terça-feira, 28 de julho de 2026

"A face poética da morte", de Angelo Asson




- Título: “A face poética da morte”
- Autor: Angelo Asson
- Ano de lançamento: 2022
- N.º de páginas: 68


"A face poética da morte" é uma obra inegavelmente atraente. A curiosidade já é despertada ao nos depararmos com a capa, de uma beleza ímpar, repleta de belíssimas ilustrações em tons quentes que remetem à celebração do Día de los Muertos, no México.

É justamente essa a proposta do escritor paulista Angelo Asson neste volume: discorrer sobre as diversas faces do passamento, explorando com sensibilidade e leveza os múltiplos recursos da poesia.

De minha parte, fiquei inicialmente fascinado pelos textos introdutórios — aqui compreendidos a quarta capa, a orelha e o prefácio, intitulado "abrindo a cova". Os três demonstram a capacidade discursiva do autor e o seu potencial para envolver o leitor desde as primeiras páginas.

Os poemas, por sua vez, estão organizados em cinco interessantes seções ("o que é a vida?", "tentando entender", "desvarios", "contando as horas" e "descendo o ataúde"), todas abertas por uma brilhante quadra que funciona como introdução ao conjunto de textos.

Ao longo do livro, Asson explora a poesia por meio dos sons e dos significados, produzindo versos de notável inspiração. Sua escrita é simples e impactante, buscando comover o leitor, e não se autopromover. Em seus versos, o autor sublinha a nossa efemeridade, o caráter repentino da morte e a imprevisibilidade tanto da vida quanto da própria finitude, dimensões que escapam ao nosso controle.

O livro se encerra com um perspicaz posfácio, nomeado como "epitáfio", no qual Angelo sintetiza, de maneira bastante feliz, os principais temas desenvolvidos ao longo da obra.

Após concluir esta leitura, posso afirmar que "A face poética da morte" é um título minuciosamente planejado, que reúne uma poesia muito bem construída, capaz de conquistar os mais diversos leitores, ao mesmo tempo em que suscita pertinentes reflexões sobre um tema inerente à condição humana.

Entre todos os poemas, os meus favoritos foram: "Tralha", "Vazio", "Faça barulho!", "Doce vida", "A morte das palavras", "Espetado", "O que é a vida?", "Lágrimas", "Fim de tarde", "Preparando a gente", "As cápsulas vazias", "Quem escolhe" e "Retrato".




quinta-feira, 23 de julho de 2026

"A Princesinha", de Frances Hodgson Burnett

Fiquei maravilhado ao assistir ao filme "A Princesinha", dirigido por Alfonso Cuarón e lançado em 1995. Tanto que, logo em seguida, adquiri o livro no qual o filme foi baseado.

Confesso que, durante a leitura das primeiras páginas, não havia me empolgado muito com a obra, e quase a abandonei. Até por conta de alguns preconceitos nada escondidos nas linhas da narrativa, como: "[...] Eu tenho o cabelo curto, preto e olhos verdes; além do mais, sou uma criança magra e estou longe de ter a pele clara. Sou uma das crianças mais feias que ela já viu. [...]" (p. 12). Ao ser caracterizada dessa forma, fiquei imaginando também por que Sara, a personagem principal, foi interpretada por uma menina branca, de lindos e expressivos olhos azuis e de cachos dourados (um novo preconceito?).

O volume escrito por Frances Hodgson Burnett é, em si mesmo, cheio de contradições que revelam uma autora bem-intencionada, mas, por outro lado, presa a concepções de sua época hoje inaceitáveis. Ao mesmo tempo em que lamenta profundamente que crianças passem fome, valoriza a riqueza e o poder, assim como o respeito e a influência que deles decorrem, enaltecendo, ainda, minas de diamante e casacos de pele.

Além disso, o livro tem por foco a humanidade de Sara, que trata a todos igualmente; porém, ao longo da narrativa, há diversos trechos em que a autora usa estereótipos, sejam intelectuais, sejam físicos, para julgar as personagens.

No entanto, essa obra literária, apesar de seus cada vez mais perceptíveis defeitos, encanta de verdade ao contar a história de Sara Crewe, uma menina rica que se torna pobre da noite para o dia, embora continue demonstrando a mesma nobreza de caráter.

Admito que a narrativa do filme agradou-me mais do que a do livro. Por outro lado, isso não desmerece as páginas escritas por Frances, que estão repletas de trechos interessantes, como:


"— Arrisco a dizer que é bem difícil ser um rato [...]. Ninguém gosta de você. As pessoas pulam, saem correndo e gritam: 'Oh, um rato horrível!' [...] Mas ninguém perguntou a este rato se ele queria ser um rato quando foi feito. [...]" (p. 103)


"Como os animais entendem as coisas é algo que desconheço, mas é certo que eles entendem. Talvez haja uma linguagem que não seja feita de palavras e tudo no mundo a compreenda. Talvez exista uma alma dentro de tudo que consiga sempre falar com outra alma, sem emitir um som sequer. Porém, qualquer que fosse a razão, o rato soube naquele momento que estava a salvo, mesmo sendo um rato. Sabia que esta jovem humana sentada no banquinho vermelho não iria pular e aterrorizá-lo com barulhos selvagens nem atirar nele objetos pesados que, se não o esmagassem, o fariam voltar correndo e mancando para seu buraco. Ele era realmente um rato muito bom e não pretendia causar o menor dano. [...]" (p. 103-104)


