", de Maria Luiza Servelin




- Título: "A Peneira do Sol"
- Autora: Maria Luiza Servelin
- Editora: IEL, Tchê! (RS)
- Ano de lançamento: 1993
- N.º de páginas: 77


Com prefácio assinado por José Eduardo Degrazia, "A Peneira do Sol" revela a força lírica e a maturidade da escritora erechinense Maria Luiza Servelin. Dividido nas seções "Sortilégio", "Exercício da pena" e "Auroras e vinho", o livro nos apresenta textos poéticos que, embora construídos sobre simbologias complexas e rimas bem arquitetadas, jamais perdem a sua acessibilidade.

A poesia de Maria Luiza é, acima de tudo, sinestésica e visual. Com imagens consistentes e uma linguagem incisiva, a autora consegue o difícil feito de conversar, ao mesmo tempo, com a rotina e a retina do leitor. Suas palavras capturam não apenas a imagem do mundo, mas o cansaço e a repetição dos dias, entregando críticas fortes que funcionam como verdadeiros diagnósticos do comportamento humano moderno.

Esse olhar aguçado (e, muitas vezes, fatalista) sobre a sociedade contemporânea transparece em poemas como "Modus Vivendi" (p. 13), onde a poetisa resume de forma cirúrgica o peso da nossa relação com o trabalho e a espera:

"Carregamos os dias / vergados / pela ansiedade / da sexta / feira."

A passagem inevitável do tempo também é abordada com brilhantismo em "Ventotempo" (p. 19), através de uma metáfora tão simples quanto cortante:

"O tempo é uma vassoura / que varre o tempo / que nos varre."

Apesar dessas constatações duras, há espaço para a delicadeza e a reflexão sobre as transformações dos afetos. Em "Construção" (p. 15), a maturidade dos sentimentos ganha uma definição memorável, que se afasta do romantismo idealizado para abraçar a realidade do convívio:

"Amor é o que se forja / e modela / fogo ardente primeiro, / depois, fogo de vela."

Para além das citações destacadas, a obra reserva outras joias poéticas que merecem atenção especial do leitor, como "Aniversários" (p. 23), "2ª" (p. 24), "Tecitura" (p. 30), "Usura" (p. 33) e "Reflexão" (p. 39).

"A Peneira do Sol" é uma obra que cumpre o que seu título sugere, tendo em vista que filtra a aspereza dos dias, retendo a essência luminosa da condição humana, sem mascarar as sombras que nos cercam. Uma leitura essencial para quem busca uma poesia visível e visionária.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

"Pensamentos ao Vento", de Adriel Ferreira



- Título: "Pensamentos ao Vento"
- Autor: Adriel Ferreira
- Editora: VGraf (RS)
- Ano de lançamento: 2026
- N.º de páginas: 54


Este primeiro volume poético de autoria do jornalista, radialista, publicitário e designer gráfico gaúcho Adriel Ferreira surpreendeu-me de forma bastante positiva, pois reúne qualidades capazes de satisfazer até mesmo os leitores mais exigentes.

O livro inicia com a presença de belos aforismos, nos quais Adriel já antecipa sua capacidade de dizer muito com poucos recursos linguísticos, como em: “O tempo é um baita ladrão da felicidade!” (p. 9).

Adiante, o poeta oferece ao público uma poesia de forte apelo humano, tendo em vista que dialoga com experiências universais da vida com grande sensibilidade e perspicácia, ilustradas, por exemplo, nos versos do poema “Resolvi”: “A vida não reserva / tempo para escolher.” e “O mundo anda muito sério / pra tantos sonhos / que tenho por viver.” (p. 15).

Há poemas românticos, como se observa em “A Saudade”: “[...] a vontade / de estar junto é maior. / É que o tempo passa, / como se não passasse o tempo.” (p. 19). E há poemas reflexivos, como “Pétalas secas”: “Do segredo em guardar / as pétalas secas, / aprendemos o quanto / um dia foram belas.” (p. 40).

