quinta-feira, 13 de agosto de 2026

“Máquinas moem sentimentos (Sob o foco do luar)”, de Rogério Salgado

 

 

- Título: “Máquinas moem sentimentos (Sob o foco do luar)”
- Autor: Rogério Salgado
- Editora: Baroni Edições (MG)
- Ano de lançamento: 2026
- N.º de páginas: 28


Neste ano, a Baroni Edições lança a “Coleção Plaquete”, composta por nove livretos individuais contemplando o gênero lírico.

O volume 1 apresenta ao público o título “Máquinas moem sentimentos (Sob o foco do luar)”, de autoria do consagrado poeta mineiro Rogério Salgado, escritor com cinco décadas de trajetória.

Embora breve, o livro é inesgotável, pois sua poesia se degusta e se aprecia, tal como um bom disco. Nestas páginas, Rogério brinda o leitor com versos que encantam por suas qualidades, representativas da moderníssima lira brasileira, que comunica com e sem palavras, com e sem rimas, pelo uso inovador da língua e da linguagem poética, assim como pela instigante conversa com a tradição.

Em “Máquinas moem sentimentos”, Salgado nos fala a respeito da nossa vida automatizada e virtual, da nostalgia pelo que passou, da solidão, da morte, da infância, da velhice, do Brasil e da política. Faz referência a Vivaldi, Bach, Mário de Sá-Carneiro e a ícones da cultura popular. Além disso, expõe poemas com excepcionalidades, como os que foram escritos em parceria e outros que foram musicados.

É possível, nesta obra, encontrar preciosidades como: “dizer palavras já não importa / sem que se tenha milhões de seguidores” (“Máquinas moem sentimentos”, p. 5); “preciso que me sintas / como a poesia sente / a presença do poeta” (“Ode”, p. 9); “quando eu tiver que partir / quero ser menino novamente / brincando ao volante da imaginação” (“Poema lusitano”, p. 14); “voar é sobrepor / alcançar o céu / retirar os véus / que o impedem de sonhar” (“Pássaro de Aruá”, p. 15); “aqui apesar de tanta poluição / ainda posso respirar a liberdade” (“A minha terra”, p. 16). Aliás, dentre todos, os poemas de que mais gostei foram “Máquinas moem sentimentos”, “Ode”, “Poema lusitano”, “Pássaro de Aruá”, “A minha terra”, “Fantoches”, “Canto de desatar nossos nós” e “Inspiração”.

Portanto, o livreto em questão é capaz de sensibilizar até mesmo os indivíduos que não estão habituados à poesia, pois apresenta linguagem e imagens acessíveis, que dialogam com o cotidiano e com a travessia de qualquer brasileiro. Recomendo com sinceridade os poemas de Rogério Salgado, cujos versos são uma aula de lirismo, ludicidade e lucidez.

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