Apesar de suas contradições, "A Princesinha" continua sendo uma história profundamente tocante. Talvez seja justamente por reunir virtudes e limitações tão humanas (e por enxergar dignidade até nos seres mais desprezados, como o rato Melquisedeque) que a obra siga despertando encanto e reflexão mais de um século após sua publicação.

sábado, 11 de julho de 2026

"50 Anos de Sonho e de Sangue", de Juscelino Filho e Carla Cruz

 



- Título: “50 Anos de Sonho e de Sangue”
- Autores: Juscelino Filho e Carla Cruz
- Ano de lançamento: 2026
- N.º de páginas: 287


Neste livro, os excelentes Juscelino Filho e Carla Cruz dissecam o álbum “Alucinação”, lançado pelo saudoso músico cearense Belchior, obra que completa cinquenta anos de existência em 2026.

Os autores dão início ao texto relatando as suas primeiras experiências com o artista, discorrendo sobre como e quando conheceram a sua música. A partir daí, inserem o contexto de surgimento e produção do disco. Além disso, após descreverem os pormenores dos responsáveis por essa concepção, eles abordam as principais influências do período. Logo, contextualizam o mundo do cantor naquele momento, escaneando a evolução das letras, da parte instrumental e da harmonia presentes no título homenageado.

O ponto central da leitura é o longo exame de cada canção. É feito um estudo aprofundado sobre a criação poética e sonora de todas as faixas: “Apenas um rapaz latino-americano”, “Velha roupa colorida”, “Como nossos pais”, “Sujeito de sorte”, “Como o diabo gosta”, “Alucinação”, “Não leve flores”, “A palo seco”, “Fotografia 3x4” e “Antes do fim”.

Para concluir o volume, são incluídos, ainda, diagramas que esmiúçam a estrutura dessas composições, bem como um material interativo bônus, que pode ser conferido na plataforma de vídeo YouTube.

Sendo assim, pode-se afirmar que “50 Anos de Sonho e de Sangue: Uma análise do álbum Alucinação” é um registro indicado tanto para aqueles que já apreciam o repertório de Belchior quanto para as pessoas que desejam descobrir mais a respeito dele. Há material para quem busca perspectivas mais aprofundadas, como também há conteúdo para os leitores que chegam às páginas por mera curiosidade.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

"Ensaios criativos", de Luiza Alves



- Título: “Ensaios criativos”
- Autora: Luiza Alves
- Editora: Fomento Literário (SP)
- Ano de lançamento: 2025
- N.º de páginas: 84


Este primeiro livro da psicóloga, musicista e escritora gaúcha Luiza Alves é muito instigante! Nele, a autora expõe de forma espontânea e criativa tudo o que se passa na cabeça e no coração. São pequenos poemas e prosas poéticas, cujas reflexões nos convidam a entrar na intimidade de Luiza, que nos auxilia nesse processo anexando ao livro fotografias de tudo aquilo que é importante para ela, inclusive para o seu processo de criação.

Os textos de “Ensaios criativos” provocam um impacto imediato, o que fortalece a sua capacidade de cativar os leitores. Além disso, sendo curtos, nunca são breves, pois ressoam em nossas vivências diárias. Em suas páginas, Luiza aborda inúmeros temas, como colecionismo, suportes de escrita, importância da escrita, onirismo, comportamentos sociais, sentimentos, trajetórias, escolhas, arte, perspectivas, entre outros.

Alguns dos poemas que mais me encantaram foram: “Artifícios”, “Tara por cadernos”, “Diário”, “Sonho”, “Eu me permito escrever”, “Prestatividade”, “Preserve-herança”, “Caderneta de bordo”, “A raiva em mim”, “Tempo de vida”, “Caminho incerto”, “Por onde andam as tuas flores?”, “Arranha-céu”, “Acalento”, “Só”, “Drama” e “Contar histórias”.

O livro traz questões psicológicas, cenas cotidianas e proporciona uma leitura muito envolvente. Tem um tom filosófico, assim como um tom lúdico. As fotografias entremeadas aos textos realmente enriquecem a experiência de leitura. A criatividade nas composições de Luiza é latente, e “Ensaios criativos”, embora pareça uma obra curta, é imensamente rica. Aqui, essa artista demonstra que tem tempo para contemplar, mas não tem tempo a perder.

Para finalizar, é preciso salientar que a escrita de Luiza só não é melhor do que as suas canções, que estou escutando no fone de ouvido, comovido, enquanto escrevo esta resenha.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

“Versículos para momentos difíceis (ou não)”, de Pietra Seráfico

 



“Versículos para momentos difíceis (ou não)” é um verdadeiro mimo! Publicado pela escritora e bookstan cristã Pietra Seráfico, é um livro de bolso que apresenta ao leitor salmos selecionados e organizados por temas, buscando aproximá-lo das escrituras e facilitar os seus momentos de fé em situações de aflição, ou não – como propõe o título.

