sábado, 8 de agosto de 2026

"Monstros: o dilema do fã", de Claire Dederer

O ensaio "Monstros: o dilema do fã", escrito por Claire Dederer, busca responder à indagação que tem sido bastante discutida: é possível separar a obra do artista?

Para explorar o assunto, a autora expõe comportamentos terríveis de parte de grandes expoentes do cinema, da literatura, da música, das artes plásticas. Além disso, questiona valores da sociedade, sejam de décadas passadas, sejam de agora, que, por vezes, permitiam determinadas condutas.

Ainda, o livro traz reflexões pertinentes e bem fundamentadas, costuradas por uma linha de pensamento coerente que sabe onde quer chegar.

É uma leitura muito interessante, mas, em diversas ocasiões, incômoda, pois realmente tira o leitor da zona de conforto: mexe com preconcepções e instiga o consumo desacomodado e consciente de obras de arte.

Por fim, trago uma percepção que eu já tinha anteriormente, que foi ricamente abordada por Claire:


"Queremos que o canalha ultrapasse os limites, que quebre as regras. Recompensamos essa quebra de regras e, em seguida, damos um passo adiante e a vemos como endêmica à própria produção de arte. [...] Não apenas porque os guardiões, editores e diretores de estúdios são tradicionalmente homens, mas também porque nós precisamos de enredo e ação. Ansiamos por acontecimentos!

[...]

[...] Fingir que não existe fascínio por homens ruins é escamotear a realidade. As mulheres ao redor desses homens se amontoam como lenha. [...] A vida é uma chatice. Com um vilão por perto, é muito provável que alguma coisa aconteça." (p. 150-151)

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