Nas páginas de "Pensamentos ao Vento", o leitor encontrará textos maiores ou menores em extensão, mas sempre ricos em sensibilidade e apuro técnico, porque Adriel emprega recursos poéticos diversos com notável naturalidade.

Dentre todos os títulos pertencentes a esta sublime coletânea poética, os que mais me agradaram foram: “Resolvi”, “A Saudade”, “Pés descalços”, “Reencontro”, “Pétalas secas”, “Gosto” e “Você”.

Sendo assim, recomendo o livro em questão para todas as pessoas que apreciam poesia, pois qualquer leitor encontrará em suas páginas uma experiência de leitura significativa. No entanto, a obra também se mostra bastante indicada para aqueles que não possuem o hábito de ler textos em verso, uma vez que "Pensamentos ao Vento" é composta por poemas acessíveis, delicados e profundamente comoventes.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

"Caso Varginha - 30 anos", de Marco Petit




- Título: "Caso Varginha - 30 anos"
- Autor: Marco Petit
- Editora: Editora do Conhecimento (SP)
- Ano de lançamento: 2026
- N.º de páginas: 294


Há três décadas, um OVNI avariado caiu em Minas Gerais, mais especificamente na cidade de Varginha. Rapidamente, mas sem qualquer discrição, as autoridades militares agiram para "limpar" a área, buscando eliminar toda e qualquer evidência. No entanto, não conseguiram evitar que civis testemunhassem a nave espacial e os seus tripulantes pelas redondezas.

Depois de tanto tempo estudando o caso e produzindo material a respeito, Marco Petit, um dos mais importantes e respeitados ufólogos brasileiros, lança agora este verdadeiro documento, amparado nas informações mais completas e precisas sobre as ocorrências ligadas a esse evento histórico.

A obra, bela e extensa, é repleta de fotografias e anexos que dão inegável credibilidade às palavras de Petit, proporcionando uma leitura enriquecedora para o leitor de mente aberta.

Sem dúvida, quem se propõe a ler "Caso Varginha - 30 anos" terá a sua visão de mundo transformada, uma vez que passa a perceber com mais clareza a pequenez do ser humano e a frieza inescrupulosa daqueles que detêm o poder.

Portanto, recomendo este volume àqueles que desejam saber mais sobre ufologia, especialmente a que envolve aparições brasileiras. Cabe ressaltar, sobretudo, que não se trata apenas de uma especulação do século passado, mas de um momento crucial vivido em nosso país.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

"Contos de desencontros", de Mariele Zawierucka Bressan




- Título: "Contos de desencontros"
- Autora: Mariele Zawierucka Bressan
- Editora: Frutificando (RJ)
- Ano de lançamento: 2026
- N.º de páginas: 114


Este compilado de contos escritos por Mariele Bressan é cuidadosamente elaborado. Cada texto possui personalidade própria, mas também traz elementos que o ligam aos demais.

O título do volume não poderia ter sido melhor escolhido, pois seu conteúdo aborda verdadeiros desencontros verossímeis entre os personagens, como aqueles que todos nós vivenciamos na pele ou nos outros no decorrer da vida.

Esses desencontros ocorrem, por exemplo, por conta de receios e covardias, segredos e desejos, muitas vezes observados em meio a um emaranhado de coincidências.

"Contos de desencontros" ilustra como o ser humano é um eterno insatisfeito, sempre buscando algo melhor, ou alguém melhor. De forma recorrente, procuramos defeitos nas coisas e nas pessoas para poder descartá-las de uma maneira mais justificável. Mas como é difícil olharmos para o próprio umbigo!

Portanto, em tempos de relacionamentos vazios, de cancelamentos, de comportamentos bizarros e de intensa pressão, os vinte contos aqui presentes são indicados para leitores maiores, com mais experiência, não só para que desfrutem de um livro de contos exemplar, mas também para que reflitam sobre a vida — a própria, de preferência.

sábado, 25 de abril de 2026

"Treta em Paraíso Artificial", de Mateus Kupa





- Título: "Treta em Paraíso Artificial"
- Autor: Mateus Kupa
- Editora: (publicação independente)
- Ano de lançamento: 2026
- N.º de páginas: 91


Em "Treta em Paraíso Artificial", Mateus Kupa nos transporta para um paraíso de fachada, como tantos outros que podemos encontrar no Brasil. A trama acompanha o retorno de Fênix, um traficante de armas que a prefeitura tentou liquidar. Entre estratégias de vingança e conflitos sangrentos contra o governo e a polícia, o chefe da bandidagem cruza o caminho de inocentes e culpados para retomar o comando das ruas.