Além disso, oferece às pessoas espaços para reflexões e a escrita de orações a respeito de cada salmo proposto, tornando-se, com isso, não só uma ferramenta de amparo à religiosidade, mas também de encontro com a sua crença particular, tendo em vista que incentiva os leitores a pensarem por si mesmos, a adequarem a religião às necessidades ligadas a suas próprias trajetórias.

Ou seja, num mundo tão urgente e perturbador, livros como esse da Pietra permitem que a fé faça mais sentido na vida dos indivíduos, porque auxiliam cada um de nós a compreender melhor as Escrituras, de uma forma mais cativante e acessível.


***


Guilherme Mossini Mendel: Como se deu a escolha dos salmos para a organização desta obra?

Pietra Seráfico: Os que mais falaram comigo e conversaram ao meu coração foram os escolhidos.


GMM: Depois do lançamento de “Devocional Pensamentos”, qual é a intenção com este livro?

PS: Na verdade, publicá-lo foi uma grande surpresa até para mim. Eu o fiz há muitos anos, o achei recentemente e resolvi postar!


GMM: Por que foi feita a opção por lançar um belíssimo livro de bolso?

PS: Por ser um livro muito bíblico, queria que fosse algo fácil de carregar, para que haja sempre espaço e tempo para Deus em nossas rotinas.


GMM: De que maneira você percebe que livros como os seus atuam na aproximação das pessoas com a religiosidade?

PS: Creio que a forma como me coloco como ser humano que sofre e, mesmo assim, não perde a fé me humaniza diante dos leitores, fazendo com que percebam que não precisamos da perfeição para buscar a Deus.


GMM: Como você espera que “Versículos para momentos difíceis (ou não)” sirva de incentivo para que os leitores revisitem a Bíblia?

PS: Quero que este livro seja a porta de entrada para que cada vez mais as pessoas sintam despertar em seu coração a curiosidade por Cristo e, claro, busquem conhecê-lo mais profundamente.


terça-feira, 30 de junho de 2026

"Microlândia: As aventuras dos superátomos", de Patricia Keder Sandim Reis




- Título: “Microlândia: As aventuras dos superátomos”
- Autora: Patricia Keder Sandim Reis
- Editora: Ases da Literatura (SC)
- Ano de lançamento: 2025
- N.º de páginas: 52


O que acontece quando uma competente professora de Ciências une uma habilidade inata e responsavelmente trabalhada para contar histórias ao notável domínio do conteúdo que ensina em sala de aula há anos? Surge “Microlândia: As aventuras dos superátomos”, narrativa em que os átomos Rui, Tininha e Dito juntam seus talentos para manter o equilíbrio do lugar. Juntos, eles enfrentam vilões que facilmente associamos a figuras (famosas e anônimas) do nosso cotidiano.

Nesta cativante obra literária, Patricia Keder ensina sobre os átomos de forma lúdica, mas também aborda o respeito às diferenças, a empatia, a união, a autoestima e o trabalho comunitário, valências cada vez mais essenciais em nosso mundo. Com isso, a autora demonstra ser uma profissional atenta não apenas ao conhecimento científico transmitido aos jovens, mas também à formação dos cidadãos que construirão o amanhã do nosso planeta.

Ao longo de “Microlândia: As aventuras dos superátomos”, encontramos não apenas uma narrativa convidativa e estruturada em capítulos – o que facilita a experiência para todos os públicos –, mas também ilustrações atraentes e significativas, assinadas por Tayline Cristensen.

Por fim, vale ressaltar que a edição concebida pela Editora Ases da Literatura contribui para o sucesso da proposta, entregando ao seu público principal, as crianças, um material que além de belo, é bastante durável.


* Patricia Keder Sandim Reis é licenciada em Ciências Biológicas, Química e Pedagogia, com especializações em Neurociência, Neuropsicologia e Neuropsicopedagogia.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

“Devocional Pensamentos”, de Pietra Seráfico



O livro “Devocional Pensamentos”, publicado pela escritora e bookstan cristã Pietra Seráfico, chama a atenção do leitor por conta de sua beleza e de sua organização meticulosamente pensada. Ele conduz o indivíduo a vivenciá-lo por dez dias, por meio das temáticas: confiança; dependência; entrega; descanso; espera; obediência e submissão; renúncia; ansiedade; paz e filiação. Cada um desses capítulos é introduzido por um salmo, um comentário acolhedor feito pela autora, uma oração focada no tema e uma reflexão proposta.

Tendo como subtítulo “Devocionais em Salmos para mentes ansiosas e corações quebrantados”, a obra pretende reconectar o leitor com Deus, apresentando, como ferramentas adicionais, seções interativas, como caça-palavras, labirinto (muito pertinente, por conta das possíveis analogias), além de espaços para escrever, desenhar ou o que o leitor quiser.

Por meio de seu segundo livro, Pietra nos dá uma lição de vida, contando a sua história de superação, pretendendo, assim, que nós possamos, também, desfrutar das bênçãos que ela própria recebeu do Espírito Santo.


***



Guilherme Mossini Mendel: Pietra, o que exatamente é um devocional?

Pietra Seráfico: Um devocional é um tempo separado, intencional, para buscar a presença de Deus, ouvir Sua voz e alinhar o coração com os princípios da fé cristã. É um momento de conexão, reflexão, leitura bíblica e oração. Diferente de um estudo bíblico aprofundado, o devocional é mais pessoal.


GMM: O que motivou a escrita deste livro em específico?

PS: Saber que a área em que mais sofremos também é a área que mais ajudamos os outros. Minha dor tem um propósito, e eu precisava compartilhá-la.


GMM: O seu primeiro livro, “Está na hora de dormir”, foi publicado por uma editora. Já o “Devocional Pensamentos” foi lançado de forma independente. Como se deu essa escolha e o processo de edição da obra?

PS: Simplesmente pelo fato de que o retorno financeiro com a editora foi péssimo, rsrs. Já com o 2º livro, em pouquíssimo tempo, o retorno já foi bem melhor.


GMM: O que você espera que as pessoas levem consigo após a leitura desse título?

PS: Espero que saibam que apesar dos sofrimentos, há Alguém que nos capacita para enfrentar tudo isso. Espero que sintam a paz de Cristo que tanto lutei para encontrar, mas que hoje é um companheiro diário.


GMM: Como ocorreu a concepção da capa do livro, tanto em relação à parte criativa quanto à
execução?

PS: Em relação à concepção, foi feita com IA mesmo porque não conseguia pagar um ilustrador para realizar o design da capa. Já a parte criativa, foi uma forma de dizer, através da mão de Deus na minha cabeça, que Ele controla o meu ser do começo ao fim. Controla minha mente e meus pensamentos, mesmo quando nem eu consigo.

"Insana Lucidez", de Rodrigo Carpi Nejar





- Título: "Insana Lucidez"
- Autor: Rodrigo Carpi Nejar
- Editora: Bestiário (RS)
- Ano de lançamento: 2022
- N.º de páginas: 160


O volume "Insana Lucidez" oferece ao leitor uma ampla variedade de poemas. Os versos de Rodrigo Carpi Nejar, autor oriundo de uma família com tradição na literatura brasileira, caracterizam-se pelo forte simbolismo e pela riqueza de imagens. De extensões diversas, os textos recorrem às rimas quando estas contribuem para a proposta estética do poema. Em alguns momentos, o impacto é imediato; em outros, exige-se do leitor uma interpretação mais atenta. Além disso, há composições que dialogam com a poesia tradicionalista, enquanto outras chegaram a ser adaptadas para a música.

A obra divide-se em quatro partes: "Vertigens", "Patas do Firmamento", "Telas" e "Hora do Sol". Ao longo da leitura dessas seções, os poemas de que mais gostei foram: "Impresso", "Adereço", "Subterrâneos", "Soslaio", "Antes que o choro transborde", "Sobra doméstica", "Chama arredia", "Parto da febre", "Labaredas", "Armistício", "Brevidade da pedra" e "Programação".

Há passagens inegavelmente sublimes, como: "E recolheste / minhas lágrimas, / para fazer adereço." ("Adereço"); "Procuro / olhos de fogo, / para que minhas lágrimas / os suportem." ("Antes que o choro transborde"); "Careceu estancar-se no veio, / ver a fome erguer os seus seios. / E o amor transformar-se em vigília. / Era grão de farelo entre os dedos." ("Chama arredia"); "Na verdade, cansei de mim mesmo. / Eu, desperdício de verso e somatória. / Com as profecias impregnadas de musgos." ("Armistício").

Pode-se dizer, portanto, que "Insana Lucidez" é uma leitura recomendada tanto para iniciantes quanto para leitores experientes de poesia. Trata-se de uma obra que explora diferentes facetas da arte em versos, transitando entre a acessibilidade de alguns poemas e a densidade interpretativa de outros, sem perder a expressividade que caracteriza o conjunto.

sábado, 20 de junho de 2026

"Navegações e Regressos", de Pablo Neruda

Já li muito Neruda durante a minha vida! Esse autor me foi apresentado ainda na adolescência pelo meu tio Rubens, como confidenciei em textos anteriores. Porém, nenhum livro do poeta chileno me impactou tanto quanto "Navegações e Regressos", obra originalmente publicada em 1959.

Aqui, Neruda aborda locais, suas paisagens e costumes, a natureza, assim como a natureza humana. Fala de viagens pelo globo terrestre, representando sempre viagens pelo interior dos indivíduos. Por isso, comoveu-me demais o poema "O barco".

Além disso, o volume é formado quase que exclusivamente por odes. Nelas, o poeta inspira-se tanto em personalidades, como o líder soviético Lênin, quanto em animais, a exemplo do gato e do elefante.

Sinto que, neste título, Neruda estava no auge da sua capacidade poética, constituindo, portanto, um livro visivelmente equilibrado: tem valor aos eruditos, aos leitores comuns, àqueles que leem de maneira despretensiosa e àqueles que buscam a profundidade.