A obra se destaca imediatamente pelo seu tom frenético. Mateus não desperdiça palavras; ele opta por capítulos curtos que imprimem uma velocidade cinematográfica à leitura. O autor utiliza uma crítica social ácida para desmascarar as instituições, como exemplificado na descrição grotesca e brilhante do Secretário da Educação: "O secretário da educação não era um sujeito educado. Estava mais interessado em dinheiro do que comes e bebes. Se pudesse, comeria dinheiro. Moedas, cédulas, cheques. Então, após digerir e evacuar, usaria como adubo, na esperança de gerar mais dinheiro a partir da própria merda. Afinal, sempre que fazia merda com dinheiro público, gerava mais dinheiro. Dinheiro sujo." (p. 18)

Essa crueza, aliada a um humor satírico, confere ao livro uma camada de realismo cínico que faz o leitor questionar o quanto daquela ficção já transbordou para a nossa realidade cotidiana. Entretanto, o que torna a narrativa verdadeiramente inesquecível é a exploração das máscaras  e das excentricidades humanas. Kupa transita entre cenas de violência explícita e momentos de profunda análise sobre lealdade e traição, desacomodando o leitor com quebras de expectativa constantes.

Sendo assim, "Treta em Paraíso Artificial" é uma recomendação obrigatória para quem busca uma leitura rápida, porém marcante. É um prato cheio para entusiastas de ficção policial e thrillers de ação que não abrem mão de uma narrativa inteligente e provocadora. Se você aprecia autores que não têm medo de expor realidades que a maior parte da sociedade prefere ignorar, utilizando, para isso, um estilo impactante, ora brutal, ora cômico, mas sempre instigante, esse lançamento de Mateus Kupa certamente irá agradá-lo.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

"As neves do Kilimanjaro e outros contos", de Ernest Hemingway

O pequeno volume em questão conta com doze histórias escritas pelo norte-americano Ernest Hemingway. São elas: "As neves do Kilimanjaro", "Cinquenta mil", "A denúncia", "História natural dos mortos", "Véspera de batalha", "Em um outro país", "Os pistoleiros", "O lutador", "Mãe de bichona", "A capital do mundo", "Depois da tempestade" e "O velho da ponte".

Confesso que busquei este livro somente por conter a narrativa em destaque: "As neves do Kilimanjaro". A primeira vez que a li foi na época em que cursava Letras. E, desde então, mesmo após tantas leituras, nunca descobri outro título que tivesse um final tão memorável, tão esplendoroso; para mim, o melhor desfecho já escrito.

Os demais contos variam em qualidade. Uns chamaram mais a minha atenção do que outros, mas nenhum com o brilho daquele anteriormente citado.

Por isso, não sei se eu recomendaria o livro em si. Por outro lado, "As neves do Kilimanjaro" indico sempre que tenho a oportunidade.

sábado, 11 de abril de 2026

"Livro de Sonetos", de Vinicius de Moraes

Este belo volume publicado pela Companhia das Letras oferece ao leitor sonetos escritos pelo inigualável Vinicius de Moraes em diferentes fases da sua vida.

Aqui podem ser encontrados, por exemplo, os poemas "Soneto de separação", "Soneto do maior amor", "Soneto de fidelidade", "Não comerei da alface a verde pétala", "Poética", "Soneto do Corifeu", "O verbo no infinitivo", "Os quatro elementos" (composto por quatro textos), "Soneto da hora final", "Poética (II)", "O anjo das pernas tortas", "Soneto do gato morto", "Soneto a quatro mãos" (composto junto a Paulo Mendes Campos).