Percebe-se, então, que Neruda merece todo o reconhecimento que teve e ainda tem, pois é um escritor que conseguiu sensibilizar todos os estratos sociais, algo realmente para poucos.




sexta-feira, 12 de junho de 2026

"Os ETs de Varginha", de Margarida Hallacoc





- Título: "Os ETs de Varginha"
- Autora: Margarida Hallacoc
- Editora: Literíssima (MG)
- Ano de lançamento: 2024
- N.º de páginas: 191


Para começo de conversa, comprei este livro com o objetivo de conhecer mais sobre o assunto "ETs de Varginha" (e a obra em questão já instiga pelo título, tendo em vista que, tradicionalmente, fala-se em apenas um ET de Varginha). E o volume escrito por Margarida Hallacoc me chamou a atenção justamente por ter sido concebido por uma jornalista, classe profissional que respeito demais por, quase sempre, não brincar em serviço. Almejava, então, encontrar nestas páginas mais fatos do que crenças pessoais; mais observações do que vontade de observar.

Contudo, ao começar a leitura, fiquei completamente fascinado com o que encontrei. Se, por um lado, o título "Os ETs de Varginha" fornece informações a respeito do tema central do livro, o mote deste volume, por outro, reduz a proposta do ponto de vista dos leitores desavisados. Pois a autora, sim, aborda com inegável propriedade o assunto em questão, sem enrolações, de forma objetiva e factual, englobando todos os aspectos que realmente importam em relação a ele.

No entanto, assim como afirma nos textos introdutórios, a vontade de dar vida a este projeto nasceu de uma ocasião em que ela, durante a pandemia de COVID-19, abriu seu verdadeiro baú do tesouro para mostrar às filhas o material que havia guardado desde aquela época. E ela realmente o faz, mas para todos nós, seus leitores. Hallacoc nos relembra de tudo aquilo que nos fascinou e nos entristeceu durante aquele período, proporcionando-nos uma valiosa viagem no tempo. Não apenas nos fala sobre os ETs, mas também nos oferece todo o contexto, todo o plano de fundo relativo ao acontecimento. É como se a jornalista tivesse embarcado em uma máquina do tempo, capturado a essência dos meados dos anos 90 e nos levado junto nessa viagem por meio de seu encantador texto. Além disso, confidencia-nos suas experiências pessoais, o que nos torna íntimos dessa mineira de Poço Fundo (ao menos durante a leitura da obra).

É aí que devo falar sobre a escrita de Margarida. Ainda na dedicatória, a autora coloca o seguinte: "[...] As linhas e as páginas a seguir são de um relato simples, de alguém que treinou muito para ter a escrita mais popular que há, aquela entendível pelo juiz de Direito ou pelo vendedor de cartelas de um bingo qualquer; pela professora doutora aposentada e pelo frentista do posto de gasolina." (p. 10)

E ela consegue atingir esse objetivo, sem sombra de dúvida, porque sua escrita é fluida, deliciosa, daquelas que convidam à leitura. Se Hallacoc escrever uma lista de compras para ir ao mercado, eu quero lê-la. Fiquei encantado! Essa jornalista sabe como tratar a palavra! Basta acompanhar a reflexão que compartilha conosco na página 173: "Pensei que um texto bem-feito era como um crochê ou uma peça tecida no tear, onde cada fio tinha uma função exata. Uma vez entrelaçados, naquela junção perfeita, não se podia mexer porque não havia lugar para mais nenhum fiapo. Se puxasse um fio, saía desmanchando tudo." (Trecho que anotei para repassar aos meus alunos, uma vez que, do meu ponto de vista, é uma aula de escrita.)

Sendo assim, recomendo este título para qualquer vida inteligente que existir na Terra. Leia este livro, nem que seja para ler uma boa obra. No fim, creio que os ETs vieram ao nosso planeta, em 1996, justamente a Varginha, no estado de Minas Gerais, com a intenção de constatar se realmente havia inteligência no planeta azul, pois tinham ouvido falar de Margarida Hallacoc.

terça-feira, 2 de junho de 2026

"Clarão do Luar", de Aline Bischoff



Lançado em 2024 pela Editora Perse, "Clarão do Luar", escrito pela paulista Aline Bischoff, nasce da aparente calmaria e do recolhimento das madrugadas. Como a própria autora explica, a antítese entre a noite e o luar funciona como uma metáfora para a dualidade da existência humana, equilibrando a vida e a morte, o lado consciente e o inconsciente. A partir dessa premissa, Aline entrega uma poesia com forma e conteúdo admiráveis, de execução praticamente impecável. Ela explora ao máximo os recursos poéticos com muita segurança, dominando tanto as formas curtas quanto os poemas mais longos. Em vários momentos, a musicalidade e a densidade dos versos despertaram em mim lembranças muito claras do lirismo de Álvares de Azevedo, Lord Byron e Augusto dos Anjos.

O que mais chama a atenção é como a obra consegue ampliar esse tom introspectivo para temas muito variados e bem amarrados. Há excelentes poemas românticos, reflexões sobre a fé (com referências a São Francisco de Assis e ao Bom Samaritano) e um olhar muito lúcido para as questões sociais. Textos como "À margem da cidade", "Contrastes da janela" e o fortíssimo "O cognome da fome" mostram uma autora conectada à realidade, capaz de registrar até mesmo a dura fase da COVID-19. O livro ainda é repleto de homenagens a locais consagrados (como São Paulo, Rio de Janeiro, Foz do Iguaçu) e a grandes nomes das artes (como Ferreira Gullar, Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo e Pagu). Diante de tanta variedade, meus grandes destaques de leitura foram "Noturno", "Clarão do Luar", "Soneto do amor sobre a chuva", "Náufrago das emoções", "A estação da alma", "Soneto do amor incondicional", "A luz da misericórdia e o seu poder salvador", "O cognome da fome", "Contrastes da janela", "À margem da cidade", "Sentido", "O Conflito das Vozes Interiores", "Via de mão dupla", "O vicejar da era", "Estranha habitação" (que brinca com trechos de versos famosos), "Incontroversos", "Desafios do Poeta", "Temos poemas fresquinhos!", "Escrevo poesia" e "Invocação".

A leitura atenta de "Clarão do Luar" confirma o talento e a maturidade de Aline Bischoff como poeta. Ela não apenas sente a poesia, mas sabe exatamente como estruturá-la no papel, equilibrando o peso das emoções com o rigor exigido pela escrita. É um desafio encontrar um livro que consiga ser tão diverso em seus temas sem perder a sua unidade, e ela faz isso com muita competência. A autora tem pleno domínio do ofício, construindo versos que soam naturais, sem enfeites desnecessários, mas que atingem o leitor com precisão. Recomendo muito a leitura, pois trata-se de um trabalho consistente e autêntico de alguém que domina e respeita a arte da palavra.

sábado, 30 de maio de 2026

"A Peneira do Sol", de Maria Luiza Servelin




- Título: "A Peneira do Sol"
- Autora: Maria Luiza Servelin
- Editora: IEL, Tchê! (RS)
- Ano de lançamento: 1993
- N.º de páginas: 77


Com prefácio assinado por José Eduardo Degrazia, "A Peneira do Sol" revela a força lírica e a maturidade da escritora erechinense Maria Luiza Servelin. Dividido nas seções "Sortilégio", "Exercício da pena" e "Auroras e vinho", o livro nos apresenta textos poéticos que, embora construídos sobre simbologias complexas e rimas bem arquitetadas, jamais perdem a sua acessibilidade.

A poesia de Maria Luiza é, acima de tudo, sinestésica e visual. Com imagens consistentes e uma linguagem incisiva, a autora consegue o difícil feito de conversar, ao mesmo tempo, com a rotina e a retina do leitor. Suas palavras capturam não apenas a imagem do mundo, mas o cansaço e a repetição dos dias, entregando críticas fortes que funcionam como verdadeiros diagnósticos do comportamento humano moderno.

Esse olhar aguçado (e, muitas vezes, fatalista) sobre a sociedade contemporânea transparece em poemas como "Modus Vivendi" (p. 13), onde a poetisa resume de forma cirúrgica o peso da nossa relação com o trabalho e a espera:

"Carregamos os dias / vergados / pela ansiedade / da sexta / feira."

A passagem inevitável do tempo também é abordada com brilhantismo em "Ventotempo" (p. 19), através de uma metáfora tão simples quanto cortante:

"O tempo é uma vassoura / que varre o tempo / que nos varre."

Apesar dessas constatações duras, há espaço para a delicadeza e a reflexão sobre as transformações dos afetos. Em "Construção" (p. 15), a maturidade dos sentimentos ganha uma definição memorável, que se afasta do romantismo idealizado para abraçar a realidade do convívio:

"Amor é o que se forja / e modela / fogo ardente primeiro, / depois, fogo de vela."

Para além das citações destacadas, a obra reserva outras joias poéticas que merecem atenção especial do leitor, como "Aniversários" (p. 23), "2ª" (p. 24), "Tecitura" (p. 30), "Usura" (p. 33) e "Reflexão" (p. 39).

"A Peneira do Sol" é uma obra que cumpre o que seu título sugere, tendo em vista que filtra a aspereza dos dias, retendo a essência luminosa da condição humana, sem mascarar as sombras que nos cercam. Uma leitura essencial para quem busca uma poesia visível e visionária.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

"Pensamentos ao Vento", de Adriel Ferreira



- Título: "Pensamentos ao Vento"
- Autor: Adriel Ferreira
- Editora: VGraf (RS)
- Ano de lançamento: 2026
- N.º de páginas: 54


Este primeiro volume poético de autoria do jornalista, radialista, publicitário e designer gráfico gaúcho Adriel Ferreira surpreendeu-me de forma bastante positiva, pois reúne qualidades capazes de satisfazer até mesmo os leitores mais exigentes.

O livro inicia com a presença de belos aforismos, nos quais Adriel já antecipa sua capacidade de dizer muito com poucos recursos linguísticos, como em: “O tempo é um baita ladrão da felicidade!” (p. 9).

Adiante, o poeta oferece ao público uma poesia de forte apelo humano, tendo em vista que dialoga com experiências universais da vida com grande sensibilidade e perspicácia, ilustradas, por exemplo, nos versos do poema “Resolvi”: “A vida não reserva / tempo para escolher.” e “O mundo anda muito sério / pra tantos sonhos / que tenho por viver.” (p. 15).