Os versos presentes neste livro comprovam o perfil dúbio do poeta popular e erudito, que conseguia ser ambos com maestria, atingindo momentos em que se mostrava capaz de ser insinuante sem ser vulgar, ou de ser rebuscado sem se revelar prepotente. Além disso, testemunham o quanto Vinicius foi ficando mais à vontade no decorrer dos anos, tanto para construir seus poemas de forma inovadora e surpreendente, quanto para explorar temáticas sem medo de arriscar.

Portanto, "Livro de Sonetos" é uma leitura essencial a qualquer leitor interessado na literatura nacional, pois o "Poetinha", como o chamavam os mais íntimos, foi um dos artistas mais geniais e importantes do Brasil.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

"O Grande Gatsby", de F. Scott Fitzgerald

Em "O Grande Gatsby", um jovem humilde chamado Nick Carraway narra suas experiências, em especial o que viveu ou soube sobre seu vizinho Jay Gatsby, um milionário misterioso e extravagante.

A história, à primeira vista trivial, serve apenas como plano de fundo para que Fitzgerald retrate aquilo que realmente deseja: o pensamento e o comportamento da época (década de 1920), analisando implicitamente os indivíduos e revelando do que são feitos na hora da verdade.

O enredo ganha destaque mais para o final, quando um evento desagradável provoca uma cadeia de acontecimentos, revelando o caráter de cada personagem.

Porém, a principal característica a ser destacada neste livro é o estilo de narração adotado por Fitzgerald, que soa simples, quase displicente, mas que envolve o leitor em sua atmosfera, instigando-o a prosseguir com a leitura.

sábado, 28 de março de 2026

"Aos lúcidos, caso ainda haja algum por aí...", de Octavio Caruso




Jailson Pedreira é um escritor experiente e desconhecido que resiste às modernidades e ignora os apelos de seu editor, Teobaldo, que insiste na produção de romances eróticos para alcançar o sucesso. Até que, de forma inesperada, Jailson acaba se tornando um fenômeno no YouTube por conta de um vídeo acidental. Então, surge um convite para uma entrevista em um podcast popular no país, uma oportunidade que pode mudar definitivamente sua carreira e seus princípios.

Através dessa premissa, "Aos lúcidos, caso ainda haja algum por aí..." revela-se como a obra mais leve e acessível, mas, simultaneamente, mais densa e desafiadora dentre as escritas pelo singular e plural Octavio Caruso (por isso mesmo, lançada apenas em formato digital). Aqui, o autor não só expõe as formas de controle do povo pelo Sistema, como também as exemplifica através de "realidades" bem delicadas. O certo é que a leitura abre a cabeça do leitor e o faz refletir sobre diversos e importantes assuntos. Eu, no caso, concordei com muitos de seus argumentos; em relação a outros, discordo veementemente, muito embora não possa afirmar com certeza quem esteja definitivamente certo — se é que alguém esteja.

Em suma, essa publicação de Octavio Caruso inicia como uma leitura ácida e divertida, mas, aos poucos, transforma-se em um verdadeiro desafio às certezas do leitor, exigindo dele persistência e abertura ao confronto de ideias. Esse aspecto, embora seja uma de suas maiores qualidades, também pode dificultar sua recepção no cenário atual, em que o debate tende a ser mais reativo do que reflexivo. Ainda assim, é justamente nessa provocação — no convite a questionar, ouvir e repensar — que reside a força da obra.

quarta-feira, 25 de março de 2026

"Está na hora de dormir", de Pietra Seráfico



- Título: "Está na hora de dormir"
- Autora: Pietra Seráfico
- Editora: Viseu (PR)
- Ano de lançamento: 2024
- N.º de páginas: 74


Esta obra poética da jovem escritora cristã e leitora crítica Pietra Seráfico demonstra toda a inconstância presente na vida dela durante a concepção do volume em questão. O livro começou a ganhar forma no começo da adolescência da autora, o que já renderia versos bem fortes, uma vez que essa fase provoca sentimentos, emoções e ideias potentes no âmago de qualquer indivíduo. No entanto, para completar o cenário, no decorrer desse processo, Pietra passou por depressão, crises de ansiedade, ataques de pânico e episódios de automutilação. E tudo isso está latente nestas páginas, bem como a fé e a força da família, que resgataram a poetisa de suas tormentas.