Há poemas românticos, como se observa em “A Saudade”: “[...] a vontade / de estar junto é maior. / É que o tempo passa, / como se não passasse o tempo.” (p. 19). E há poemas reflexivos, como “Pétalas secas”: “Do segredo em guardar / as pétalas secas, / aprendemos o quanto / um dia foram belas.” (p. 40).

Nas páginas de "Pensamentos ao Vento", o leitor encontrará textos maiores ou menores em extensão, mas sempre ricos em sensibilidade e apuro técnico, porque Adriel emprega recursos poéticos diversos com notável naturalidade.

Dentre todos os títulos pertencentes a esta sublime coletânea poética, os que mais me agradaram foram: “Resolvi”, “A Saudade”, “Pés descalços”, “Reencontro”, “Pétalas secas”, “Gosto” e “Você”.

Sendo assim, recomendo o livro em questão para todas as pessoas que apreciam poesia, pois qualquer leitor encontrará em suas páginas uma experiência de leitura significativa. No entanto, a obra também se mostra bastante indicada para aqueles que não possuem o hábito de ler textos em verso, uma vez que "Pensamentos ao Vento" é composta por poemas acessíveis, delicados e profundamente comoventes.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

"Caso Varginha - 30 anos", de Marco Petit




- Título: "Caso Varginha - 30 anos"
- Autor: Marco Petit
- Editora: Editora do Conhecimento (SP)
- Ano de lançamento: 2026
- N.º de páginas: 294


Há três décadas, um OVNI avariado caiu em Minas Gerais, mais especificamente na cidade de Varginha. Rapidamente, mas sem qualquer discrição, as autoridades militares agiram para "limpar" a área, buscando eliminar toda e qualquer evidência. No entanto, não conseguiram evitar que civis testemunhassem a nave espacial e os seus tripulantes pelas redondezas.

Depois de tanto tempo estudando o caso e produzindo material a respeito, Marco Petit, um dos mais importantes e respeitados ufólogos brasileiros, lança agora este verdadeiro documento, amparado nas informações mais completas e precisas sobre as ocorrências ligadas a esse evento histórico.

A obra, bela e extensa, é repleta de fotografias e anexos que dão inegável credibilidade às palavras de Petit, proporcionando uma leitura enriquecedora para o leitor de mente aberta.

Sem dúvida, quem se propõe a ler "Caso Varginha - 30 anos" terá a sua visão de mundo transformada, uma vez que passa a perceber com mais clareza a pequenez do ser humano e a frieza inescrupulosa daqueles que detêm o poder.

Portanto, recomendo este volume àqueles que desejam saber mais sobre ufologia, especialmente a que envolve aparições brasileiras. Cabe ressaltar, sobretudo, que não se trata apenas de uma especulação do século passado, mas de um momento crucial vivido em nosso país.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

"Contos de desencontros", de Mariele Zawierucka Bressan




- Título: "Contos de desencontros"
- Autora: Mariele Zawierucka Bressan
- Editora: Frutificando (RJ)
- Ano de lançamento: 2026
- N.º de páginas: 114


Este compilado de contos escritos por Mariele Bressan é cuidadosamente elaborado. Cada texto possui personalidade própria, mas também traz elementos que o ligam aos demais.

O título do volume não poderia ter sido melhor escolhido, pois seu conteúdo aborda verdadeiros desencontros verossímeis entre os personagens, como aqueles que todos nós vivenciamos na pele ou nos outros no decorrer da vida.

Esses desencontros ocorrem, por exemplo, por conta de receios e covardias, segredos e desejos, muitas vezes observados em meio a um emaranhado de coincidências.

"Contos de desencontros" ilustra como o ser humano é um eterno insatisfeito, sempre buscando algo melhor, ou alguém melhor. De forma recorrente, procuramos defeitos nas coisas e nas pessoas para poder descartá-las de uma maneira mais justificável. Mas como é difícil olharmos para o próprio umbigo!

Portanto, em tempos de relacionamentos vazios, de cancelamentos, de comportamentos bizarros e de intensa pressão, os vinte contos aqui presentes são indicados para leitores maiores, com mais experiência, não só para que desfrutem de um livro de contos exemplar, mas também para que reflitam sobre a vida — a própria, de preferência.

sábado, 25 de abril de 2026

"Treta em Paraíso Artificial", de Mateus Kupa





- Título: "Treta em Paraíso Artificial"
- Autor: Mateus Kupa
- Editora: (publicação independente)
- Ano de lançamento: 2026
- N.º de páginas: 91


Em "Treta em Paraíso Artificial", Mateus Kupa nos transporta para um paraíso de fachada, como tantos outros que podemos encontrar no Brasil. A trama acompanha o retorno de Fênix, um traficante de armas que a prefeitura tentou liquidar. Entre estratégias de vingança e conflitos sangrentos contra o governo e a polícia, o chefe da bandidagem cruza o caminho de inocentes e culpados para retomar o comando das ruas.