Em "Está na hora de dormir", há poemas de tamanho variado, nem sempre rimados, assim como algumas prosas poéticas. E, o que me surpreendeu, alguns poemas escritos em inglês e em espanhol que soam de maneira adorável. Aqui, encontramos versos impactantes, como: "onde meu coração está / é o meu lar", "porque fingir é mais fácil do que explicar", "mas para evoluir / é preciso batalhar", "é desgastante lutar / contra forças que você / não consegue enxergar", "pessoas morrem todos os dias / a cada segundo / quando levantam da cama / e não veem nenhuma cor".

De todos os títulos presentes no livro, os meus favoritos foram: "Sou do mundo", "Tristeza", "Mudança", "Futuro (?)", "Calling who?", "Meses amarelos", "Freedom", "Bookpower", "Ojos nuestros", "Está na hora de dormir", alguns mais ternos, outros mais pesados, mas todos dispostos a mexer com o leitor, característica fundamental na poesia.

Um dos aspectos mais interessantes é ver como esse gênero literário ajudou a autora ao longo de suas dificuldades, algo que ela mesma confessa na abertura de "Está na hora de dormir". Confesso que a escrita poética também sempre me auxiliou a organizar sentimentos, pensamentos, emoções, situações, e considero uma prática que todos deveriam tentar. Assim, certamente teríamos uma sociedade mais humana.

Além disso, percebendo como a Pietra se encontra atualmente, vejo que ela passou por uma transformação de Fênix, saindo das cinzas para brilhar cada vez mais. E o livro escancara isso, tendo em vista que se apresenta melhor a cada página virada. Porque, enquanto virava as páginas do livro que estava escrevendo, a poetisa virava, também, as páginas da sua história.

Portanto, "Está na hora de dormir" não só é uma leitura que demonstra todo o poder e a importância da poesia e da fé, mas também revela a capacidade de cada um de nós encontrarmos soluções para os nossos problemas, sejam eles quais forem.

sexta-feira, 20 de março de 2026

"Machado de Assis: do folhetim ao livro", de Ana Cláudia Suriani da Silva

Ana Cláudia Suriani da Silva presenteia os leitores com um livro profundamente interessante — mais até do que eu esperava, para falar a verdade.

A obra tem como foco principal os títulos escritos por Machado de Assis que primeiramente surgiram em folhetins, para depois serem adaptados para o romance.

E o centro desse estudo é a passagem do meu favorito pessoal "Quincas Borba" das páginas da revista internacional de moda e entretenimento "A Estação", para o formato em volume único.

Mas Ana vai muito além! Explora os significados implícitos em "Quincas Borba"; de que forma ele se relacionava com o conteúdo da revista; como se deu o processo de transição das outras obras machadianas; o contexto de publicação literária e dos folhetins no Brasil no final do século XIX; dentre outros tópicos instigantes.

Sendo assim, recomendo o título em questão para quem gosta de Machado de Assis, de Literatura Clássica, de História, pois se trata de um trabalho empolgante, minucioso e que ensina demais.

sexta-feira, 13 de março de 2026

"Melhores poemas", de Manuel Bandeira

Em "Melhores poemas", o leitor não só tem acesso aos textos em verso mais notáveis escritos por Manuel Bandeira, como também pode ler alguns dos exemplares mais salientáveis da poesia brasileira. Pois a obra de Bandeira é realmente diferenciada.

Neste volume, que apresenta o gaúcho André Seffrin como curador, os poemas são organizados de acordo com os seguintes subtítulos: "A Cinza das Horas", "Carnaval", "O Ritmo Dissoluto", "Libertinagem", "Estrela da Manhã", "Lira dos Cinquent'anos", "Belo Belo", "Opus 10", "Estrela da Tarde" e "Mafuá do Malungo".

E nos proporciona, por exemplo, os lapidados diamantes "Desencanto", "Versos Escritos N'Água", "Os Sapos", "Arlequinada", "Debussy", "A Dama Branca", "Os Sinos", "Quando perderes o gosto humilde da tristeza...", "A Estrada", "Meninos Carvoeiros", "Gesso", "Noite Morta", "Na Rua do Sabão", "Balõezinhos", "Não sei dançar", "Mulheres", "Pensão Familiar", "O Cacto", "Pneumotórax", "Poética", "Porquinho-da-índia", "Evocação do Recife", "Poema tirado de uma notícia de jornal", "Teresa", "O Major", "Andorinha", "Profundamente", "Irene no Céu", "Vou-me embora pra Pasárgada", "Poema de Finados", "O Último Poema", "Estrela da Manhã", "Poema do Beco", "Balada das três mulheres do sabonete Araxá", "A Filha do Rei", "Trem de Ferro", "Tragédia Brasileira", "Conto Cruel", "Maçã", "A Mente Absoluta", "A Estrela", "Canção do Vento e da Minha Vida", "Rondó do Capitão", "Testamento", "Velha Chácara", "A Mário de Andrade Ausente", "Neologismo", "A Realidade e a Imagem", "Céu", "O Bicho", "Nova Poética", "Arte de Amar", "Cotovia", "Tema e Variações", "Vozes na Noite", "Visita", "Noturno do Morro de Encanto", "Os Nomes", "Consoada", "Lua Nova", "Ad Instar Delphini", "Antônia", "Mascarada", "Sonho Sonhado", "Poema do mais triste maio" e "Antologia".

O livro contém, nesta ordem: uma introdução redigida por André Seffrin; os poemas selecionados de Bandeira; uma concisa biografia do autor; uma completíssima bibliografia; as referências consultadas pelo antologista; e alguns depoimentos relevantes sobre o poeta.

Impecável!

sexta-feira, 6 de março de 2026

"Biofobia", de Santiago Nazarian

André, um roqueiro decadente de meia-idade, é filho de uma escritora relativamente bem-sucedida que acaba de se suicidar. Ela morava em uma casa extravagante no meio do mato, e ele vai até lá para fazer os preparativos finais.

Contado de forma inteligente por um narrador onisciente e utilizando de modo muito eficaz o discurso indireto livre, "Biofobia" é um dos livros mais notáveis do talentoso escritor paulista Santiago Nazarian.

Durante a leitura, o leitor nunca sabe o que é acontecimento, o que é delírio ou o que é simplesmente um uso interessante de figuras de linguagem, o que proporciona uma experiência estimulante e divertida.

O título "Biofobia", por sua vez, foi planejado de maneira perspicaz, pois pode significar "medo da vida", "medo da natureza", "medo da própria vida", e isso tudo cabe na história.

Sendo assim, esse thriller de Santiago Nazarian é uma obra altamente recomendável, principalmente para quem tem alguma familiaridade com o universo alternativo e é praticamente desprovido de preconceitos.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

"A reinvenção da metáfora: as bodas de Rogério Salgado", organizado por Luiz Otávio Oliani




- Título: "A reinvenção da metáfora: as bodas de Rogério Salgado"
- Autor: Luiz Otávio Oliani
- Editora: Ventura (RJ)
- Ano de lançamento: 2025
- N.º de páginas: 104


Que linda ficou esta obra criada para homenagear Rogério Salgado, poeta mineiro digno de qualquer honraria!

Há cinquenta anos lapidando ideias, ideais, sentimentos e emoções em forma de verso, o autor, cuja gentileza se estende tanto quanto seu notável talento, sempre foi um agitador cultural que não se limita a interesses pessoais. Rogério, muito pelo contrário, busca enaltecer diferentes artistas e iniciativas das mais variadas, de modo a engrandecer, sobretudo, a cultura nacional.

Ao ler esse elegante volume organizado pelo professor e escritor Luiz Otávio Oliani, percebemos não apenas que a arte poética é a força motriz do poeta em questão, mas também que ele nunca esteve alheio ao que ocorria ao seu redor. Rogério fala sobre nossos dramas e alegrias, alguns simultaneamente particulares e coletivos, como os poemas que abordam ditaduras latino-americanas, utilizando constantemente os recursos poéticos mais explorados em cada período.