A obra se destaca imediatamente pelo seu tom frenético. Mateus não desperdiça palavras; ele opta por capítulos curtos que imprimem uma velocidade cinematográfica à leitura. O autor utiliza uma crítica social ácida para desmascarar as instituições, como exemplificado na descrição grotesca e brilhante do Secretário da Educação: "O secretário da educação não era um sujeito educado. Estava mais interessado em dinheiro do que comes e bebes. Se pudesse, comeria dinheiro. Moedas, cédulas, cheques. Então, após digerir e evacuar, usaria como adubo, na esperança de gerar mais dinheiro a partir da própria merda. Afinal, sempre que fazia merda com dinheiro público, gerava mais dinheiro. Dinheiro sujo." (p. 18)

Essa crueza, aliada a um humor satírico, confere ao livro uma camada de realismo cínico que faz o leitor questionar o quanto daquela ficção já transbordou para a nossa realidade cotidiana. Entretanto, o que torna a narrativa verdadeiramente inesquecível é a exploração das máscaras  e das excentricidades humanas. Kupa transita entre cenas de violência explícita e momentos de profunda análise sobre lealdade e traição, desacomodando o leitor com quebras de expectativa constantes.

Sendo assim, "Treta em Paraíso Artificial" é uma recomendação obrigatória para quem busca uma leitura rápida, porém marcante. É um prato cheio para entusiastas de ficção policial e thrillers de ação que não abrem mão de uma narrativa inteligente e provocadora. Se você aprecia autores que não têm medo de expor realidades que a maior parte da sociedade prefere ignorar, utilizando, para isso, um estilo impactante, ora brutal, ora cômico, mas sempre instigante, esse lançamento de Mateus Kupa certamente irá agradá-lo.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

"As neves do Kilimanjaro e outros contos", de Ernest Hemingway

O pequeno volume em questão conta com doze histórias escritas pelo norte-americano Ernest Hemingway. São elas: "As neves do Kilimanjaro", "Cinquenta mil", "A denúncia", "História natural dos mortos", "Véspera de batalha", "Em um outro país", "Os pistoleiros", "O lutador", "Mãe de bichona", "A capital do mundo", "Depois da tempestade" e "O velho da ponte".

Confesso que busquei este livro somente por conter a narrativa em destaque: "As neves do Kilimanjaro". A primeira vez que a li foi na época em que cursava Letras. E, desde então, mesmo após tantas leituras, nunca descobri outro título que tivesse um final tão memorável, tão esplendoroso; para mim, o melhor desfecho já escrito.

Os demais contos variam em qualidade. Uns chamaram mais a minha atenção do que outros, mas nenhum com o brilho daquele anteriormente citado.

Por isso, não sei se eu recomendaria o livro em si. Por outro lado, "As neves do Kilimanjaro" indico sempre que tenho a oportunidade.

sábado, 11 de abril de 2026

"Livro de Sonetos", de Vinicius de Moraes

Este belo volume publicado pela Companhia das Letras oferece ao leitor sonetos escritos pelo inigualável Vinicius de Moraes em diferentes fases da sua vida.

Aqui podem ser encontrados, por exemplo, os poemas "Soneto de separação", "Soneto do maior amor", "Soneto de fidelidade", "Não comerei da alface a verde pétala", "Poética", "Soneto do Corifeu", "O verbo no infinitivo", "Os quatro elementos" (composto por quatro textos), "Soneto da hora final", "Poética (II)", "O anjo das pernas tortas", "Soneto do gato morto", "Soneto a quatro mãos" (composto junto a Paulo Mendes Campos).

Os versos presentes neste livro comprovam o perfil dúbio do poeta popular e erudito, que conseguia ser ambos com maestria, atingindo momentos em que se mostrava capaz de ser insinuante sem ser vulgar, ou de ser rebuscado sem se revelar prepotente. Além disso, testemunham o quanto Vinicius foi ficando mais à vontade no decorrer dos anos, tanto para construir seus poemas de forma inovadora e surpreendente, quanto para explorar temáticas sem medo de arriscar.

Portanto, "Livro de Sonetos" é uma leitura essencial a qualquer leitor interessado na literatura nacional, pois o "Poetinha", como o chamavam os mais íntimos, foi um dos artistas mais geniais e importantes do Brasil.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

"O Grande Gatsby", de F. Scott Fitzgerald

Em "O Grande Gatsby", um jovem humilde chamado Nick Carraway narra suas experiências, em especial o que viveu ou soube sobre seu vizinho Jay Gatsby, um milionário misterioso e extravagante.

A história, à primeira vista trivial, serve apenas como plano de fundo para que Fitzgerald retrate aquilo que realmente deseja: o pensamento e o comportamento da época (década de 1920), analisando implicitamente os indivíduos e revelando do que são feitos na hora da verdade.

O enredo ganha destaque mais para o final, quando um evento desagradável provoca uma cadeia de acontecimentos, revelando o caráter de cada personagem.

Porém, a principal característica a ser destacada neste livro é o estilo de narração adotado por Fitzgerald, que soa simples, quase displicente, mas que envolve o leitor em sua atmosfera, instigando-o a prosseguir com a leitura.