A escrita de Salgado é criativa, instigante, acessível e, ao mesmo tempo, profunda, características que revelam um escritor que se esforça para inserir a poesia no cotidiano do povo. Daqui, os poemas que mais me maravilharam foram "Poema consciente", "O que cabe no poema", "Inocência na praia", "Sonho de uma nova Vila Rica", "Brado ou canção de liberdade ao povo chileno", "Parafraseando Fernando Pessoa", "Poema inocente para ser recitado", "Definição", "Poema sacaninha", "Jardim de infância", "Fato consumado", "Solo solene para Fernanda Nicácio", "Acorde em dó menor", "Tempo", "Epitáfio" e "Valores humanos".

O livro em si é muito bem organizado: inicia com um prefácio extremamente interessante escrito por Luiz Otávio, que também selecionou os textos e os dividiu nas seções "No corpo da palavra", "Mundo social", "Amor e prazer", "Memórias e despedidas" e "Outros".

Por tudo isso, "A reinvenção da metáfora" é uma excelente oportunidade para conhecer ou revisitar a impressionante obra de Rogério Salgado, por meio de uma publicação pensada e executada com esmero.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

"O Mundo de Sofia", de Jostein Gaarder

Em "O Mundo de Sofia", o norueguês Jostein Gaarder nos apresenta uma adolescente que, ao receber misteriosas cartas com perguntas filosóficas, ingressa sem querer em um curso bem diferente e exclusivo. 

A narrativa conduz o leitor pelos principais momentos da história da Filosofia, sempre em tom dialogado e acessível, o que torna a proposta criativa e convidativa. O autor consegue prender a atenção dos leitores com habilidade, mas em alguns trechos o ritmo se torna cansativo, especialmente quando se detém demais em certos períodos e deixa outros praticamente de lado. Suas escolhas são curiosas, já que, por exemplo, Charles Darwin e Sigmund Freud recebem grande destaque, o que faz o livro, por vezes, parecer mais uma introdução às Ciências do que à Filosofia. Ainda assim, há momentos brilhantes em que Gaarder amplia a discussão e questiona a própria natureza da vida e do universo, provocando reflexões sobre o que está por trás de tudo. 

Um ponto delicado é a cena em que há uma sexualização excessiva de personagens adolescentes, causando certo estranhamento. Por outro lado, um aspecto a ser ressaltado é a abordagem que é feita, já naquela época, a respeito de temas de inegável importância atualmente, como o uso da Inteligência Artificial, a dependência tecnológica e os danos ao meio ambiente.

Apesar dessas ressalvas, trata-se de uma obra extremamente recomendável para estudantes e professores de Filosofia, tanto como ferramenta didática quanto como material de apoio, porque combina diversão, clareza e profundidade em uma narrativa que desperta a curiosidade filosófica em leitores de qualquer idade.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

"Asas de terra e sangue", de Ivy Menon





- Título: "Asas de terra e sangue"
- Autora: Ivy Menon
- Editora: Arribaçã (PB)
- Ano de lançamento: 2021
- N.º de páginas: 242


Este livro chegou até mim por meio de sua incrivelmente querida autora. Já fascinado com o pouco que sabia de sua trajetória, recebi dela uma incumbência direta: "Leia este livro!". Comecei pelo e-book que me disponibilizou, mas as histórias narradas em "Asas de terra e sangue" (todas reais, contadas com linguagem precisa e poética) encantaram-me tanto que precisei de uma edição física. E, pelo destino, acabei encontrando o último exemplar impresso ainda existente, um que nem a própria autora sabia que restava.

Grande parte das situações hipnóticas aqui apresentadas aconteceram na infância de Ivy. Ela mesma já havia me confidenciado em entrevista: "Por ter sido boia-fria até os vinte anos, cresci distante dos livros. Aos doze, fui trabalhar como doméstica na casa da minha professora do quarto ano primário. Foi ela quem me apresentou e me emprestou 'Reinações de Narizinho', de Monteiro Lobato." Há também episódios de sua juventude, alguns profundamente comoventes, além de fatos recentes, vividos em sua fase atual.

O livro abre espaço para rir, chorar, comover-se e enternecer-se. Qualquer leitor chegará à mesma conclusão: Ivy Menon possui uma história de vida extraordinária, digna de ocupar páginas de livros — e até de ser retratada em outros suportes, como o cinema. Sua narrativa é sensível, com uso estudado das palavras e construções frasais, conferindo às crônicas um valor literário raro. Percebe-se, ainda, a visão poética da criança, a inocência de quem enxerga o mundo de forma diferente.

Sem erro, afirmo que "Asas de terra e sangue" é um dos melhores e mais marcantes títulos que já tive a oportunidade de devorar ao longo da minha monótona existência. A forte, destemida, brilhante e profundamente humana Ivy Menon me fez um favor imenso ao recomendar sua obra. E o destino, generoso, me concedeu a gentileza de permitir esse encontro com uma pessoa tão inspiradora.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

"As atribulações de uma caixa de supermercado", de Anna Sam

A autora francesa Anna Sam, graduada em Literatura, trabalhou durante oito anos como caixa de supermercado. Baseada nessa experiência e apropriando-se de seu perceptível talento para a escrita, bem como de sua perspicácia para ler as pessoas e o mundo, ela criou, inicialmente, um blog no qual relatava tudo aquilo que considerava mais curioso e interessante enquanto exercia sua atividade profissional. Esse conteúdo, pela relevância e sucesso, transformou-se neste livro.

Confesso que escolhi esta obra porque desejava, por esses dias, uma leitura mais leve. Mas, muito além de uma distração, encontrei em suas páginas valiosas lições sociológicas, filosóficas e psicológicas.

A escrita de Anna Sam é ácida e divertida. Ela consegue transmitir, com extrema ironia, as situações insólitas e humilhantes vividas por uma caixa, em um tom tão frenético quanto as tarefas desempenhadas por esses profissionais. Ao mesmo tempo, soube retratar, de maneira respeitosa e poética, ocasiões emocionantes, como o seu último dia exercendo a função.

Concluo, então, que Anna Sam, com este título, não só presta um serviço significativo à sociedade — ao nos instigar a realmente enxergar esses trabalhadores essenciais —, mas também demonstra uma capacidade literária inegável.

Adorei ler "As atribulações de uma caixa de supermercado"! E, sim, fui conferir, e o blog ainda existe: caissierenofutur.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

"Melhores poemas", de Cora Coralina

Lançada pela Editora Global em edição de bolso, esta antologia oferece aos leitores um panorama bem completo a respeito da obra e da vida de Cora Coralina.

O volume tem início com uma detalhada apresentação escrita pela poetisa, ensaísta e crítica literária Darcy França Denófrio, que foi também a responsável pela seleção dos poemas de Cora.

Aqui, Darcy organiza os textos competentemente escolhidos de acordo com os seguintes subtítulos: "Nos reinos de Goiás", "Canto de Aninha", "Criança no meu tempo", "Paraíso perdido", "Entre pedras e flores", "Canto solitário" e "Celebrações".

Na sequência, a coletânea apresenta uma rica biografia sobre Cora, assim como a bibliografia completa, contemplando a produção dessa inigualável poetisa goiana.

Lendo este livro, percebe-se que, desde criança, Cora, a Aninha, era diferente, mais sensível e, por isso, incompreendida, cobrada demais, rejeitada, mas também, por conta disso, tornou-se (ou sempre foi), inevitavelmente, poetisa.

Tendo estudado pouco tempo no ensino regular, Cora Coralina até hoje é um fenômeno; escritora de uma poética diferenciada, humana, cujos versos retratam o passado, lamentam as crueldades, celebram as belezas simples, valorizam as melhorias do presente e projetam o futuro.

A autora transpira poesia, não força nada. Para ela, compor lindos poemas é tão natural quanto fazer uma lista de mercado.

Cora Coralina faleceu ainda em 1985, porém deixou um legado imortal.